0

Inflama : Diablo Motor!

Batemos um papo com Filipe e Thiago, pra falarmos mais sobre o Diablo Motor, seus trabalhos, inclusive o mais recente “Inflama”.

Quando se iniciou o grupo?

Filipe – O primeiro ensaio da banda aconteceu em abril de 2008.

Qual era a proposta musical no início?

Filipe – A banda nasceu dentro de outro projeto em que todos os integrantes originais faziam parte. Era uma vertente (grunge) diferente do que veio a se tornar o nosso primeiro disco. Olhando para trás, hoje a gente observa que tudo foi um processo muito natural. Em certo momento nos demos conta que o gosto musical de todos estava alinhado de certa forma a uma sonoridade mais clássica que resultou no repertório do nosso álbum de estreia. Esse mesmo processo se repetiu na concepção do “Inflama”.

Como foi gravar o debut?

Filipe – Nosso álbum de estreia nasceu de uma demo completamente descompromissada e que mais tarde resultou no nosso primeiro EP, lançado em 2010. Coincidentemente, após isso nos vimos em uma situação onde tínhamos em mãos uma oportunidade financeira única de estender as 4 músicas lançadas para um álbum completo, então não pensamos duas vezes e nos trancamos dentro do estúdio. Foi um trabalho muito árduo e feito como uma espécie de quebra-cabeça, principalmente por termos perdido nosso primeiro vocalista  antes de iniciar o processo de mixagem, então foi um disco marcado por retrabalhos e de reconstrução da banda. Apesar de trabalhoso, o processo também foi prazeroso por contar com várias participações mais que especiais, como as de Johnny Hooker e João Nogueira, hoje tecladista do The Claypool Lennon Delirium, grupo que reúne Sean Lennon e Les Claypool. Hoje olhamos para ele com orgulho, pois no final foi um trabalho que abriu várias portas pra nós e nos apresentou ao cenário da época. O disco foi gravado em diversos estúdios de Recife, mixado por Iuri Freiberger e Masterizado por Don Grossinger, este, que além de ter recebido um Grammy, já tinha trabalhado em discos dos Rolling Stones, Lou Reed e Pink Floyd.

Quem criou a arte do mesmo?

Filipe – A arte foi criada por Felipe Rodrigues (@pow.list), que além de ser um grande designer e ilustrador, é guitarrista da banda de Johnny Hooker. Felipe também fazia parte da Voyeur, banda de electro rock com quem dividimos os palcos em nossa primeira turnê.

Quando foi criada a parceria com a Monstro Discos?

Filipe – Nossa história com a Monstro Discos começou em 2011, nessa época nós estávamos em início de mixagem do nosso álbum de estreia. Foi então que Iuri encontrou com Márcio Jr. (um dos fundadores do selo) em um evento e apresentou uma prévia do disco. O resultado foi que ele gostou tanto do que ouviu que nos solicitou todo o repertório (mesmo não finalizado) para audição coletiva na sede da Monstro em presença dos demais sócios. Assim, nos vimos com um contrato fechado e uma apresentação no Festival Goiânia Noise confirmada. Temos hoje todos eles não só como parceiros, mas grandes irmãos do rock . \,,/_

Como foi produzir os vídeoclipes?

Thiago – Como tudo que acontece em uma banda independente, com muito suor, sangue e lágrimas. Nossos primeiros videoclipes foram na realidade registros feitos ao vivo durante a nossa apresentação no Abril Pro Rock Club 2011, quando abrimos para o Matanza. Tudo feito com muita garra e vontade por amigos nossos, em especial Marcos André (@essediafoifoda). O primeiro videoclipe “de verdade” foi o de “A Mesma História”, lançado na esteira da divulgação do nosso álbum de estreia, fruto de uma parceria com Marco Molina.

O segundo videoclipe, “Sem Moderação”, foi a nossa primeira incursão na produção de fato de um produto audiovisual. Tivemos a ajuda de muitos amigos e amigas, principalmente a de Rodrigo Campos (@rodrigobarros.foto), que dirigiu o clipe. Tudo feito com muito carinho mas também com doses cavalares de raça, até sofremos um assalto durante a gravação de algumas cenas em um canavial. Sobrevivemos para contar a história e termos muito orgulho do resultado final.

