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Sempre reagir : Strong Reaction!

Um dos destaques do cenário Hardcore é o Strong Reaction, batemos um papo com eles, sobre a trajetória do grupo.

Quando decidiram formar a banda?

No final de 2014 e começo de 2015, eu (Guilherme) tinha oito das dez faixas da demo prontas, porém as letras ainda estavam separadas das músicas. Quase um ano depois apresentei o  material a um amigo, Márcio, que foi o primeiro baixista da banda. Ele fez o processo de encaixar letras nos sons junto comigo. Foi ele quem insistiu para a banda vir a rolar de fato, não que eu não planejasse fazê-la existir, mas estava preso à ideia de uma formação inteiramente vegan straight edge não ia acontecer nunca aqui em Americana,. Estava aguardando o “momento certo”, o que hoje já nem sei dizer o que eu entenderia como tal. Ele sugeriu a entrada do Urbano na guitarra, que é o único membro da formação original além de mim, e o primeiro baterista (que viria a substituí-lo no baixo). Ocorreram algumas mudanças na formação antes mesmo de gravarmos a demo. Eu chamei o Claudio para tocar bateria, quem eu conheço a uns 14 anos, desde que ele e meu irmão tiveram a primeira banda juntos lá pra 2004/2005. Essa formação foi a que veio a lançar a demo e tocar os onze shows nesse primeiro ano de atividade. No fim de 2018 chamamos o Adriano para o baixo, que eu e o Claudio conhecemos há dez anos ou mais através de bandas que ele teve aqui em Americana, completando nossa formação atual.

Nos falem um pouco das influências que vcs possuem dentro do hardcore

Pelo fato das músicas estarem prontas antes da primeira formação existir, as influências acabam sendo aquilo que eu escuto, já que todas formações que tivemos possuem gostos bem variados e peculiares. É uma mescla de vertentes do hardcore da primeira metade dos anos 80, principalmente Youth Crew. Eu consigo ver elementos que tirei de bandas da primeira geração do hardcore como Minor Threat, Bad Brains e SSD, porém na época estava na noia de fazer uma banda que soa exatamente como Youth of Today. Senão me parecesse com algo que eles fariam não entraria pra demo. E tenho como regra fazer apenas músicas curtas, que rejeitem a estrutura comercial de introdução, verso, refrão, ponte etc. Tirando uma ou duas exceções, nenhuma base/riff e letra se repete em toda a demo.

O que vcs buscam passar nas letras das faixas?

As letras são um quesito bem individual na banda, já que nelas exponho meu ponto de vista sobre determinados assuntos, alguns dos quais meus companheiros de banda compartilham, e outros não. Elas vão tratar de procrastinação, imposição religiosa, veganismo, ter sua voz silenciada por qualquer tipo de autoridade, críticas a empregos e a aceitação de sistemas hierárquicos, sobre descartar imposições e normas e buscar formar sua ideia do que é correto, justo, etc. Sobre buscar uma mudança real em hábitos adotados no cotidiano, e não em conflitos isolados e únicos. Sobre se manter firme em sua posição quando todos a sua volta e tudo, seu emprego, dinheiro, obrigações tentam te convencer de que nenhum esforço é válido e não recuar ou se diminuir perante um conflito iminente.

Foto por Xinxilah Photos 

Vcs gravaram a “demo 2017” , que tem 10 faixas vigorosas de HC , como foi gravar esse material?

Nós gravamos essa demo três vezes. As duas primeiras semi ao vivo, onde o instrumental era gravado ao vivo e eu colocava a voz por cima, que era o formato usado pelas bandas mencionadas na segunda pergunta como influências, em um estúdio de São Paulo em que as bandas dessa linha vinham gravando, porém o resultado ficou bem distante do aceitável. Na primeira, inclusive, o primeiro baixista quitou da banda um dia antes, e fui eu quem gravou o baixo. Por mais que soubesse as músicas, as velocidades já tinham sido alteradas, e o primeiro baterista não sabia realmente tocar bateria…foi bem ridículo hahaha. Na terceira, gravamos no único estúdio em Americana na época, no mesmo esquema semi ao vivo, porém a proximidade permitiu um resultado melhor, e que julgamos coletivamente ser decente o bastante para expor pra pessoas de fora da banda.

Como foi criado o clipe de Cruel World ?

O clipe foi produzido e idealizado por nosso baterista (Claudio) onde ele tinha essa ideia de nada ser entregue com obviedade, pouca informação ser nítida e nossa identidade ficar pouco definida, que é único formato que eu acredito se encaixar bem para o estilo. Justificando as luzes contra a câmera, os cortes rápidos, etc.

Um dos fatos curiosos da banda é um split só que em videoclipe com o Make It stop , como surgiu essa idéia?

Senão me engano, surgiu em uma conversa entre o Claudio e o Murillo (vocal do Make It Stop). Foi uma ideia rapidamente aceita por todos já que realmente existe uma amizade entre as bandas. a gente vive em um meio que menciona com frequência o surgimento de amizades na “estrada”, porém isso não me parece ser tão frequente, mas nesse caso todos os integrantes de ambas as bandas possuem de fato um vínculo. Eles vieram pra Americana e nós gravamos todos os takes na mesma locação em uma tarde. Novamente gravado pelo Claudio e lançado no canal da sua produtora Last Mosh.

Quais as expectativas pra breve?

Estamos fazendo os últimos shows por um bom tempo agora em junho, com talvez uma possível exceção pra agosto, porque estamos realmente cansados de tocar as mesmas músicas por quase três anos (contando o ano ensaiando com diferentes formações antes da demo ser lançada). Eu estou com oito músicas prontas no momento e algumas letras a mais. Já estou passando cinco delas com o Claudio, e quando finalizarmos todas, gravarei as linhas de guitarra e baixo em vídeo e enviarei para o Urbano e o Adriano. talvez saiam mais músicas, talvez não. Queremos gravá-las e lançá-las ainda esse ano. Acredito que seria legal conseguirmos lançá-las em novembro, exatamente dois anos depois da demo, mas no ritmo que a banda consegue fazer as coisas acontecerem acho improvável. Após o lançamento a atividade da banda não vai mudar muito. Organizaremos nossos shows na região, e tocaremos nos que formos chamados pra fora dela. Queria com o próximo material que conseguíssemos tocar fora do estado de São Paulo pela primeira vez, vamos ver se rola.

Foto por Xinxilah Photos

Considerações finais

Agradeço a você, German, por ser a primeira pessoa que teve interesse em perguntar alguma coisa sobre nós, uma banda pequena, de uma cidade pequena, e disponibilizar essas perguntas pra mais pessoas que podem ter ou não qualquer tipo de interesse ou curiosidade na mesma, através do seu zine. Peço desculpa se as respostas ficaram muito logas, e que venham mais entrevistas com bandas na mesma situação que a nossa no Rarozine e que mais zines surjam com a mesma proposta!

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