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A sutileza ácida : Carne Doce!

Do impactante “Tônus”, e não tão menos importantes os álbuns anteriores, Carne Doce é hoje um dos grandes nomes da música no país, falamos com Salma Jô , sobre toda essa produção do grupo, shows, videoclipes e mais!
 
Do mais recente álbum tônus ao EP dos Namorados , onde podemos achar uma conexão na discografia da banda?
 
Acho que no instrumental sempre demonstramos uma pegada rock muito forte e isso ainda persiste, mesmo sendo uma banda que flerta com MPB e outros estilos mais suaves ou dançantes. As canções também sempre tiveram um estilo de visceralidade, dedo na ferida, e honestidade, de mágoas e ressentimentos inconfessáveis, isso sempre me atraiu.
 
No “Tônus” onde vcs buscaram inspiração pra criar o álbum? Como foi criado o conceito da arte do álbum?
 
Não buscamos um conceito, simplesmente precisávamos compor um novo álbum e nos concentramos em compor. Depois que você tem as canções reunidas é que você começa a enxergar ali um tema recorrente, algo novo que se repetiu e que talvez reflita esse momento da banda, daí vimos que a resiliência, a luta entre frustração, rejeição e superação, era o que mais aparecia nas letras. Para criar a arte geralmente eu fico atenta a tudo o que vejo e que acho que pode combinar com esse novo conceito que está se desenhando. Um dia no Instagram vi uma garota que usou a meia arrastão branca na luz negra e achei intuitivamente que aquele efeito combinava com o disco, Mac e eu fizemos um ensaio inspirados nisso e deu muito certo. É tudo muito orgânico, quando as referências se encaixam é que percebemos os sentidos, os sentimentos que nos levaram a elas, daí a capa, a meu ver, passou a refletir esse desfiar-se e costurar-se e amarrar-se e desconstruir-se e reconstruir-se de linhas, amarras, traços, que é muito nosso e que é muito do Tônus também.
 
     
Foto por Marta Ayora
 
As performances da banda são sempre indescritíveis , de uma entrega absurda dos integrantes nesse espaço , como é pra vcs estarem lá no palco?
 
Levamos os shows muito a sério, queremos entregar sempre um espetáculo, dar o nosso melhor. Para mim o palco é um misto de muito poder e muita entrega, de vulnerabilidade e força, é contraditório, sempre digo que é onde me sinto melhor, onde me perdoo, me aceito e mais gosto de mim, as inseguranças todas ainda estão ali, mas parece que até elas são positivas, tornam tudo mais verdadeiro.
 
Nesse decorrer de tempo ,vcs tocaram por inúmeros festivais, quais vcs destacariam ou sentem vontade de se apresentar em breve?
 
Destacaria o Popload e o Lolla pela magnitude, gostamos muito também do Queremos, do DoSol, do Guaiamun Treloso, do Psicodália… Do SeRasgum que possibilitou tocarmos em Belém pela primeira vez, uma cidade que eu queria conhecer há muito tempo. Gostaríamos de tocar em qualquer festival novamente.
 
Foto por Marta Ayora
 
Desde 2014 ,vcs figuram na lista de melhores discos desde a estréia , como vcs vêem a crítica mediante o trabalho criado?
 
Acho que que a crítica sempre foi mesmo muito positiva. No segundo disco já tínhamos atingido alguns jornalistas que não nos ouviram da primeira vez. Eu tinha mais receio de uma certo preconceito do eixo contra uma banda do interior, mas embora no começa até tenhamos sido classificados como “indie goiano” isso não chegou a nos afetar ou prejudicar. Acho que o “Princesa” confundiu mais a crítica sobre a intenção e posição da banda, sobre o fato da letrista ser mulher e escrever letras fortes da perspectiva feminina. 
 
O que há de diferente ou semelhante do ‘Tônus’ para o álbum ‘Princesa”?
 
O Princesa nas letras é mais raivoso, impositivo, arrogante, bélico, o Tônus é mais triste, magoado, ressentido, mas ambos tem essa questão do jogo de poder nos relacionamentos pessoais, da submissão, da sujeição, da chantagem afetiva. No instrumental eles são mais diferentes, o Tônus é mais calmo, eu quase não grito, a dinâmica é mais suave. 
 
Foto por Filipa Aurélio 
 
Vcs sempre se preocuparam com a parte audiovisual da banda , qual é a importância dos vídeoclipes no ponto de vista de vcs?
 
Acho que fazemos pouco, não conseguimos ainda fazer mais. Videoclipes são caros, produtos audiovisuais geralmente são caros, mas são essenciais na internet. Mas são também um investimento incerto, podem render pouca visibilidade, é complicado. 
 
Há planos de novos materiais?
 
Sim, um videoclipe (vamos ver, rs), e estamos compondo novas músicas.
 
Foto por Filipa Aurélio 
 
Quais os próximos objetivos da banda?
 
Uma viagem internacional com bons shows e possibilidade de retorno e compor mais músicas.
 
Foto principal por Marta Ayora

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