Na ocasião do lançamento do single “Mais Que Três”, e do seu lado b, “Casarão”, tivemos a oportunidade de conhecer o trabalho de Diogo Galvão, designer que assinou as capas dos singles. Ele nos apresentou a Kant Rafael, que deu vida à arte de Diogo e nos entregou o lyric video que traduz tão bem a energia de “Mais Que Três”.

Voltamos a trabalhar com Rodrigo Campos no que chamamos de “Sessões na Penumbra”, registros ao vivo em estúdio das músicas “Réquiem” e “Mais Que Três”. O estúdio escolhido foi o Casona, que tantas outras vezes nos acolheu, sendo essa a primeira vez que produzíamos algo em vídeo por lá. Mais uma vez, foram os nossos muitos amigos e colaboradores que tornaram possível esse projeto.

Quando estávamos próximos de fazer o lançamento virtual de “Inflama”, nos debruçamos sobre qual faixa merecia dar as caras primeiro em videoclipe. Todo mundo tinha uma opinião, mas chegar a um consenso parecia impossível. Foi então que surgiu Rafael Reynaux (@rafareynaux), nosso amigo de longa data, que se ofereceu para dirigir um clipe para nós. Como a gente não conseguia dizer qual música ele receberia para trabalhar, ele escutou todas as faixas e um roteiro para “Ultimato” surgiu em sua cabeça. Todos nós estivemos envolvidos na produção, que, como sempre, encontrou muitos percalços, desde ausência de ator a quebra do carro que estaria em cena. No final, “Ultimato” é um baita de um clipe! Detalhe para a atuação de Tania Carvalho e Raíssa Leal, essa última, que além de atriz nas horas vagas, é cantora dona de um vozeirão e faz dueto com nosso Filipe na faixa “Anti-Zen”.

Como surgiu “Inflama” e sua versão em K7?

Filipe – “Inflama” é um disco que podemos chamar de um fechamento no que diz respeito ao que a banda viveu anteriormente, principalmente nos frequentes problemas de instabilidade na formação (tivemos uma em cada disco). Podemos dizer que é um trabalho que renovou a todos e nos deu uma nova (e boa) energia para seguirmos compondo. 

Como todo álbum lançado de forma profissional foi um processo longo e burocrático. Uma das principais limitações para uma banda independente é sempre a questão financeira. Para conceber o trabalho até o final contamos com ajuda profissional de muitos amigos e quando se trabalha em algo com poucos recursos, prazo não é um luxo que podemos ter, principalmente se tratando de nós, que, por termos um apego e cuidado muito grande com o que lançamos oficialmente, muitas vezes preferimos adiar do que lançar de forma insatisfatória.

Sobre a gravação podemos dizer que foi bastante tranquila. Apesar de uma amizade de longa data e de já ter trabalhado nos dois discos anteriores, esse foi o primeiro trabalho com Iuri em que ele participou ativamente como produtor e acompanhou e dirigiu todo o processo criativo da banda. De início o álbum iria ser feito em São Paulo, mas, por questões de logística, principalmente relacionada à disponibilidade de equipamentos em Recife (teríamos que alugar em SP), preferimos fazer tudo na nossa cidade. Então ele veio para Recife e passamos mais de uma semana gravando e ajustando arranjos, após isso inserimos os instrumentos adicionais e participações de outros artistas para depois vir a mixagem e masterização (essa foi feita em Porto Alegre). 

A decisão de lançar em K7 partiu da banda em 2017 e aprimorada em seguida por Iuri. Há muito já estávamos cientes do destino da mídia física no mercado fonográfico. Foi a partir dessa constatação que utilizamos a mesma lógica de ascensão do vinil. Optamos por uma mídia que servisse como um elemento de merchandising carregado de nostalgia. A diferença é que este formato é bem mais portátil e fácil de colocar no bolso durante um evento.

Quais os próximos passos?

Filipe – Nosso principal foco agora é divulgação. Queremos atingir o máximo de pessoas dentro da nossa realidade no país e no mercado da música. Festivais, shows, turnês fazem parte desse processo também.

Considerações finais

Filipe – Aqui deixo em nome de todos da banda nosso agradecimento por ter nos enviado essa entrevista e pelo espaço cedido. Que o Raro Zine cresça cada vez mais, pois você merece, German! Abraços e Rock!!!

Todas as fotos por Rodrigo Barros

Facebook

Instagram

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *