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Consiga o que você quer : Bite Beat Bit Bright!

Conversamos com Bite Beat Bit Bright, sobre seus eps, videoclipes e uma trilogia que encerra um ciclo pra banda.
 
Quando se juntaram?
 
A banda começou no final de 2012. Dois dos integrantes (Iuri e Bruno) trabalhavam juntos na época. Ambos já tocavam em bandas e foi dai que surgiu um pouco da afinidade sonora para os primeiros ensaios. O João era amigo de infância do Bruno e ambos já haviam tocado juntos anos atrás.
 
Qual era o intuito musical de levar adiante com a banda? 
 
Desde a primeira música autoral que rolou nos ensaios, acredito que nós três já passamos a pensar em levar a banda um pouco mais a sério. A estética sonora sempre foi o fator que mais nos uniu, pois as referências musicais são bastante diversas, porém quase tudo que nós curtimos acaba fazendo parte de uma linha sonora que presa por timbres e arranjos bem encaixados e definidos. Tendo isso como “forma”, a Bit Beat Bite Bright é uma banda focada em conteúdo. As composições sempre vêm antes da estética e são quase sempre registros que transmitem a insatisfação com os aspectos nocivos da sociedade que todos indivíduo enfrenta. Transmitir essa mensagem é a grande razão de ser banda: estimular o pensamento crítico.
 
Como foi gravar o primeiro EP?
 
Antes de gravarmos Black Brown Blue Beige (2014) passamos um ano tocando nos mais variados lugares, até chegar um ponto que esse registro seria o passo natural. O mais interessante em ser uma banda que está sempre tocando, é a evolução que isso traz para nosso repertório. Muitas músicas deram certo logo de cara, enquanto outras acabaram saindo naturalmente do set. Cada uma teve seu papel e serviu para vermos que nem tudo que funciona no ensaio rola bem ao vivo. Isso facilitou, de certa forma, a escolha do repertório do EP. Ele foi gravado em Sorocaba com o produtor Pêu Ribeiro e pode-se dizer que foi produzido em tempo recorde e que realmente conseguiu transmitir a vibe da banda. O nome composto por 4 cores que começam com a letra B foi uma ideia do João Vitor (baixista) e serviu para contar um pouco sobre a grande diversidade de estilos que cada canção apresenta. É um EP de rock mas que divide fronteiras com pop e até o funk dos anos 60/70. Pode-se dizer que o que une todas as faixas é uma vibe mais pulsante, que vem se tornando uma característica do nosso som.
 
O que mudou pro segundo EP?
 
Feito 4 anos após nosso primeiro EP, Bridge (2018) foi realizado em um momento onde já tinhamos mais conhecimento sobre produção e nossa busca por timbres e arranjos estava em alta. Esse nome explica bastante a forma que sentimos esse momento. É como saber que você está um lugar transitório, um lugar que vai te levar até um novo momento e que também já está bem distante do que você já viveu até ali. Percebemos que ter músicas de referências diversas pode ser um traço característico do nosso som. À medida que novas canções surgem vemos que estamos diferentes do que éramos quando gravamos o primeiro EP. Nosso envolvimento com timbres, pós-produção e overdubs foi bem maior durante este trabalho, até mesmo como resultado dos anos de estrada, que trouxeram novas texturas, timbres, efeitos e também nos deixou mais próximos da tecnologia e recursos eletrônicos. A produção do Ítalo Ribeiro (baterista da banda Wry e da Paula Cavalciuk) trouxe uma atenção especial aos detalhes e na pós-produção. O trabalho foi masterizado na Alemanha no estudio Plaetlin Mastering, pelo produtor Fabian Tormin e teve a arte desenvolvido pelo designer Daniel Alves, radicado em Miami.
 
Vcs estão excursionando pra divulgar o EP mais recente ,como tem sido essa aventura?
 
Sair em turnê sempre é a parte mais legal de ser banda. A turnê Bridge 2019 teve com pontapé inicial o lançamento do videoclipe da música Losing Touch, lançado pelo canal a cabo “Play TV” e premiere exclusiva no blog “Hits Perdidos”. A ideia de fincar o pé com este trabalho e levar para o maior número possível de lugares aconteceu na primeiro reunião que fizemos este ano e de lá para cá tem sido uma experiência muito interessante e que está nos ajudando a crescer bastante como banda. Cada data é uma experiência diferente. Tocar em lugares grandes, apertados, com um banda, com mais de 3 bandas, viajar 100 km ou viajar 700, dormir em pousada, dividir o quarto com outras pessoas, tudo é uma “viagem”. As vezes você fica tranquilo e consegue curtir cada parte do dia e as vezes você tem que ficar em cima do relógio para não perder uma passagem de som, não perder um contato que vai te ajudar a encontrar o caminho da casa que você vai ficar. Até a forma de enxergar a banda e em que estágio a gente está mudou bastante. Essa parte é muito recompensadora, conhecer gente é uma experiência muito bacana, trocar pontos de vista, se colocar no lugar de outras pessoas, com outros estilos de vida e receber uma energia gigante de outras bandas que estão ali dividindo a estrada com você. Esta turnê está sendo construída por caminhos inéditos. Quase todos os shows aconteceram com primeiros contatos ou através de bandas que a gente passou a conhecer há pouco tempo e claro, também com o apoio de quem já acredita no nosso trabalho, além das nossas famílias que estão lá dando todo suporte.
Já levamos a turnê para mais de 7 cidades em 3 estados diferentes, acho que o odômetro já deve estar perto dos 3000 km rodados nessa empreitada. Estivemos em São Paulo, Campinas, São Carlos, Piracicaba (SESC), Mariana/MG, Belo Horizonte/MG, Rio de Janeiro e Volta Redonda (RJ). A primeira data que fizemos em nossa cidade natal (Sorocaba) este ano foi em julho, no dia mundial do rock e estamos estudando nossa primeira ida para Jundiaí, todo dia tem novidade.
 
 
Foto por Juliana Bastos 
 
Qual o contexto das letras criadas?
 
Promover um olhar crítico sobre o que compõe o dia a dia na nossa sociedade. Acredito que este seja o ponto comum que une todas as canções da Bit Beat Bite Bright até o momento presente. São em sua maioria aprendizados, aqueles momentos que você sente que caiu a ficha e quanto mais a gente vive mais o que a gente sabe vai mudando e cada vez que a gente acha que sabe alguma coisa surge um novo ponto de vista que muda tudo. Mas em geral não existe uma direção objetiva nesse aspecto, as composições aparecem com o tempo.
 
Como foi criado o conceito do clipe de losing touch?
 
Losing Touch é nosso quarto clipe, mas é o primeiro que teve a participação de atores e passou por todo um processo de escolha de locações e criação de um roteiro baseado na mensagem da música. A concepção do clipe surgiu do próprio diretor Thiago Altafini, da Urgência Filmes. Assim que decidimos pela produção, ele nos pediu a letra da música e conversamos bastante sobre o contexto em que essa música surgiu, mas deixamos livre para que ele desse sua própria interpretação. Assim que recebemos o roteiro já nos identificamos com a ideia e a escolha dos atores e locações foi uma tarefa muito divertida. O ator Allex Rigato, que interpreta um dos protagonistas, é um fã nosso que acompanha a banda desde o início e já tem a atuação como carreira. Para nós foi natural sua escolha mas tudo passou também pelo crivo da produtora, que selecionou a Bia Bianchi, já colega de atuação de Allex em outros trabalhos.
 
 
Há planos de lançamento de mais um EP pra 2020, seria o fim pra uma trilogia que culminaria posteriormente num Full álbum?
 
O full álbum é algo que sempre pensamos, até mesmo na época do lançamento do EP Bridge, mas ainda não temos claro se esse seria o passo natural para a banda. Entendemos que existe uma estrada de formação de público que ainda estamos trilhando e muita coisa mudou no mercado desde 2018, quando rodamos a segunda leva de CDs físicos. Todos esses fatores talvez apontem para um terceiro EP ou para o lançamento fragmentado desse novo trabalho através de singles, mas uma coisa é certa, o lugar onde mais nos encontramos é nos palcos e neste ano de 2019 conseguimos levar nossa turnê para muitas cidades que antes nem sonharíamos. O que já podemos dizer é que pelo menos 3 faixas desse próximo trabalho já estão no forno, desta vez com a produção independente assinada por nós mesmos. Parte desse material será lançado até o final deste ano.
 
Quais os planos pra breve?
 
Existem pelos menso cinco datas que ainda estão sendo fechadas até o final do ano, incluindo uma segunda tour pelo Rio de Janeiro e logo logo será lançada a session que fizemos para o canal Elefante Sessions. Em paralelo estamos planejando organizar mais dois eventos próprios misturando bandas de diversos gêneros musicais e trazendo bandas de fora para nossa cidade, mas a seção produtiva da banda também está a todo vapor, e logo sentaremos para organizar o lançamento do primeiro single “pós-bridge”, até porque a fila de músicas sendo produzidas não parou mesmo com correria da turnê.
 
Considerações finais
 
É cada vez maior o número de pessoas apaixonadas por música que conhecemos e que trabalham para transformar a cena musical dando espaço ao som das bandas independentes. Parabéns pelo trabalho e ficamos muito contentes em participar deste canal, vamos pra cima! Um grande abraço dos bits!
 
Foto principal por Viviane Fontes 
 
 
 

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