0

Pagando o pato : Contraponto!

O powertrio Contraponto , lançou seu material mais recente “desespero”, e a banda conta como foi o processo dele e de seus antecessores.

11 anos na batalha, qual é o fator que ainda os motiva a tocar?

Primeiramente, gostaríamos de agradecer pelo espaço. Bom, depois de 11 anos chegamos a um ponto em que a banda já é parte de nossas vidas, precisamos disso pra nos expressar e tornar a vida menos amarga. Acreditamos muito no underground e no faça-você-mesmo. Queremos tocar não só como diversão mas também como forma de motivar outras pessoas a também se expressarem e fazerem a correria acontecer, de nos organizarmos politicamente e tomar o que é nosso de volta, enquanto classe.

Vocês sempre foram engajados nas canções, como vocês avaliam a situação geral dos temas abordados?

Avaliamos que, desde o começo, tentamos ser um contraponto na cena punk de Belém. Daí vem o nome da banda. Sempre nos preocupamos não só em reclamar e expressar nossa indignação através dos temas abordados, mas também em propor saídas ou soluções. Creio que, hoje, as letras estão bem mais maduras do que as que eu escrevia há 9, 10 anos atrás. 

Qual foi o motivo de só gravar a demo em 2016?

Na verdade, existiu uma demo gravada ao vivo em 2014. O “Só A Luta Muda A Vida” é um grande apanhado de quase tudo que havia sido composto entre 2008 e 2012. Precisávamos soltar esse registro pra poder dar uma cara pra banda e poder mostrar o que de fato é nosso som. 

Como foi tocar com os norte americanos do Punch?

Foi incrível! Tocamos num pub bem apertadinho, como todo mundo perto. Foi na época do lançamento da demo “Barbárie”. Ver as pessoas cantando algumas músicas foi bem surpreendente e é uma noite que ficou em nossa memória, com certeza. Dividir palco com uma banda que estava em franca ascensão foi uma lição de como fazer as coisas. Foi também um aprendizado!

Nesse embalo vocês lançaram o Só A Luta Muda A Vida, como foi gravar esse registro?

Tem uma curiosidade aí. As baterias do CD estavam prontas desde 2012! Depois de muita protelação e incertezas, conseguimos gravar as outras partes no quarto do Paulo e correu tudo bem. Todas as nossas gravações, exceto as ao vivo, são no estilo one man band: o Paulo grava tudo, mixa e masteriza e lança. Isso otimiza o custo geral da gravação e agiliza o lançamento. Os outros integrantes nunca tiveram problemas com isso e até preferem (risos).

Como vocês se definem musicalmente?

No começo, tocávamos um crust muito rápido, com claras influências de bandas como Simbiose (POR), Extreme Noise Terror, Cruel Face (SP), etc. Na atual fase, foram agregados elementos death/thrash metal old school e também algo de melódico, influenciado por bandas como Fall Of Efrafa (ENG), Death, Possessed, Hellshock (EUA), Defy (SP), etc. Geralmente as letras e músicas são compostas principalmente pelo Paulo.

Pagando o Pato, falem desse registro

Foi um álbum onde tentamos contar o resto da história que não havia sido contada inteira no álbum anterior. Também há composições antigas nesse álbum, misturando com coisas totalmente novas, como “Meritocracia”, onde pode se observar esses elementos death citados acima. É nosso álbum mais variado. Você encontra hardcore, death e crust quase que na mesma medida. Na época, estávamos com a Thyrza no vocal. Ela agregou ainda mais os elementos trazidos do metal, que é a escola dela, e fez um grande trabalho vocal.

Nos falem das participações nesse álbum

Bom, a ideia de chamar a Luma (ex-Klitores Kaos) foi da Thyrza. Elas compuseram uma música (“Não É Não”) que fala de muitos temas pertinentes à pauta do feminismo, como autonomia, direito ao aborto legal e seguro, combate ao estupro e etc. 
A ideia de chamar a Mell (ex-Ascaridiase, ex-Contraponto) foi ter a voz dela que foi nossa vocalista durante o período de 2011 até 2014, unindo o fato de ser uma regravação de uma música do Ascaridíase (“American Way Of Life”) ao fato de ela nunca ter gravado com a Contraponto estando na banda. E foi maravilhoso! Tudo fluiu ótimo nas gravações e todos ficaram satisfeitos com o resultado.

Há planos de novas canções?

Sim! Estamos em fase de composição de nosso próximo álbum, que deve sair em 2020. Como o “Pagando o Pato” foi mais um álbum comemorativo do que qualquer outra coisa, nesse próximo trabalho é que poderemos mostrar o que queremos de som e temas pra os próximos anos. Recentemente, lançamos um single “Desespero” que mostra alguns elementos de doom metal e uma estrutura musical diferente da que costumávamos adotar. Ela fala do desespero da classe trabalhadora que não consegue arrumar emprego e fica se humilhando no sol quente atrás de vagas. Essa música estará no próximo álbum refeita e regravada. 

Quais os próximos passos?

Os próximos passos são prensar um disco que terá toda a nossa discografia e algumas faixas de demos nunca lançadas, manter a constância nos lançamentos, tentar uma turnê no interior de nosso estado ou em outros estados e tentar mostrar nosso som para o máximo de pessoas o possível! Estamos com o apoio da Lazybones Records para esse disco-coletânea e para o próximo álbum. 

Considerações finais

Agradecemos mais uma vez pelo espaço, Rarozine! Estamos disponíveis para discutir sobre nossas letras nas redes sociais da banda ou dos integrantes. Gostamos muito do debate político. Achamos que nossa cena não deve se abster disso. Os tempos estão difíceis para os sonhadores, mas acreditamos cada vez mais que outro mundo é possível. Então estaremos sempre colocando nossa música a serviço da luta da classe trabalhadora e nunca desistiremos de lutar contra o fascismo e a intolerância. Sigamos na luta, pois só ela muda a vida!

Facebook

Instagram

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *