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Caminhando sob Terras Paralelas!

Ricardo Palombo, fala sobre a origem da Terras Paralelas, full album e mais!
 
Quando e como surgiu a banda ?
 
A banda surgiu em meados de 2015 com o desejo de compor músicas instrumentais. Eu tinha saído de uma banda autoral de rock alternativo e o Rafael de uma banda cover, aí começamos com bateria e guitarra mesmo. Pegamos um material que eu tinha gravado no celular anos atrás como ponto de partida e as músicas foram surgindo nas jams que fazíamos com esses riffs e melodias. O Leonardo entrou 1 ano após esse início, quando algumas músicas já estavam prontas. Foi aí que lapidamos, criamos arranjos e mais sons juntos. 
 
Qual a diferença de ser um powertrio na execução das faixas e na sonoridade da banda ?
 
Acho que é tranquilo. A gente procura não deixar muitos espaços nas músicas, pra não ficar aquele vazio que pode acontecer em trios. Aí na hora de compor sentamos várias vezes pra discutir sobre os rumos do som; pra não soar repetitivo buscamos inserir diversas frases que se conectam com o tema. Mas já pensamos em nos tornar um quarteto, inserindo um teclado ou um saxofone. Talvez isso aconteça no futuro.
 

Vcs passeiam por vários estilos e nuances dentro das canções , qual é mensagem que buscam retratar ?

Sempre quisemos fazer algo fora do padrão que surpreendesse quem estivesse ouvindo. Nosso som busca essa conexão com o ouvinte, busca aflorar seus sentimentos e traze-lo pra essa imersão nas ambiências e mudanças rítmicas que criamos. A mensagem que buscamos passar é antes de tudo positiva. Por mais que o som seja pesado em alguns momentos a ideia é passar uma mensagem de superação de obstáculos e expansão do pensamento. 

 
 
Quem criou a parte gráfica dos materiais ,e qual eram os conceitos criados em cima deles ?
 
A arte massa do gato cósmico e a logo foi a Juliane Gabriel que desenvolveu e a arte do álbum foi o Giovani Gabriel (busquem o flickr dele que tem muita coisa legal). Basicamente nos reunimos um dia e dissemos que queríamos algo que abrangesse nosso universo musical, que tivesse uma interação com os andamentos, atmosferas e títulos das músicas. A arte do álbum foi feita totalmente a mão e tem muitos significados. Entre os dois mundos temos a guerra que consome as vidas e sonhos de tanta gente, tem a poluição industrial, a favela e o palácio, as duas realidades vizinhas; temos refugiados buscando sobrevivência e de tanto fugir da guerra, tornam-se atletas; penso que isso é um olhar positivo diante das barbaridades e tristezas que essas pessoas estão passando; temos um avô e seu neto com um gato e um dog, simbolizando o compartilhamento de afeto e conhecimento; no canto esquerdo tem algumas pessoas e nós da banda sendo vomitadas por um indivíduo fantasmagórico, ali no centro tem 3 indivíduos sem ouvidos, olhos e braços em uma discussão histérica, o que reflete muito o cenário político mundial, onde todos discutem buscando a vitória do seu argumento e não o progresso coletivo; ao lado repressão policial; Temos o trabalho de reflorestamento tão lindo e em contraponto animais selvagens fugindo de seu habitat. Tem protesto; gente se ajudando a sair de um lugar inóspito e triunfando, entre outras imagens. Esse conceito de realidades distintas deu nome ao álbum e influenciou essa arte. Queremos muito que as pessoas que tiverem acesso a esse álbum abra o pôster ou dê um zoom na arte, observe e absorva os detalhes enquanto escutam as músicas.

 

O full álbum foi gravado sob um edital, nos contem mais sobre isso

Sim, isso viabilizou a gravação, a capa e a circulação da banda em 4 cidades do MT junto a um Teatro de Sombras. As apresentações foram gratuitas onde oferecemos o show instrumental, sombras projetadas e uma oficina artística pra jovens atores e estudantes dessas cidades. Essa questão de edital é controversa, porém o edital da cultura estimula o surgimento de novos artistas e agentes culturais; na produção e circulação movimenta a economia com consumos e serviços, o que por si só já deveria impor um olhar menos odioso sobre o assunto. A cultura está enraizada ao processo educacional. Pensamos que a sociedade que proporciona o acesso a cultura: incentiva a criatividade, ensina o respeito quanto as diferenças, traz conhecimento, gera inclusão, enriquece nossa existência. Portanto somos a favor de todo incentivo cultural!

 

E como foi a escolha de repertório do mesmo ?

Apesar de termos 4 anos de banda, nosso processo criativo começou devagar, fazendo experimentos nos ensaios e trocando ideias. Nós três temos outras atividades profissionais prioritárias o que não permite trabalhar frequentemente nas composições. Então foi simples: o material que a gente tinha pronto entrou pro álbum e o que faltava lapidar ficou pra ser lançado no segundo álbum.

Quais os planos pra breve ?
 
Disponibilizar esse nosso primeiro álbum em formato físico com um pôster da arte, produzir alguns clipes e divulgar pra fazer nosso som entrar na vida de mais pessoas. Também pretendemos trabalhar em mais 6 músicas no segundo semestre pra lançar nosso próximo álbum em 2020.
 
Considerações finais
 
Muito grato por ter ouvido nosso material e nos ter dado a oportunidade de divulgação aqui no Rarozine. Sou da época das correspondências por carta pra adquirir material das bandas e uns 20 anos atrás eu quase fiz um zine, sei que esse trampo só se faz com muito amor e dedicação e cara, isso é admirável. Ao público desejamos que escutem nosso álbum e compartilhem com os amigos. Vida longa ao Rarozine! 

Foto principal por @juuliannebg

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