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The Courettes : a explosão de dinamite volta ao Brasil!

O duo mezzo Brasil mezzo Dinamarca, desembarcou no Brasil pra 2 shows, já na sequência, eles pegam vôo pra europa novamente, então a vida na estrada é parte da vida de Martin e Flávia, e batemos um papo nesta oportunidade com a Flávia, sobre toda essa correria musical.
 
Como que vc (Flávia) conheceu o Martin ? e como criaram essa afinidade musical?
 
A gente se conheceu no Brasil quando a ex-banda do Martin (Columbian Neckties) foi a banda de abertura numa turnê do Autoramas, na qual eu tocava baixo. Nos conhecemos, nos apaixonamos, ficamos juntos no último dia da turnê e, depois de dois anos tendo um relacionamento à distância, nos casamos, me mudei pra Dinamarca, tivemos um filho e montamos uma banda. Não necessariamente nessa ordem. A história de amor e a musical estão muito entrelaçadas no The Courettes. Desde que nos conhecemos percebemos nossa afinidade musical, tínhamos coleções de discos quase idênticas mesmo vivendo à 10.000 km um do outro. 
 
Desde o princípio a idéia era ser um duo e optando pela estética retrô?
 
A criação da banda foi muito espontânea, não planejamos nada mesmo. Quando eu ainda morava no Brasil, eu passava muito tempo em aviões cruzando o Atlântico para ir visitar o Martin. Então eu foi tendo idéias para as primeiras músicas, como “The Boy I Love”. “I’ve been walking”, fala muito dessas viagens, ‘I’ve been walking for a thousand years, I’ve been flying through a million seas’. Quando eu tinha umas quatro músicas, fomos pro estúdio e pra nossa surpresa elas soaram muito bem só com o duo. E o formato de duo facilita muito a logística das turnês, especialmente pra gente que também tem uma família junto. Existem muitos duos bacanas na cena européia atual, como The Devils, The Sex Organs, The Cheating Hearts, The Glücks… E não, nossa influência principal não é o White Stripes (apesar de gostarmos da banda) tem muita gente que pergunta isso. 
 
A parte da estética ‘retrô’ é só um reflexo das nossas influências, da música que a gente sempre escutou, da op art que a gente ama, da moda dos anos 60 que eu curto, do design space age que o Martin coleciona, do retro-futurismo, daquele futuro espacial que nunca chegou. Na real não me agrada muito esse rótulo retrô, que me remete um pouco às bandas ‘tributo’. Somos uma banda atual e tocamos só músicas originais.
 
 
Atualmente vcs moram na Dinamarca ? Como é lá, pra carreira da banda?
 
Sim, moramos na Dinamarca, perto de Aarhus. A banda vai muito bem no circuito dinamarquês, já tocamos em vários festivais como o SPOT, Gutter Island Garage Festival, Distortion e Wall of Sound. Mas a Dinamarca é um país pequeno, muitas bandas dinamarquesas que só tocam no país não conseguem fazer uma carreira. Então pra podermos viver da banda a gente faz mais shows pela Europa do que em casa. Alemanha é um mercado enorme e é só atravessar a fronteira, Reino Unido e França também têm muito público pro nosso som, tocamos em festivais grandes na Espanha e na Noruega e também já tocamos na Itália, Portugal, Áustria, Finlândia, Holanda, Bélgica e Suécia. 
 
Foto por Marco Krenn
 
Vcs possuem registros audiovisuais super legais ,que mostram bem a identidade da banda ,como vcs criaram cada clipe?
 
Obrigada! A gente cria os conceitos do clip e o Morten Madsen (um amigo do Martin de longa data e cineasta super talentoso) os realiza, ele faz tudo sozinho, grava, produz e edita. Só os gráficos são do Martin, que também é designer gráfico freelancer. Ele faz toda a arte das capas dos nossos discos, pôsters, flyers, camisetas e merch, o que possibilita uma estética bem coerente. 
 
 
Vcs são assumidamente uma banda de estrada ,tendo tocado em mais de 70 shows em 2018, como foram esses giros no ano passado?
 
Eu amo estar na estrada, adoro conhecer pessoas, lugares diferentes, tocar cada noite num palco. E, apesar dos discos estarem vendendo bem, é com os shows que uma banda atualmente se sustenta. Em 2018, foram 72 shows em 11 países diferentes, e cada vez que voltamos num país o público vai crescendo, as condições vão melhorando e vamos expandindo a rede de contatos. A gente rodou quase 30.000 km só ano passado, às vezes é cansativo, mas prefiro a estrada do que ter um trabalho paralelo. Como diriam os Ramones, ‘touring is never boring’! 
 
