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Três décadas no anonimato : Bigtrep!

30 Anos de Anonimato

A banda A Grande Trepada, ou para os castos Bigtrep (intraduzível), iniciou suas atividades no Rio de Janeiro em 1986. Pioneiros do gênero Psychobilly – estilo que mistura o rock clássico dos anos 50 com o punk rock dos anos 70 – no Brasil, o grupo nasceu de um núcleo familiar, com os irmãos Leonardo e Maurício Garcia, acompanhados pelo primo Eduardo: três jovens entre os 16 e 21 anos, loucos por todos os gêneros de rock.

Era uma época muito diferente da de hoje, o acesso aos discos de vinil era limitado, sobretudo aos lançamentos britânicos e americanos. Mas já na sua fundação, A Grande Trepada tinha uma vasta bagagem musical, que ia desde as origens do Rock ‘n’ Roll – Elvis, Carl Perkins, Jack Earls; passando pelos anos 60 – The Beatles, The Who, The Sonics, Jovem Guarda; Punk Rock – Sex Pistols, The Clash, 999, Eddie And The Hot Rods; até chegar ao Psychobilly – The Cramps, Restless, Guana Batz. E quem apresentou o Psychobilly para os integrantes da Grande Trepada foi Luís “Skunk”, que durante o ano de 1986 fez parte da banda, e para quem não sabe “Skunk” foi um dos fundadores do Planet Hemp.

Histórias quase anônimas como essa, entre muitas outras, estão presentes no recente documentário 30 Anos de Anonimato, dirigido por Felipe David Rodrigues, cuja estreia acontecerá no In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical 2019, no próximo dia 13/06 no Centro Cultural São Paulo, com reprise no dia 19/06, na Matilha Cultural.

Apesar de ser um documentário sobre uma banda de Psychobilly no Brasil, contemplando outros fundamentais precursores nacionais no estilo, como os grupos S.A.R. e Kães Vadius, 30 Anos de Anonimato é uma celebração ao rock underground de uma forma abrangente, pois enfoca no amor – e também na obsessão – pela música, produzida sem fazer concessão aos modismos e aos formatos comerciais que surgiram nas últimas 30 décadas. De todos os grupos psychos que surgiram no mesmo período ou um pouco depois, A Grande Trepada é o único que resiste.

A partir de uma transmissão do programa de rádio Três Acordes, da extinta Fluminense FM, no qual Maurício e Eduardo foram DJs e produtores, a trajetória da Grande Trepada é contada – de forma não convencional – através de depoimentos de todos os integrantes banda, além de jornalistas, familiares e amigos que fizeram ou fazem parte do universo do grupo. Universo esse composto de Sexo… Sexo e Rock ‘n’ Roll; onde pinups tatuadas convivem com lobisomens adolescentes e surfistas vampiros, onde filmes de terror classe B são projetados sobre as areias de Copacabana numa noite de verão.

Com dinamismo e bom-humor, munido de um vasto material de arquivo, conservado pela própria banda ao longo dos anos, o documentário realiza um inventário dos principais acontecimentos biográficos desse grupo inadequado aos tristes trópicos: a censura do nome A Grande Trepada pelos jornais, motivo que levou a banda a se chamar Bigtrep; o sucesso no meio alternativo – a música Surf Drácula, o primeiro “sucesso”, foi a 5a mais tocada na Fluminense FM; o diálogo e a reverência estética com ícones da contracultura brasileira como Eddy Teddy e Zé do Caixão; a exposição midiática com a chegada da MTV Brasil; as mudanças traumáticas de integrantes nos meados dos anos 90; o crescimento e a difusão do gênero psychobilly no Brasil e no mundo através  do advento da internet; e acima de tudo… um filme sobre a resistência de uma banda que nunca deixou de fazer o que gosta mesmo com toda a aspereza e adversidades da vida, pois a música é seu posicionamento diante do mundo.

Sendo o ser ou não ser a questão, o anonimato combina o prazer da vilania com a virtude da discrição: 30 Anos de Anonimato é a história da Grande Trepada e de tantos outros milhares de artistas espalhados pelo mundo.

Título: 30 Anos de Anonimato

Sinopse:

Em 1986, a banda carioca A Grande Trepada, ou pros castos Bigtrep, iniciou suas atividades. Fundada pelos irmãos Maurício e Leonardo Garcia, ao lado do primo Eduardo, o grupo é um dos pioneiros do gênero psychobilly no Brasil. Atravessando os 30 anos de um dos conjuntos mais criativos e radicais do país, o documentário é uma celebração à resistência do rock underground.

Ano de produção: 2019

Duração: 100 min.

Produção: Maria Gorda Filmes

Direção: Felipe David Rodrigues

Contato: mariagordafilmes@gmail.com

 

Sessões:

In-Edit Brasil 2019

– 13 de junho de 2019, às 16h, no Centro Cultural São Paulo

– 19 de junho de 2019, às 18h, no Matilha Cultural

Maiores informações:

http://br.in-edit.org/

https://www.facebook.com/events/2082011958762323

 

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