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Bocarra não se cala!

Uma banda que atravessou duas décadas e que segue firme na luta e no caos paulistano, Bocarra nos conta sobre essa história e do novo single lançado.
 
Nos falem dessa amizade de mais de 20 anos que culminou com o nascimento da banda.
 
Fernando: O JV e eu nos conhecemos em 1996, quando estávamos na 4ª série e estudamos juntos durante todo o ensino fundamental. Ali com 9/10 anos, começando a formar uma pré identidade pessoal e musical, nós começamos a conhecer muita coisa. Lembro de vários momentos, nos intervalos das aulas, que ficávamos curtindo som, cantando e,, foi nessas, que bandas como Ramones, Green Day e Bad Religion chegaram pra gente e abriram a porta pra um mundo que nos influenciaria dali pra frente. 
 
JV: O interessante é que cada um seguiu um rumo musical, mas nunca perdemos o contato. Cada um circulava por uma cena, mas sempre rolou uma amizade, mesmo não estando juntos. E, o engraçado, é que quando nós resolvemos nos juntar e fazer uma banda, nós acabamos nos juntando ao Bito, que é sobrinho/afilhado de uma das nossas professoras da época de escola. Além do André, que é irmão caçula de um grande amigo do Fernando. Ou seja, de certa forma, a história ali de 1996 teve ecos na nossa de várias formas distintas.
 
Porque Bocarra?
 
Bocarra: Essa também tem a ver com a nossa época de escola. Na verdade, pensamos em vários nomes que ficariam ótimos em outras bandas, alguns nomes com palavras q não existem. Aí, um dia o Fernando estava pensando sobre algo q tivesse a ver com a história dele com o JV e lembrou de um episódio, quando uma professora separou os dois enquanto conversavam no meio da aula e, mesmo separados, o JV continuava falando. Nesse momento, a professora virou e gritou a frase “João Vitor, cala essa bocarra”. Essa frase foi essencial, porque o Fernando apresentou o nome, lembrou da história e falou que ninguém nunca mais nos mandaria calar a Bocarra. A Bocarra não vai se calar!
 
 
Vcs são velhos conhecidos da cena paulistana ,ainda possuem projetos paralelos?
 
André: Além da Bocarra, eu toco bateria com a Spidrax e com a The Gap Year.
 
Bito: Eu saí recentemente da Forest Crows, mas tenho projetos independentes, inclusive um com o JV, mas que não necessariamente são para apresentações e shows.
 
JV: Além da Bocarra, tenho algumas coisas pessoais e esses trabalhos com o Bito, mas coisa de fazer apresentações, gravar e tal é só com a Bocarra mesmo.
 
Fernando: Eu estou apenas na Bocarra.
 
Quando iniciaram o grupo ,qual era o principal foco musical?
 
Bito: Acho que o principal foco ali no começo era os quatro se conhecerem musicalmente. Porque nós não conhecíamos a fundo musicalmente, sabíamos mais ou menos de onde cada um vinha, mas organizar aquelas informações era outra coisa.
 
JV: Quando o Bito entrou na banda ele se tornou um catalisador de todas as influências que nós tínhamos. Em 2016, quando falei com o Fernando para montarmos uma banda, falei de fazermos algo inspirado em Social Distortion, mas ele estava com outras ideias. Quando nos encontramos ele mostrou um som que eu nem imaginava que ele estava pensando em fazer. Nisso, chamamos o André, que tinha uma pegada no começo e, com a chegada do Bito e a organização das ideias, também cresceu muito musicalmente. O Bito foi tipo aquele meio campista clássico, tipo um Zidane, que a bola vem toda torta, ele mata no peito, bota no chão e organiza uma jogada sensacional. E foi assim, semana a semana, fomos lapidando e nos descobrindo musicalmente.
 
Fernando: Era entender como quatro influências que, mesmo próximas, estavam distantes iriam congruir numa única coisa.
 
O que foi fonte de inspiração pra sonoridade da banda?
 
Bito: Em relação a bandas é difícil explicar, cada música é uma vibe muito diferente, mas referência é mais fácil, nós tentamos representar o som urbano, o cotidiano da cidade.
 
Fernando: A maior inspiração, é a vida na metrópole. O que a gente vive em São Paulo. Praticamente todas nossas letras têm como inspiração a vida urbana, de alguma forma ela está dentro de todas as letras, mesmo as que não estão falando diretamente da cidade. 
 
Ruas de noite retrata bem a vanguarda , a juventude , falem mais sobre esse trabalho.
 
Bocarra: Vanguarda é uma palavra muito complexa. Acho que nós não estamos fazendo nada de novo, quebrando paradigmas. Nós estamos fazendo uma coisa que nós acreditamos, do nosso jeito, porque isso faz bem pra gente, mas acho que a vanguarda não somos nós que temos que falar o que é ou não. Já a juventude está aí. Apesar de nós não sermos mais tão jovens, acho que todo esse ambiente de vida nas ruas, a noite, as relações com a cidade, as quebras com padrões e, até mesmo, o vigor do som tem a juventude implícita. 
 
Também desse trabalho vcs fizeram 2 videoclipes ,como foram criados e por quem?
 
André: Eles foram criados completamente no esquema faça você mesmo.
 
Fernando: Nós tivemos ideias que se ligavam com a história das músicas e fizemos tudo por conta própria. Nós não tínhamos grana pra investir e fazer algo mais profissional e utilizamos coisas nossas, o nosso conhecimento de vídeo, o André trabalha com edição, eu também sei um pouco, e fizemos tudo juntos. Claro, que uma produção sem investimento de dinheiro tem chances de não dar tão certo, mas, no geral, conseguimos bons resultados com as poucas condições. Além de aprender bastante sobre o que funciona e o que não.
 
 
 
Cidade futurista novo single , falem dele e da participação do integrante do Molodoys.
 
JV: Cidade Futurista é uma canção que nasceu de um poema meu, inspirado no clipe da música “Futuros Amantes”, do Chico Buarque. Eu escrevi sobre uma sociedade que cada vez mais se enrosca em teias cada vez mais sem sentido, que a gente vai tentando se rearranjar e, de repente, foda-se os “ismos”, eu pensei em escrever sobre uma utopia, onde nós nos livrássemos dessas coisas. E o legal é que eu nunca tinha conseguido musicar ela e nem pensava nisso. Quando nós estávamos fechando o primeiro EP, fomos pra uma chácara terminar de trabalhar nas cinco músicas e, já no fim do dia, falei desse poema enquanto a gente fumava um cigarro. Nisso, o Bito pegou um violão e em meia hora nós tínhamos composto a música.
 
Bito: Depois de fazermos tudo e entender esse contexto, pensamos em colocar uns teclados no fim, uns efeitos mais analógicos de piração e o Vitor encaixou perfeitamente nisso. Ele é super criativo, tanto na Molodoys, quanto em tudo o que ele faz. Nós trampamos com ele essas ideias futuristas, que também casou bem com a ideia do lyric video feito pelo Fê e pelo André.
 
 
Vcs pensam em elaborar mais canções pra um possível EP ou álbum?
 
Bocarra: Sim, no momento estamos trabalhando em músicas novas. Já temos quatro sons prontos, com arranjos e tudo já no esquema. Ainda vamos fechar, pelo menos, mais duas e começar a pré-produção de um próximo trabalho.
 
O que planejam pra breve?
 
Bocarra: Queremos continuar tocando bastante, trabalhando nos sons, gravar algo novo para este ano ainda e fazer shows, pelo menos um por mês é nossa meta.
 
Considerações finais
 
Bocarra: Queremos agradecer a oportunidade que vocês do Raro Zine estão dando aqui pra gente falar um pouco sobre nosso trabalho e dizer para que todos fiquem ligados, aguardem, porque a Bocarra não se calará!

 

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