Foto por Olli Moisiola
 
Este ano vcs estão escalados em inúmeros fests/shows, cria-se alguma expectativa ou já agem com mais segurança atualmente?
 
Sempre cria-se uma expectativa, apesar da segurança. Eu curto o frio na barriga antes do show, quando subo no palco eu relaxo.  Somos um duo (mesmo, sem banda de apoio como muitos ‘duos’ por ai) então tocar em palcos grandes é sempre um desafio. Nos últimos meses, tocamos no Roots & Roses Festival na Bélgica, junto com Jon Spencer e Kitty, Daisy & Lewis e no Azkena Rock Festival na Espanha, com B52s e Stray Cats, e a reação do público e da crítica foram maravilhosas, tivemos resenhas excelentes. No dia seguinte que voltarmos do Brasil vamos para a Noruega tocar no Butka Festival, onde vamos tocar com Franz Ferdinand e Weezer. 
 
 
Nessas aventuras vcs dividiram palco com inúmeras bandas ,o que destacariam desses momentos?
 
Fazer a abertura do show dos Sonics na Dinamarca foi incrível, se alguém me dissesse que isso ia acontecer quando eu tinha 14 anos e tinha descoberto os Sonics eu nunca acreditaria! A turnê com o Jon Spencer & The Hitmakers também foi fantástica, sou muito fã e o Jon é um gentleman, ótima companhia. Dividir o palco com os Bellrays e King Khan foi muito divertido e estar no mesmo line up que Stray Cats e B52s foi uma honra. 
 
Como foi a experiência de gravar a estréia”Here Are The Courettes” ?
 
No nosso primeiro show, no fim de 2014, na Dinamarca, o Kim Kix da banda Powersolo estava na platéia, amou a banda e ofereceu gravar a gente de graça no seu estúdio. O álbum foi gravado em dois dias, guitarra e bateria juntos ao vivo, sem edições, sem clic, sem autotune e com mínimos overdubs. O disco tem um frescor, uma urgência e uma crueza que eu amo. Eu sempre quis gravar um álbum assim, mas no Brasil na maioria dos estúdios rola essa ‘ditadura do pro-tools’, click, gravação dos instrumentos separados, edição desnecessária de bateria, que acabam matando o clima das músicas e a energia da banda. Fica um som muito limpo e robótico. Então pra mim foi um prazer enorme gravar esse disco, as canções são inspiradas, o processo de gravação foi libertador e o Kim é um produtor excelente, deu ótimas sugestões e soube tirar o melhor da gente.
 
Nos contem um pouco dos singles lançados e do split com o Powersolo?
 
O primeiro single foi “Boom! Dynamite!” + “T-C-H-A-U”, gravado no Toe Rag Studios em Londres e produzido pelo Liam Watsom, lançado pelo selo austríaco Bachelor Records. Liam Watsom produziu todos oa discos do Billy Childish, que somos muito fãs, das Headcoatees e do White Stripes. Foi a única vez que gravamos em fita, 100% analógico e 100% ao vivo, até os vocais. Foi demais trabalhar com o Liam, ele é mestre em gravar garage rock, tem uma torre de amps Selmer e deu excelentes pitacos nas músicas. 
O Kim e o Bo do Powersolo são nossos amigos. Além do Kim ter produzido nossos dois discos, eu fiz uma turnê na Holanda e na Bélgica com o Powersolo tocando baixo quando o baixista deles não pode fazer. Então a idéia de um split foi muito natural.  A faixa do The Courettes é “Hoodoo Hop”, que tem participação do Yebo, baterista do Tremolo Beer Gutt no theremin. Foi lançado pelo Sounds of Subterrania da Alemanha.
O último single que lançamos foi “Voodoo Doll”, o primeiro do mundo a ser lançado em VinylVideo, ou seja, um vídeo gravado em vinil. O lado A é o áudio e o lado B é o vídeo. Quem quiser saber mais pode acessar esse link:
 
Foto por Griffin Jazz
 
Quando e como foi gravado o álbum ao vivo? e do selo que lançou o álbum
 
“Alive from Tambourine Studios” foi gravado ao vivo no lendário Tambourine Studios na Suécia, onde já gravaram bandas como o Cardigans. Foi um convite do Per, dono do estúdio e baixista do Tremolo Beer Gutt, banda sensacional de surf da Dinamarca com que já dividimos o palco muitas vezes e que são nossos amigos. O álbum foi lançado pelo Chaputa Records de Portugal.
 
 
Todo o material da banda está lançado em vinil?qual é a emoção de ter o material editado da forma mais clássica?
 
Sim, os álbums e os compactos foram lançados em vinil, que é nossa mídia preferida – e dos fãs de garage rock também. Adoro o ritual de colocar um disco, ler a ficha técnica e letras, adoro até o cheiro! O segundo disco também foj lançado em CD, mas o vinil vende muito mais. O mais bacana de lançar em vinil, além do som e dos gráficos serem melhores, é pensar que alguém daqui a 50 anos pode achar um disco do The Courettes num sebo por ai. Nos anos 90 empurraram a idéia de que os CDs seriam eternos, mas os primeiros CDs que eu comprei já estragaram. Em compensação tenho discos de 67 que ainda tocam lindamente. E lançar um álbum que dure, com arte bonita, ficha técnica, etc. em plena cultura efêmera e superficial do Spotify é um privilégio, é dar longevidade à sua música.
 
 
 
No mais recente disco , como vcs decidiram rumar com a produção?
 
O segundo disco também foi produzido pelo Kim Kix, e apesar da bateria, da guitarra e alguns vocais terem sido gravados juntos ao vivo, a gente se permitiu mais overdubs. Eu gravei umas harmonias vocais e um pouco de piano, dulcitone e órgão. “Voodoo Doll”, além do Zé do Caixão, tem um saxofone tocado pelo Fred do King Khan & The Shrines. Uma preocupação que a gente tem quando faz overdubs é que eles não sejam essenciais pras músicas. As canções têm funcionar ao vivo só com o duo, porque não está em nossos planos ter músicos de apoio.
 
Como surgiu a participação do Zé do Caixão no álbum?
 
Por incrível que pareça, foi idéia do produtor do disco, Kim Kix. Ele foi baixista do Heavy Trash e fez aquela tour no Brasil quando eles gravaram o especial da MTV com participação do Zé do Caixão, o Jon Spencer é muito fã dele. A gente queria uma participação especial para “Voodoo Doll”, alguém para falar uns feitiços, numa onda Screaming Jay Hawkins. Ai o Kim falou, ‘Flavia, você é brasileira, porque não chama o Coffin Joe?’ Eu amei a idéia mas achei que seria impossível. Ai lembrei que tenho uma amiga em comum com a Liz, a filha dele, entrei em contato, ele curtiu a música e topou. Ele gravou num estúdio em São Paulo e mandou o áudio pra gente, ficou perfeito. Sou fã dele desde asolescente, pra mim ainda é tudo muito surreal, uma honra mesmo ter o Zé do Caixão no disco do Courettes!
 
 
Esta semana vcs estão no Brasil , o que esperam dessa passagem por aqui?
 
A carreira do Courettes é focada na Europa, ano passado a gente não conseguiu vir por causa da agenda cheia por lá, por exemplo. Muitos amigos sempre perguntam quando a gente vem pro Brasil, então é maravilhoso poder estar de volta aos palcos e rever os amigos por aqui. E estamos trazendo o novo álbum “We Are The Courettes” e o single “Voodoo Doll” que não havíamos lançado ainda na última vez que viemos. 
Mas é terrível a situação política atual do Brasil. É uma tristeza imensa acompanhar as notícias de longe, desde o golpe de 2016. E dessa vez, desde que eu cheguei aqui, dá pra sentir o clima pesado nas ruas, nas pessoas. No dia seguinte que a gente chegou, fizemos um pocket show no CEP 20.000, um dos últimos redutos libertários e contestadores do Rio, o que foi uma honra. A notícia do fechamento do Teatro Odisséia é desoladora, mas vamos tocar lá também. Espero poder colaborar um pouco com a resistência cultural frente a esses tempos sombrios.
 
Quais os próximos passos ?
 
Já estamos trabalhando nas músicas do terceiro disco e devemos lançar um compacto com inéditas ainda esse ano. Estamos escutando muito Phil Spector, wall of sound, girl groups… O disco novo vai ser explorar ainda mais essas influências. Queremos escrever canções melhores, tocar melhor e fazermos mais shows e levar nossa música para mais pessoas e países!
 
Considerações finais
 
Nos vemos nos shows!!!
06.07 – Central Caos – São Paulo
11.07 – Teatro Odisséia – Rio de Janeiro
 
Foto principal por Morten Madsen

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