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Morte justificada : Velho Manco!

Entrevistamos o vocalista, Tiago Mancin sobre o Velho Manco, disco, influências e mais!
 
Porque Velho Manco?
 
Quando pensávamos em um nome para a banda, queríamos algo de impacto e que ao mesmo tempo representasse de alguma forma o tom das composições.
A esposa do Vinícius (bateria/vocais) foi quem lançou algumas boas ideias de nomes pela maneira que soavam e, entre elas, o nome “Velho Torto”.
Eu gostei de “Velho” e o fato de ser nome composto. O “Manco” me veio de maneira bem natural, pelo som que ele atribuiu ao nome todo e pela imagem que ele projetava: uma pessoa vivida, acomodada com a dor, coisas que moldaram seu caráter para a acidez e o amargor, o sarcasmo e o pessimismo
 
Como que se juntaram e o que era referência pra banda em si?
 
Nos juntamos despretensiosamente para compartilhar um hobby, para dar vazão àquele estresse da rotina corporativa que nos engolia.
 
 
O que contribui para composição das faixas?
 
Modéstia à parte, temos pessoas talentosas nesse grupo. Além do valor que cada um agrega com sua competência, existe um amor que todos nós compartilhamos sobre o processo de composição e produção de uma música. Somos perfeccionistas. A ideia é deixar um legado, uma história, ou morrer tentando.
Temos essa habilidade de, mesmo com as diferentes referências que cada um carrega, respeitar as obras e concluí-las seguindo uma lógica, sempre com a intenção de, no mínimo, despertar uma reflexão ou emoção. O resultado final deve ser do agrado de todos da banda.
 
No álbum “A mosca”, foi criado algum conceito entre as canções do álbum?
 
Sim, o álbum é conceitual. Dado que o teor do que compomos é geralmente voltado para pensamentos e reações comuns e emoções primitivas, o conceito principal é o de que a massa caminha com a previsibilidade matemática de tudo que existe. Só não sabemos a equação.
E a mosca permeia o disco, como um ser medíocre, de vida curta e que, sendo pequena e irracional, despreza nossos conflitos internos e relações conturbadas. É uma afronta, mas é como a natureza nos enxerga: assim como uma mosca, estamos aqui para manter nossos genes vivos, em busca de alimento e sexo.
As primeiras músicas surgiram antes do conceito estabelecido. Como as temáticas eram sombrias e relacionadas ao comportamento humano, a ideia da mosca surge como um arco bem simples para ligar todas as obras.
 
 
Como foi o processo deste álbum?
 
As composições não eram a parte mais difícil, acho que somos bem eficientes nesse quesito. Dispendemos muito tempo nas edições e mixagens, trabalhando na estrutura das músicas também. Nos reuníamos uma vez por semana para realizar as gravações do que tinha sido composto até aquele momento. E compúnhamos individualmente, jogando as ideias em nossas reuniões semanais.
 
Qual motivo ele ter nascido muitos anos depois do surgimento da banda?
 
Tempo de cada um. Eu tive um filho e passei alguns meses distanciado da banda. O Vinicius teve um filho depois, e foi outro distanciamento. Fora que cada um tem uma profissão a cuidar. Então, o tempo era bastante escasso para trabalharmos principalmente nas mixagens/pós-produção. Ao mesmo tempo, queríamos ensaiar as músicas para tocá-las ao vivo, então a dificuldade estava em planejar nosso tempo entre várias de nossas metas.
 
 
Quais os próximos passos?
 
Queremos mostrar o disco lançado e continuamos compondo. Temos várias músicas no limbo, algumas aguardando gravação e outras já gravadas e mixadas.
A ideia nesse momento é lançar EPs e Singles com essas sobras.
 
Considerações finais
 
Acho que a música alternativa está ganhando o seu espaço. A passos lentos, mas está. É o que está levando à criação dessas tribos, esse fandom de música para rejeitados. Vejo isso também como algo que pode afetar a grande mídia. Pessoas querem se sentir parte de um grupo seleto, se sentir especiais, e isso acaba por fazer com que elas passem a buscar música de qualidade nesse ainda submundo da internet. Essa atitude exige suor.
Nossa missão é não só representar bem essas tribos, mas fazer com que as não fazem parte delas passem a dar atenção ao diferente, ao que é de qualidade. É um desafio confrontar pessoas que dizem “o rock morreu” com a evidência de que isso não é verdade, e que elas é que não procuram o suficiente. Infelizmente, acho que precisamos aceitar que maior parte da população é preguiçosa, e tentar atrair esse percentual criando e divulgando músicas construídas com um mix de complexidade e linguagem pop.
E a grande mídia precisa ser parceira desse levante artístico.
 
Todas as fotos por Edmilson de Souza

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