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Black Noia : o outro lado do stoner!

Black Noia, residentes de Assis , falam da sua primeira demo, inclusão de percussão na sonoridade e mais.

Como se fundou o Black Noia? E porque do nome?

No ano de 2016 na UNESP FCL de Assis, durante a greve, estávamos na ocupação dentro da universidade, eu (Caetano) e o Roma, fazíamos o almoço coletivo da greve, descascavamos mandioca e notei que o Roma usava uma camiseta do Black Flag, eu tinha 17 anos (era meu primeiro ano da faculdade), por causa da camiseta acabei puxando assunto com ele até que conversa vem e conversa vai ele disse que tocava bateria e eu guitarra. Nos demos muito bem em questões musicais, e começamos a pensar em tocar juntos, até que nos juntamos e fizemos a primeira música.

Já o Bruno, nos conhecemos desde que cheguei em Assis e sempre tivemos afinidade musical, convidei ele para tocar baixo e arranjamos um. Acabou que nós três tínhamos a mesma vontade de fazer um som em Assis e nos juntamos sem grandes intenções.

Sobre o nome, queríamos fazer uma banda num estilo doom e stoner que cantasse em português para fugir um pouco do que estamos acostumados a ver por aqui. Muitas bandas no Brasil de stoner cantam em inglês, tem essa pegada mais de ocultismo, e um imaginário eurocêntrico, por isso, tentamos fazer esse estilo de música mas procuramos atingir uma identidade brasileira dentro desse movimento.

O nome surgiu para ser uma sátira crítica por ter elemento gringo (Black Sabbath) e brasileiro. O noia, veio por ser uma gíria e uma palavra que escutávamos com frequência pelo nosso dia a dia e estilo de vida.

Hoje, no entanto, pensamos o nome por um viés diferente, depois de muitas problematizações e amadurecimento político, concordamos que black noia vinha como um termo pejorativo frente a realidade que temos no Brasil, tanto na questão social quanto política, dos usuários de drogas e a miséria que a maioria da população é jogada, especialmente pretos e pobres. Frente a isso, decidimos manter o nome como uma afirmação do nosso pensamento político que visa denunciar a situação do cidadãos marginalizados do nosso país, nossas letras falam sobre: drogadição, política de redução de danos, críticas sociais, o cotidiano dos usuários e entre outros assuntos.

Contem sobre esse fato de tocar junto com Marte lá de Curitiba?

Essa foi a nossa primeira apresentação ao vivo. Um amigo nosso, o Guilherme Lucato daqui de Assis, mais conhecido como Magrão, tem contato com a Marte e já estava com a intenção de trazer a banda para tocar em Assis, então assistiu alguns dos nossos ensaios que fazíamos num bar, o El Gato Negro, e nos convidou para abrir o show deles. Quando nos chamou a gente só tinha uma música e meia pronta, daí em uma semana fizemos três músicas para tocar no show com eles. Foi muito bom poder estrear ao lado deles, e conhecê-los, ainda mantemos contato mesmo depois que a banda acabou.

Foto por Rafaela Hamada

Quem é responsável pela capa da demo?

O Rômulo ou Chifres, da banda Marte.

Nos falem sobre essas faixas gravadas?

Por causa da Marte, eles nos apresentaram o Jonathan que tinha um estúdio em Presidente Prudente, Caverna, e lá fazia gravação e um vlog que ainda está no youtube, Caverna Sessions. Resolvemos gravar com ele, e lá criamos uma boa amizade pela afinidade de gostos musicais o que resultou na nossa turnê no Paraná junto com a banda dele, Suicide Shower.

Foto por Rafaela Hamada

Como foi que surgiu a percussão pro som?

O El Joe (Bruno), ele faz pós-graduação na universidade, e foi em alguns dos nossos shows e sempre gostou muito do som que fazíamos, pensava em juntar um som mais pesado com percussão, sempre foi uma vontade dele, mas nunca tinha encontrado uma banda aqui que combinasse com esse estilo. Nós três também pensávamos nisso, pela vontade de colocar mais elementos brasileiros na música. Em um show da Vamo Vovó no bar da faculdade, o Extensão, o Roma e o Joe acabaram conversando sobre o assunto, o que resultou na vontade mútua de todos os integrantes de renovar e explorar mais nossa musicalidade.

O que acrescentou a percussão pra personalidade da banda?

Desde o início tínhamos a preocupação em criar uma estética original da banda, por isso os dois baixos distorcidos. A percussão entrou para reforçar a brasilidade do som, trabalhamos com uma estética pesada afro-macumbistica, também abrimos os horizontes com a percussão para utilizar os sintetizadores. Sendo assim, a percussão abriu as portas para explorarmos cada vez mais nossas ideias musicais e conseguir atingir uma psicodelia que converse com a vontade de fazer um stoner com identidade brasileira.

Como está Assis para música autoral atualmente?

Apesar de ser um cidade pequena no interior paulista, sempre houve uma cena autoral, mas atualmente nesses dois últimos dois anos temos visto cada vez mais bandas com essa iniciativa começar. Também acreditamos que por ser uma faculdade de humanas aqui a vontade de fazer arte sempre foi presente e proporciona novos projetos de diversos gêneros, aqui tem a cena do rap, mpb, ska, punk, forró ,entre outras, mas também a cidade por si só nos anos 80 e 90 era um polo artístico. Em comparação com outras cidades do interior Assis possui um incentivo a cultura acessível, aqui temos diversos projetos artísticos autorais, como a dança, o ballet,o  circo. Acreditamos que a cidade é favorável para novos projetos de diversos gêneros, com suas dificuldades políticas, mas existe público para todos os estilos.

Vcs tem planos de gravar algo inédito?

Sim, no começo de Agosto vamos para um estúdio em Presidente Prudente numa chácara para gravar um álbum com o Jonathan que era do estúdio Caverna, mas agora a gravação será de forma independente. Nesse novo álbum vamos regravar algumas músicas da demo mas com a nova estética com percussão e sintetizador, e outras cinco músicas inéditas.

Foto por Rafaela Hamada

O que pretendem pra breve?

Fazer uma turnê no fim de Junho em Curitiba, Ponta Grossa e Londrina. Em Agosto vamos gravar o álbum, por enquanto é o que temos para este ano.

Considerações finais

Agradecer aos amigos que ajudaram a gente nessa caminhada. E redação final da nossa jornalista e historiadora Maria Luiza Freire.

Foto principal por Diego Max

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