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A armadilha sonora do Thee Dirty Rats!

Luis Tissot e Fernando Hitman, falam conosco sobre os splits, discografia e turnê pela europa.

Além do som minimalista ,vcs buscam também uma estética do branco e preto , como decidiram optar por essa identidade?

Acho que o preto e branco veio para acompanhar o som minimalista. A ideia sempre foi colocar na banda somente o necessário, todos os excessos são cortados. A gente faz o nosso som assim e a estética acaba acompanhando isso.

Uma das curiosidades da banda , é a utilização dos instrumentos como a batera com poucas peças e as 3 cordas do cigar box elaborado por vcs mesmos , comentem

A gente testou vários sons de guitarra e até baixo antes de optar por construir nossa guitarra. Acho que o processo de cortar os excessos começou com os instrumentos mesmo. Tudo que está lá tem um motivo. A ideia foi sempre manter simples.

 

 

Como foi o processo de gravação do primeiro registro EP ?e como almejavam soar ?

O primeiro disco foi produzido pelo Jonas Morbach (BlackNeedles) e foi gravado todo ao vivo na fita cassete no Caffeine Sound Studio. A gente já tinha uma boa ideia de como pretendíamos soar, já tínhamos testamos bastante o som e gravado algumas demos. Como o disco foi todo ao vivo até o vocal, o que deu mais trabalho foi preparar o som da sala. O Jonas é um cara perfeccionista e fez o trampo com muito profissionalismo, gostamos muito do resultado.

Vcs possuem alguns registros audiovisuais , nos falem deles

Temos um clipe da musica Brain Worm que a gente fez em casa com minhocas de pelúcia e miniaturas dos nossos instrumentos. Também tem três shows no 74Club gravados na íntegra pelo Clóvis (Stage Struck Clóvis).

 

 

A banda já possui splits com o Sarcófago Blues Duo e Wi Fi kills , como foram feitos esses registros?

O split com o Sarcofagos Blues Duo foi feito com duas músicas que a gente gravou pro primeiro EP gravado pelo Jonas. Foi lançado pela Scrap Metal Dealer, que é um selo argentino só de cassete do Mathias (Trash Colapso).

Já com o Wi-fi Kills foram dois sons que a gente gravou na França a convite do Jim Diamond (The dirtbombs). Gravamos em um dia no Le subsonic studio em Montpelier com a produção do Jim e assistência do Marc Hacquet (Sonic Angels).

 

O que mudou na perspectiva de vcs do Fine Art pro Perfect Tragedy?

Acho que a perspectiva não mudou muito. O que a gente tinha era amadurecido a ideia da banda e as músicas saíram bem tocadas sabe? As vezes vc entra no estúdio e não consegue soar exatamente como queria, isso levando em conta todas as etapas de performance até a masterização. E no Perfect Tragedy deu tudo muito certo. Conseguimos criar o clima que queríamos para o disco. Pra mim ele funciona bem até hoje com um começo, meio e fim.

 

2016 vcs tocaram no Rz fest ,o que se lembram?

Eu só lembro que foi em 2015 e não em 2016. (risos)

Foto por @muitasfitas

Como foi essa passagem pela Europa?

Foi bom, na Europa é bem mais fácil fazer tour do que aqui, o difícil é chegar lá. (rs)

Fizemos 20 shows em 7 países (Holanda, França, Itália, Alemanha, Suiça e Hungria) junto com a Bloody Mary Una Chica Band. Foi doido, andamos de carro pra caralho, vendemos disco pra caramba e voltamos morto de cansaço com um sorriso no rosto.

Nos contem de como foi encontrar e gravar com Jim Diamond (produtor The Sonics/The White Stripes)?

Foi doido, a gente não sabe como ele achou a gente mas ele achou. Um dia a gente recebeu uma mensagem dele perguntando se a gente passaria pela França durante a tour. A gente até ia, só que 15 dias antes do dia que ele estava livre pra gravar. O que nos levou a atravessar a Europa no meio da tour. De Budapeste pra Montpellier são 1.600 km, mas não dava pra perder a oportunidade né? Bom o Jim Diamond é uma cara gente finíssima e o Marc que ajudou na gravação também foi super firmeza. Eles até ofereceram o estúdio pra gente passar a noite mas a gente acabou descolando um lugar pra ficar. A gravação rolou super bem, a gente tava bem afiado pois tava tocando há quase um mês, quase todo dia e o resultado foi muito bom, é um Dirty Rats um pouco diferente do que a gente costuma fazer, dá pra ver bem o som garage de Detroit impresso nas músicas. Uma coisa curiosa foi que a gente testou uns 10 amplificadores de guitarra dos mais fodas e valvulados e caros que tinha no Les Subsonic (estudio do Marc), mas nenhum soou do jeito que agente imaginava, o único que ficou legal foi um Peavey super simples de 25 euros que a gente comprou na Bélgica para fazer a tour e o som da cigar box ficou perfeito.

Como foi elaborar o Trap and Mass Confusion  ?e assinar com a Mandinga Records o lançamento?

O Traps and Mass Confusion era o próximo passo a ser dado. Em 2015 a gente já tava tocando direto e decidimos que era hora de lançar um 7″ e fazer uma tour na Europa. A ideia era prensar o disco em algum lugar da Europa e ir buscar antes de começar a tour. Então, conversamos com o Pedro da Mandinga que curtiu a ideia e se interessou em lançar.

Gravamos o disco em 2 dias em janeiro de 2016 e 4 meses depois fomos buscar. O disco tem esse nome muito pela época que ele foi lançado. O mundo já estava nessa nóia maluca de fervor e ódio e 2016 foi um ano fatídico.

Nos falem do processo do novo disco , será um Full álbum? EP?

Será um LP entitulado “Humans Out” e terá 14 músicas todas inéditas. Esse disco começou a ser gravado por nós mesmos em meados de 2018 mas por um descuido apagamos a fita master perdemos tudo. Acho que já tínhamos gravado metade do disco. Isso deu uma desanimada e a gente ficou meio que enrolando pra recomeçar a gravar. Mas como dizem: há males que vem pra bem, em outubro do mesmo ano o Nick Smith, que é guitarra do Vermes do Limbo e dono de um estúdio excelente de trilha sonora para cinema, foi num show nosso, curtiu o som e se interessou e gravar a gente. Depois disso a gente começou a conversar e mostramos pra ele umas demos das musicas. A gente viu que ele tinha ótimas ideias pra banda e claro ele tinha sacado nosso som direitinho então combinamos nossas agendas e começamos a gravar em janeiro de 2019. As músicas foram gravadas no rolo, semi ao vivo, em 4 dias, com a assistência do Guilherme Pacola (batera do Vermes do Limbo). Agora estamos terminando a mixagem e procurando selos pra lançar o disco. A temática continua sendo a mesma de sempre do Dirty Rats: a falência dos humanos como sociedade. Acredito que o disco saia esse ano ainda. 

 

Foto por @tripmusicaeartes

Quais os próximos objetivos ? 

Bom, a gente quer lançar o disco e fazer tour na America do Sul e se possível na Europa com o LP em mãos.

Além disso a gente vai participar de uma coletânea em homenagem ao Subsonics com a curadoria do Pedro da Mandinga e o do próprio Clay Reed do Subsonics que sai em vinil 7’’ ainda esse ano.

Considerações finais

Obrigado pelo espaço German, continue escrevendo, produzindo e passando conhecimento. O mundo precisa de música

Foto principal por PHMR

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