0

Destruindo rejeições : Untraps!

Untraps , novo duo criado por Nelsinho e Geise, falam do seu ep “Mútua”, influências e mais!

Nelsinho e Geise, vcs sempre foram e são muito ativos na cena local, passando por vários projetos e bandas, qual foi o estopim para montar o Untraps?

Nelsinho: Em 2015 quando eu e a Geise decidimos que era hora de dar uma parada com a NERVO, imediatamente montamos uma banda de punk rock com outras pessoas. Nós estávamos fazendo hardcore desde de final dos anos 90″ e queriamos dar uma mudada. Nessa banda eu cantava a Geise tocava guitarra e nossa amiga Aline no baixo, essa banda durou um ano somente ensaiando, compondo e acabou.
Ai, como a gente tava cansado de ter passado por tantas mudanças de formação de banda (NERVO teve 12 bateristas), decidimos tomar outro rumo.

Geise: Nós tivemos que nos reinventar, Nelsinho que nunca tinha tocado um instrumento em banda, foi para bateria e ainda esta aprendendo. Eu que nunca tinha cantado, aprendi a cantar tocando guitarra ao mesmo tempo. Nesses 2 anos de duo, a gente viaja com um monte de coisa no carro, boa parte da batera, amplificador… E esta sendo uma coisa bem legal, pensando em logística e disponibilidade, pois no passado era terrível conciliar a agenda e espaço para 6 pessoas na NERVO.

Foto por Henrique N Fotografia

Onde vcs buscaram inspiração pra montar a banda? porque um duo?

Nelsinho: Bom, a inspiração foi notar que o punk tinha nos tomado quase que por completo. Duas décadas dedicadas a essa comunidade nos fez planejar toda nossa vida em prol a construir com mais coisas dentro do punk, seja abdicar de sucesso profissional, seja abrir mão de ter filhos, a maneira com que nos alimentamos, a maneira com que nos relacionamos com as pessoas e com os animais, a maneira que enxergamos o dinheiro, o lugar onde moramos e por ai vai.

Geise: Complementando a resposta do Nelsinho, em todo esse tempo, ainda não tínhamos encontrado outras pessoas que estivessem dispostas a esta entrega e a fazer as mesmas coisas, principalmente como banda, o que nos fez decidir tocar como duo.

A cena de Portland (USA) e Malmo/Umea (Suécia) são referências imediatas?

Nelsinho: Sim. Por exemplo em Portland: Red Dons, The Estranged e Arctic Flowers
Suécia (Malmo/Umea): Masshysteri, Terrible Feelings e The Vicious
Por ser um Duo acredito que gente soa muito diferente disso.

Geise: Eu adoro e ouço muita banda com vocal feminino e mesmo não conseguindo chegar aos pés dessas vocalistas rsrs, elas também me influênciam, como por exemplo Sleater-Kinney…

Foto por Lalá Rodrigues 

Vcs são sxe veganos, isso inclui temas dessa cultura? a questão política também entra em contexto nas composições?

Nelsinho: Sim o veganismo é o nosso maior engajamento no momento, nós temos uma Cooperativa Vegana em Peruibe, a Vaquinha Feliz Cooperativa Vegana. Também fazemos parte da cozinha no No gods No masters Fest e ja organizamos Verduradas na nossa ex cidade. E naturalmente sempre tivemos vontade de abordar esse tema na nossa antiga banda, mas só tivemos uma formação Vegan Straigh Edge nos dois últimos anos da banda ou seja, não tinha como falar de veganismo e Straigh Edge sendo coerente antes. Agora sim e já temos musicas em processo de composição que falam sobre o Veganismo.

Geise: E o contexto das composições é totalmente politico, falamos principalmente sobre luta anticapitalista, a vida engolida pelo cinza/cidade, autonomia (pricipalmente das mulheres) e com isso pretendemos inspirar muita resistência e empoderamento.
Sobre Straigh Edge, não sentimos mais tanta necessidade de falar nas musicas sobre isso, não que seja menos importante nas nossas vidas, mas porque cada vez mais o enxergamos como uma escolha política pessoal dentro do punk e que queremos transmitir ele assim.

Nos falem de como surgiu Mútua, o primeiro EP e de seu conceito musical.

Nelsinho: Bom em 2017 a Carol Doro e Marianne Crestani foram facilitadoras de uma atividade do NGNMFest que era sobre montagem de palco do qual eu participei como aluno e gostei muito da forma que elas conduziam a parada com tanta leveza, ai surgiu a idéia da gente produzir o primeiro EP com a Carol Doro. Ela tinha amizade com o Luis Tissot do Caffeine Sound Studio, então rolou de gravar lá. Foi super massa, gravamos em 9 horas 3 sons. Eu estava com muita insegurança na bateria e ja tinha experiência de ter gravado vocal em uns 6 estudios diferentes e sempre achei que a galera dos estudios tratam as bandas que ensaiam em quartinhos garagens com a mesma abordagem de profissional do mainstream e isso pra quem está engatinhando no instrumento como nós é assustador.

Geise: O Ep “Mútua” é nossa primeira gravação e é literalmente um primeiro filhinho nosso, tanto que esse nome vem da nossa paixão mútua por tocar e por estar a tanto tempo fazendo as coisas juntos. As letras são pessoais minhas, um desabafo de quinze anos de sentimentos guardados. Como eu nunca tinha escrito e cantado antes, decidimos que nossas primeiras letras tinham que ser sobre mim, para que eu pudesse escrever e cantar com mais sentimento e conseguisse me soltar.
A Carol Doro também cuidou da mixagem, com a ajuda do Luis Tissot. ela também aceitou todas as nossas opiniões, sempre nos explicando o que precisava fazer. Também tivemos uma super “consultoria” amiga do Josi Ramos em vários detalhes. E a masterização foi feita pelo Alemão Pompeu, um amigo que também sempre nos ajudou na nossa antiga banda.
A capa do Ep foi desenhada e pintada a mão pelo nosso amigo Marcio Pereira, ele reproduziu uma foto do nosso cachorro Ikky e depois eu encaixei a arte dele numa capa. Tentamos outras artes antes, mas como eu sempre quis que tivessse um animal na capa, surgiu a idéia de usar um dos nossos dogs. E a gente amou o resultado.

Foto por Snapic Fotografias por Victor Balde 

Além do EP, já existem novas canções sendo elaboradas?

Nelsinho: Sim estamos lapidando 4 sons novos para gravar o mais breve possível já estamos tocando elas nos shows testando pra sentir melhor antes de gravar. As novas letras falam sobre temas mais globais que no primeiro EP, falam sobre o Mal-estar por nossa obsessão a tecnologia capitalista, Trabalho, Solidão, Consumo.

Geise: estamos sim trabalhando em musicas novas, porém não muitas. Esta banda é super nova, mas nós já não somos tão novos assim rsrs então por experiência, queremos trabalhar e pensar nas musicas o máximo possível dentro dos nossos limites.

Foto por Luiz C. Silva 

O que planejam pra breve?

Nelsinho: Gravar esses sons novos, viajar bastante e tocar em outros estados/países. Já temos algumas coisas meio engatilhadas pra final do ano se tudo correr bem.
A gente ama essa comunidade mundial (punk) formada por amigxs e não vamos parar enquanto nossa saúde permitir estaremos ai buscando inspirar e sermos inspirados por muita gente foda que a gente conhece e vai conhecer ainda dentro do punk.

Considerações finais

Nelson: Primeiramente, Fora Bolsonazi! Gostaríamos de agradecer ao Rarozine pelo espaço e por sempre estar fortalecendo.
Acabamos de completar 2 anos de existencia e tem sido uma jornada bem legal tocamos em Mogi Mirim, Piracicaba, Votorantim, Peruíbe, São Paulo, São José dos Campos, Praia Grande fizemos muitas amizades as amizades que ja tinhamos nos fortalecem de uma forma que sentimos muito abraçados e sinto que todxs precisam um pouco disso nesses momentos sombrios. E é na contra mão disto tudo que vamos nos organizar e fortalescer as almas rebeldes que se interessarem.

Geise: Fora Bozo! Muita força para todxs nós que estamos resistindos. Vamos cuidar de nós mesmos e das pessoas queridas que nos cercam, porque só querem nos destruir. Obrigada Rarozine pelo espaço.

Foto principal Untraps 

Facebook

http://www.doityourcast.com/do-it-yourcast-56-com-geise-e-nelson-untraps-hardcore-choice/

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *