Pesadelo real : Cankro!

O resgate da urgência do punk/hc o Cankro vem fazendo esse trabalho em seus lançamentos e perfomances ao vivo, conversamos com Renato e Iran, pra sabermos disso, split com os suecos do Vidro, e mais!
 
Como nasceu o Cankro?

Iran : Cankro nasceu do nada na verdade, eu estava escutando muito dbeat (Anti Cimex, Totalitar, Bastard e rock n roll em geral) na época tava em transição 6 meses no Brasil e 6 nos EUA trampando lá e ficando um tempo aqui e naquele tempo eu só estava tocando no Sem Hastro com meus amigos de DC, na época eu só cantava no Sem Hastro. Ganhei uma guitarra de um amigo, que nem está mais entre nós, mas foi um dos grandes impulsos para a banda começar. Ai nessas eu tava ouvindo muito Inepsy eu e o nosso antigo baixista tivemos a ideia de montar uma banda numa festa e ligamos pro renato pra ver se podia marcar ensaio e se ele ia topar a parada deu certo no primeiro ensaio já, cheguei com umas bases e fluiu como se a gente já tocasse juntos a anos, a gente tava numa sintonia parecida todo mundo. Hoje tem a Coca no baixo, mas tá cheia dos corres e a interview ficou por nossa conta. 

Renato: Nois tava numa fase ouvindo a mesma coisa, d-beat, e uns hardcore punk novo americano e conhecendo essa mistura, e do nada o Iran e o Bacelar chegaram em mim falando de montar uma banda nessa pegada. Eu me animei na hora, e de repente o bagulho pegou forma e o primeiro show a galera ficou impressionada com tamanha agressividade em pouco tempo de banda.

Foto: Athos @eyeballwitness

Em muitas descrições da banda ,falam da sujeira proveniente da nova safra do hc/punk norte americano, o quê é realmente combustível pra sonoridade da banda?
 
Iran: O que realmente era a vivência que a gente tinha na real, tem talvez. A gente sempre gostou de várias vertentes dentro do punk, mas a vontade de fazer algo mais sujo e “raw”era maior, morando em São Paulo a gente saia muito, muita madrugada, muito buraco que a gente se enfiava, noite sem dormir, hahaha, acho que isso era muito da combustível da nossa sonoridade. Hoje eu acho que a gente pega referência de todos os cantos. Eu particularmente sou fissurado em bandas novas do mesmo jeito que adoro bandas clássicas.  
 
Como surgiu a demo de 2017?e quem cria as artes do grupo ?
 
Iran: A demo surgiu no relampago, eu tinha riffs, a gente já tava no rolê junto todos os dias. A maior parte das artes da Demo são do nosso ex baixista Guilherme Bacellar, eu fiz camiseta depois, mas na demo foi ele. a demo foi um lance assim “Eu tenho esses sons, não sei quanto tempo fico no Brasil, não temos tempo pra perder, vamos ensaiar feito loco e gravar e ver o que sai” 
 
Um ano depois numa versão 7 ” lançada pela nada nada discos ,o disco teve uma edição com uma versão pra lutar matar do Olho seco,como surgiu ?
 
Iran : O punk nacional é uma influência enorme pra gente, principalmente o Olho Seco, que já tinha uma veia mais puxada pro hardcore desde os primórdios, desde o início eu queria que a banda tivesse uma identidade daqui, que a gente é do Brasil, Sul americano, cantar em português, nome da banda em português e se fosse rolar um cover, tinha que ser algo daqui também.
 

Foto por: @socialixo
 
Um dos registros audiovisuais mais interessantes de vcs é no palco Test ,nos falem do dia e do registro?
 
Iran : Um dia caótico, mas muito divertido, Palco Test sempre legal. O joão é amigo nosso de longa data, a gente já tinha a demo, então rolou o convite, chegamos lá tinha um mar de gente. A gente não tinha dormido direito (lifetyle tava agressivo naquela fase), mas o show foi pura destruição, 12 minutos sem respiro. Nesse dia uns amigos fizeram esses registros e depois o pessoal do SickTV editou e postou na net.  
 
Renato: Esse show do palco Test foi foda. Tava lotado de punk e metalero e saindo pelo bueiro gente de todo canto da cidade. E aquele clima caótico do centro em dia de virada cultural fez o show ser mto loco. E a gente curtiu o convite, curtiu tocar. Fase louca nossa, sem limites.
 
 
Como foi a experiência de tocar no CCSP ?
 
Iran : Foi animal, tocar com uma estrutura boa é sempre bom, do lado de gente que a gente admira e gosta do trampo, melhor ainda. Foi um domingo bem especial, muita gente que nunca tinha ouvido falar da gente nos viu e gostou da nossa música.  
 
 
Como é a criação dentro do grupo , já que um powertrio colabora com a logística em si

Iran : Na verdade eu acabo criando as melodias e letras e a gente chega no ensaio e vai construindo tudo junto, a logistica pra viajar é ótima, cabe todo mundo em um carro, pra tocar é mais fácil tbm eu acho. 

Renato: O Iran sempre chega com os riffs que eu queria escutar. E ele tb tá acostumado com meu jeito de tocar e isso já faz uma base do que gente quer tirar. Mas no fim nos 3  vamos colocando nossas brisas e construindo junto.

A banda lançou um split com os suecos do Vidro, como surgiu a parceria ?

Iran : Eu conheço o Lucas guitarra de longa data, ele era da banda Avalancha, a gente vem mantendo contato faz um tempo, trocando ideias de som e paternidade também (ambos somos papais) e eles queriam vir pro Brasil, rolou esse papo do split que no começo seria só uma tape pra ajudar na tour e que acabou que um selo da Noroegueis se interessou e vai lançar em vinil, muito foda. 

Fotos por: Ivi Brugrimenko

Nos contem das faixas que estão inclusas no split
 
Iran : As faixas desse disco já retratam um pouco dessa nova fase do Cankro, posso dizer que está mais rápido, com um pouco mais de notas, mais agressivo também, mais hardcore e mais rock n roll no geral e com alguns experimentos.  
 

Há intenções de chegar a Escandinávia pra divulgar esse novo material?
 
Iran : Com certeza, mas preciso esperar minha filha ficar maiorzinha, agora é tudo mais lento pra mim. 
 
Renato: A ideia é essa. Tudo depende da oportunidade e momento. Temos filho pra criar e mto trabalho nesse inferno que é essa cidade, mas se rolar a gente sempre acha uma brecha pra tocar em qq lugar.
 
Quais os próximos objetivos?
 
Iran : Um disco, esse é o nosso maior objetivo no momento e tocar no Japão um dia.
 
Considerações finais

Iran : Poxa, obrigado pela oportunidade, a gente segue fazendo o que a gente sabe fazer e tentando manter o intercâmbio com as pessoas interessadas nessa arte. 

Renato: Obrigado Rarozine pela entrevista e parabéns por estarem dando abertura paras as bandas independentes.

Foto principal por @adultodeboa

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