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Autoestrada para o inferno!

Recentemente , nosso amigo Quique Brown , parceiro de varias doideiras por aí, resolveu falar do disco novo do Motosierra, e pra alegria de nós todos, publicamos aqui, esta bela resenha, de um disco que vc deveria ouvir antes de morrer!

Com as palavras o próprio:

“Coisa de uns dois anos atrás, tomei a decisão de vender uma Saveiro 93 e comprar uma bicicleta, desde então, o fone de ouvido passou a ser meu companheiro inseparável junto com um capacete vermelho de skate. 
 
Como gosto de tudo quanto é tipo de som, tudo quanto é tipo de som já pedalou comigo, me perdoe os demais discos, playlists e coletâneas que já passaram pelas minhas orelhas nessa jornada, mas o novo lançamento dos uruguaios do Motosierra, que saiu em LP aqui no Brasil pela Läjä Records me arrebentou – e – veio pra ficar! 
 
Moro na Zona Rural de Bragança Paulista e no dia 5 de fevereiro de 2019, saí de casa ouvindo o disco novo dos caras pela antiga linha do trem; estrada de terra longa, reta e cheia de cavalos, carros, bicicletas, gado solto e pequenos bares onde me senti como se fosse o Walo dirigindo uma Scania dos anos 70 pelas longas estradas da vida uruguaia numa pedalada continua, forte e poderosa cantando junto com Marcos um refrão que grita com força “PARAISO ASESINO”. 
 
Mais pra frente, com ajuda da poderosíssima Sepulzombie, consegui bater um novo recorde no Strava na subida da Águas Claras, um morro de quase 2 quilômetros com um monte de erosão nas laterais e buracos por todos os lados. A faixa, que é a maior do álbum, começou com uma bateria tribal e foi crescendo até virar um stoner do terceiro mundo que me faz pedalar em pé até chegar no fim do morro e sair contente e feliz pela periferia da cidade ouvindo a canção que veio em seguida, a rockeira e swingada, A B – 612, um beat que nos remete aos tempos áureos do rock sul-americano sessentista – só que – feito hoje em dia. 
 
 
 
Como depois de toda subida tem uma descida e o morro abaixo pertence ao hardcore, descer o trecho do Conjunto Habitacional Marcelo Stéfani até bater na rodovia em alta velocidade ouvindo Lobo del Aire foi surreal, porque ela é muito brutal e poderosa como o hardcore deve ser, porque ela é muito brutal e poderosa como o rock pesado deve ser e principalmente, porque ela tem um grito agudo antes do solo que lança no espaço aquela sensação maravilhosa de ultrapassar os carros em alta velocidade enquanto eles pisam no freio com medo de radares e lombadas. 
 
Para ir pra a cidade saindo da minha casa (moro no sítio) tenho 5 possibilidades de caminho, 3 deles são por auto estradas e neste dia específico optei pela SP-095, rodovia perigosíssima que o grupo político que reina por aqui de pai pra filho desde a ditadura militar promete dar um jeito a cada dois anos durante a campanha eleitoral, mas que continua sempre igual só que com mais veículos e consequentemente, mais perigo. 
 
Peguei o canto da estrada que não tem acostamento tomando lombada de caminhão, fugindo de buraco, tentando me equilibrar na pintura lateral da pista (quando tinha) e escutando o alerta inicial da faixa 7 que diz “estamos preparados para lo peor / y no sabemos bien de donde vamos a parar / viviendo en um estado de alerta constante” e em seguida berra em coro “todo vai a salir mal” repetidas vezes não me deixando esquecer de todo tipo de azar que me cercava. 
 
Quando só faltava uma descida pra sair da rodovia e chegar na cidade, passei por uma ferradura de cavalo que ficou presa no asfalto e voei morro abaixo mais uma vez. 
 
Quase toda cidade brasileira possui uma Avenida dos Imigrantes e aqui em Bragança não é diferente, atualmente ela é um caos com trânsito pra todo lado e passar nos sinais vermelho dela furando os carros ouvindo “El Socio”, é o que há, pois somos sócios desse mudão e podemos/devemos andar por ele a vontade, sem fronteiras, “mirando a otro lado” porque “esto no es California / esto no es Nueva York”. 
 
Pra fechar, peguei o começo da rodovia SPA 009/010, último trecho de asfalto antes de voltar para linha do trem que fica em um local conhecido como ponto final, pois antigamente a cidade terminava ali. 
 
No começo dessa rodovia existem várias oficinas e borracharias que acabam executando alguns serviços na beira da pista e um tempo atrás, um borracheiro que trabalhava em um carro que estava estacionado na rua foi atropelado. Lembrei disso quando passei por um mecânico que saiu debaixo de um caminhão – e curioso – tirei o aparelho de som do bolso para ver que som estava tocando naquele momento e me deparei simplesmente com a música “Magia Negra” – e – se você acha que estou mentindo só pra criar um charme literário aqui é melhor já parar de ler isso JÁ, pois alguns segundos depois, numa esquina conhecida como esquina da morte, uma moto me pegou e eu morri…
 
Mentira, não morri nada, mas é verdade que tava tocando Magia Negra quando eu passei pelo mecânico que saiu debaixo de um caminhão numa rua onde um borracheiro morreu um tempo atrás, é verdade que ainda estava tocando Magia Negra quando uma moto (quase) me acertou na esquina da morte, é verdade que tocou Sepulzombie na subida da Águas Claras, que rolou El Socio na Imigrantes, Lobo Del Aire na descida e que eu tirei (por curiosidade) o sistema de som do bolso várias vezes para ver que música estava tocando.  
 
É isso, o disco novo do Motosierra é muito foda, o álbum físico foi lançado pela Läjä Records onde é possível comprar ele e uns crackinho, o virtual tá em tudo quanto é plataforma e pra melhorar, no primeiro semestre do presente ano eles estarão no Brasil “
 
Resenha por Quique Brown (Leptospirose)

Laja

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