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Encontros sóbrios : Perjúrio!

Numa onda de novos grupos que fazem hardcore punk no Brasil, especialmente em São Paulo, o Perjúrio, mesmo sendo jovem, trás na formação integrantes experientes do cenário faça-você-mesmo. De uma mescla de diferentes raízes e referências, o grupo experimenta novos timbres e temáticas, nascidas desse encontro; improvável a primeira vista porém inevitável dada devida atenção.

Como foi esse início do grupo?

A banda vem de uns riffs engavetados, que eu Daniel, e o Fernando, tínhamos desde a época que tocávamos juntos no Bacantes. Junto disso sempre rolou uma vontade mútua de tocar algo mais rápido e próximo da coisas que estávamos ouvindo e até vivendo.
Algumas coisas vieram daí, outras de coisas que compunhamos juntos quando morávamos no Brooklin, ali na zona Sul de São Paulo.

De lá pra cá, fomos nos reunindo esporádicamente, já pensando mais concretamente em formar uma banda nova, e inicialmente o plano era ser um power trio.  

Eu conhecia o Rafael de longa data e sabia do trabalho dele de batera nas outras bandas que ele tocava (Asco, Thp e Última Classe). Chamei o Rafa, e depois de alguns ensaios como power trio, deixei o baixo e fiquei só no vocal. Num show de reggae de graça no centro, eu chamei o Jão (que é baixista do Burako) pra tocar com a gente e tamo aí. É dessa formação que criamos o restante de material que compõe o EP.

A banda é um tanto quanto nova , mas vcs já faziam parte de algumas outras bandas, ainda possuem projetos paralelos?

Sim, todos tivemos outras bandas e alguns tem outros projetos além do Perjúrio.
Eu tocava no Bacantes. Anos antes fui vocalista do extinto Vírus no Sistema, uma banda punk lá de Bragança Paulista. Hoje toco também no Inês é Morta e tenho um projeto chamado Sigilo junto da Luísa Leão que ainda tá bem no início.
Fernando tocou e fundou o Bacantes e o Aqueduto.
O Rafa é de Santos, foi batera de várias bandas da baixada como o: Asco, Vício (ex-THP), N.E.K, Minato no nezumi e Última Classe.
Jão hoje toca no Burako e fez parte da lendária banda de um show só o Aversão (que tinha membros do Burako e cCankro).

Senão me falhe a memória , vcs tinham soltado uma demo , foi o registro antes do álbum?

Na verdade gravamos, e soltamos uma faixa primeiro, e o restante depois.

Foto por Regis Bezerra (Festival Cidade)

Vcs tocaram 2 vezes no Rz Fest , qual a diferença de tocar no interior e capital?

Interior é sempre massa. Acho que a quantidade de bandas rodando e lugares com estrutura sejam as maiores diferenças entre capital e interior, mas não quer dizer que seja menos ou mais acessível. Tem banda do interior, daí da região de Atibaia tipo o Crasso que toca todo final de semana quase. Acho que é bem relativo.
Na capital temos várias casas de shows e um pouco mais de acesso a bandas e tal, porém, nem sempre isso significa estrutura e organização. Como disse tudo é muito relativo, tem show no interior super organizado, show na capital capenga, e vice e versa.

As energias são definitivamente diferentes, no interior (talvez por eu ser de casa), sinto uma disposição maior. Cidade grande tem aquela coisa imediatista que coloca algumas barreiras ao mesmo tempo que gera e consome muita energia.

Como foi trabalhar no Caffeine Studio?

Gravar com o Luís lá no Caffeine foi massa. Nos sentimos em casa!
Ao mesmo tempo, estávamos nos conhecendo nessa situação de estúdio. Ficou uma impressão geral do grupo de uma certa pressa, ou ansiedade tanto de gravar quanto lançar. Tomamos como uma experiencia pra saber pra onde e como ir nas próximas gravações. Mesmo correndo, gostamos do resultado. Trabalhar com o Luís é sempre muito tranquilo com um clima de compreensão e produção coletiva.

Nesse registro do álbum , houve algum disco ou banda que serviu de referência pra gravação?

Mesmo com algumas músicas já datadas, que trazem influências mais raízes principalmente minhas e do Fernando, muitas outras tem um pouco da pesquisa de cada um. Trocar referencias de bandas, provavelmente foi nosso primeiro exercício no início da banda e segue até hoje. De uns tempos pra cá algumas bandas novas surgiram trazendo timbres específicos que nos atraiu. De bandas novas como o Glue de Austin, a clássicas como o Poison Idea. Também é inegável a influência de bandas atuais próximas a nós como o Burako e o Cankro e outras nem tão próximas como o Clan dos Mortos Cicatriz que gostamos.

O que vcs buscaram retratar nas 9 faixas do álbum?

Não é uma regra, mas por enquanto quem escreve as letras tem sido eu (Daniel).
Elas tem muito a ver com estudos pessoais sobre percepções e observações  da realidade e certas condições materiais e extra-materiais a qual somos impelidos a viver e a seguir. Ao meu ver, tudo é político, não tem como não se posicionar politicamente. Portanto por mais quasi-misticas sejam as temáticas das letras desse primeiro trabalho, o questionamento é prágmatico. Nossas questões são as mesmas de todas as pessoas que no dia-a-dia sofrem a realidade.

Foto por Regis Bezerra (Festival Cidade)

Como foi participar do Festival Cidade?

Festivais são sempre pontos altos. Momentos de encontros de muita força. E o mais importante é aproveitar tudo isso. Fazer novas amizades, fortalecer as que já existem e manter viva a produção.

O Cidade é especial pra nós por retratar uma parte importante da cena sulbcultural de São Paulo a qual somos parte, e também por ser organizado por grandes amigos, sendo um grande prazer e um momento importante da banda nesse ano.

Há intenção de novas faixas , EP , álbum?

Seguimos produzindo e gravar sons novos com certeza é uma intenção. Desde a gravação do EP, algumas músicas novas nasceram e seguimos criando. Em conta da experiência do primeiro ep, vamos dar tempo ao tempo e gravar as composições novas com menos pressa.

Quais os próximos planos?

Tocar um monte e continuar produzindo. Viajar também sempre foi uma intenção. Novembro estamos em Socorro, Curitiba e Blumenau. Que venham mais!

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