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Smoners : punk rock estradeiro!

Falamos com Edinho, sobre a trajetória do Smoners, das viagens e suas novidades pra breve.

Mais de 2 décadas na ativa, o que contribuiu pra vcs seguirem na meta de tocar?

Primeiramente, somos gratos pelo espaço para divulgação do nosso trabalho e parabéns pela iniciativa de vocês. Quem responde aqui é o Edinho – Baixista. Não sou da formação que fundou a banda – entrei após a primeira apresentação, após dois integrantes descobrirem que não queriam aquilo.
Quando me foi feito esse convite já tocava em uma banda em uma cidade vizinha, chamada Cosmópolis/SP, e tentava montar uma banda em Paulínia. E fui bem direto aos que me convidaram, com perguntas do tipo “A banda é pra quê? Vocês vão levar a sério os ensaios e shows? Vão prezar por passar uma mensagem clara aos que estiverem presentes nas apresentações?”, e a todos os questionamentos, a resposta foi SIM. Em resumo, cá estou há 23 anos, levando a banda no peito, sem nenhum daqueles integrantes ao meu lado. Quando criança, tinha dois objetivos de vida: tocar em uma banda de punk rock e ser cientista. Hoje, posso dizer que alcancei esses objetivos e sigo vivendo a vida. E, a cada ano, consolido ainda mais esses sonhos. Hoje, a banda está em seu melhor momento, madura, concisa com as letras que cantamos, com integrantes que entendem e apoiam as decisões dos rumos que almejamos à frente. Olhar para trás e ver que estamos deixando um legado de referência a muitas bandas do underground da nossa região nos dá ainda mais combustível para seguirmos por anos a frente.
 
 
Vcs sempre estiveram vinculados a projetos sociais. Falem deles.
 
Somos parte da organização do Arte de Periferia, que é um projeto social cultural idealizado por moradores das regiões periféricas de Campinas, regiões essas que, inclusive, são carentes de atividades culturais, artísticas e de lazer, devido à negligência do Estado, o principal responsável por fornecer direitos básicos para a existência humana.
O Arte de Periferia tem como objetivo levar o que sempre foi negado à população periférica: arte, cultura, lazer, educação e união entre a comunidade. 
Também fazemos O Arte para Aquecer a Alma, que  tem o viés social de apoio à comunidade moradora de ruas da região de Campinas/SP, projeto realizado todo inverno, no terminal central, levando música, alimentos e roupas àqueles que tem que conviver com a extrema pobreza.
Além destes, a SmonerS participa de frequentes eventos de cunho social, em que são coletados itens de vestimenta, material de higiene pessoal e alimentos para serem distribuídos em bairros periféricos.
 
Como foi excursionar pra tantas cidades e estados recentemente?
 
Ficou o sentimento de que podemos mais, de que deveríamos ter saído antes para rodar pelo Brasil.
Ficar 15 dias excursionando pelo norte do país nos fez repensar muitos de nossos privilégios em morar no estado mais rico e desenvolvido da país (SP). O trecho entre Belém e Santarém foi feito de barco (4 dias), pelo maior rio do planeta. A imensidão das águas e da floresta nos fez refletir muito sobre a realidade vivida pelos povos ribeirinhos. E a honra em ter tido contado com o pessoal do norte, produtores e público, que nos receberam de braços abertos, sempre engajados em trocar informações sobre as diferentes realidades do Brasil.
Agradecemos especialmente a Ilda, que nos alojou em sua casa em Belém, uma pessoa ímpar na cena, carismática e acolhedora, e ao Ney, em Manaus, por ter nos recebido em sua casa de braços abertos – um cara nota mil. Também agradecemos ao Jefferson, ao Romerito, a Carol, ao João, ao Ricardo Drago, e a todos que, de alguma forma, tornaram realidade essa turnê.
 
Qual é a previsão de lançamento do documentário dessa trip?
 
Esse documentário está sendo produzido pelo Kiko Rezende da Monstro Filmes de Campinas/SP. A previsão que temos desse material ficar pronto é final de outubro, para ser lançado no festival de aniversário da banda.
 
Recentemente saiu o álbum ao vivo. Contem sobre esse processo?
 
Na última semana de junho de 2019, lançamos um trabalho intitulado “Ao Vivo Estúdio Mutante”, disco que foi fruto de uma parceria com o Pedro Gambá Drago, do estúdio Level 10 de Limeira/SP.
Fomos convidados a participar do podcast Estúdio Mutante da webradio Mutanteradio (www.mutanteradio.com), onde bandas vão a uma entrevista e tocam músicas ao vivo. 
No nosso dia, percebemos a boa performance e perguntamos ao Gambá se haveria possibilidade de deixar o projeto aberto para edição, e ele sinalizou que sim. Um tempo após o programa ter ido ao ar, voltamos ao estúdio e regravamos as linhas dos instrumentos do Mário (Músico Chileno), gaita de fole galega, flautas doce e viola medieval, e aumentamos os coros na segunda voz.
 
 
O resultado final foi satisfatório?
 
Foi muito além do que esperávamos. Gambá nos surpreendeu com um baita disco, com uma edição impecável. Os recursos que ele utilizou, “criando” um ambiente em cada música, tem rendido excelentes elogios a quem mostramos, bem como nosso público dando seus feedback em nossas páginas nas redes sociais.
 
Quais os próximos planos pra breve?
 
Estamos finalizando duas músicas com o Gambá, sendo que uma delas fala sobre o holocausto brasileiro que ocorreu em Barbacena/MG durante a ditadura militar. Outra música fala da hipocrisia das universidades brasileiras e seus professores.
 
Considerações finais
 
Agradecemos especialmente a Ilda, que nos alojou em sua casa em Belém, uma pessoa ímpar na cena, carismática e acolhedora, e ao Ney, em Manaus, por ter nos recebido em sua casa de braços abertos – um cara nota mil.  A avó e mãe da Rebeca pelo jantar e recepção e a todas as mulheres do Coletivo TPM da cidade de Santarém, também agradecemos ao Jefferson, ao Romerito, a Carol, ao João, ao Ricardo Drago, e a todos que, de alguma forma, tornaram realidade essa turnê.

Somos gratos a vocês do Raro Zine pelo espaço. Gostaríamos de deixar um recado às novas gerações de bandas: Vá aos comerciantes da sua cidade, faça eventos nas praças com essas parcerias, vá criando a cultura de sempre conseguir ajudar as bandas que convidarem com o custo deles de locomoção, e, com o tempo, terá uma rede de apoio que te abrirá muitas portas. Não se prenda a grandes produções, seja realista quanto ao seu trabalho, faça autoanálise de sua carreira a cada ano. Devemos incentivar as novas bandas a se unirem e também se utilizarem de parcerias de forma saudável, gerando sustentabilidade de suas atividades desde sempre. Dessa forma, em uns 10 anos, teremos uma geração muito mais estável na parte financeira em relação a bandas. Fica também nosso agradecimento a todas as pessoas que nos apoiam, colando em nossos shows, compartilhando nossos trabalhos e, principalmente, escutando nossas músicas de forma gratuita pela internet.

 

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