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Além da quinta dimensão : Carl Satan !

Surf rock, space rock , sci -fi, essa é cara e identidade do Carl Satan , que soltou seu debut, e pra esse momento, conversamos com a banda, pra dar mais detalhes.

Quando surgiu o projeto?

Ferreirinha : História bem longa (rs). Pra contar rapidamente, a gente tinha uma banda chamada Busão 8, formada por amigos em 2012. A banda que chegou a ter 12 pessoas na formação em algum momento e 3 desses membros éramos eu, no vocal, Ronaldo, no baixo, e Nozis, na guitarra.

Ronaldo : Além do Busão 8, eu também já tinha tocado com o Clayton (baixo) no Stereomotive, então foi uma mistura dos integrantes dessas bandas anteriores, mas com uma proposta muito diferente. Acho que nosso primeiro ensaio com o Carl Satan foi por volta de Junho de 2018.

E porque do nome?

Ronaldo : O nome é uma piada com o grande astrônomo e divulgador da ciência Carl Sagan. A própria capa do EP expõe uma foto tirada pela Voyager 2, umas das sondas em que ele trabalhou, e num determinado momento, antes da sonda se distanciar do sistema solar ela dá uma última olhada pra Terra, e tira essa foto onde a Terra pode ser vista como um “pálido ponto azul” por entre os anéis de Saturno. É uma imagem muito emblemática que o Carl (Sagan) usou pra fazer um poema e um livro fantásticos (Pale Blue Dot).

Ferreirinha : A gente tentou fugir desse nome, principalmente por que todo mundo entende “call center” (rs). Aí, por um breve momento, mudamos para “Os controladores de mentes do planeta vermelho”, mas a galera que conhecia a banda na época ficou indignada com a mudança, aí voltamos. No fundo, a gente sempre gostou mais de Carl Satan, só faltava aceitar a cacofonia (rs).

Ronaldo : Call center, cow satan, call satan, já ouvimos todas as variações (rs).

Foto por Fernando Gonzales

Qual era o intuito musical desde o início?

Ronaldo : Bem no começo, eu queria montar um projeto que fizesse trilha sonora pros episódios originais do Twilight Zone (Além da Imaginação) da década de 50, os clássicos de ficção científica do Rod Serling. Mas logo nos primeiros ensaios as músicas foram ganhando temas mais abrangentes e a própria estética se ampliou para temas como Horror B, Surf Punk, Space Rock, Jazz e Psicodelia.

Ferreirinha : As ideias iniciais que o Ronaldo trouxe já eram tão redondas que deu liberdade para todo mundo contribuir meio que de maneira independente. A música já existia e cada um foi agregando sua personalidade a ela. Eu, por exemplo, pude focar em algo que eu sempre quis: tocar bateria do jeito mais simples e visceral possível.

Como foi a oportunidade de gravar o EP?

Ronaldo : Foi fantástico! Gravamos no Estúdio Aurora, e contamos com produção técnica do Aécio de Souza e Carlos Eduardo Freitas, que entenderam muito bem o projeto conseguiram materializar exatamente o que tínhamos em mente. Esse foi meu primeiro projeto instrumental em 20 anos de produção musical, então foi um desafio a mais conseguir contar algumas histórias sem usar nenhuma letra. Mas é muito interessante como a partir do momento em que as músicas vão tomando forma elas vão ganhando uma narrativa clara. 

Ferreirinha : Também foi meu primeiro projeto instrumental e meu primeiro projeto como baterista, já que sempre fui vocalista. E gravar é sempre uma experiência incrível. Frequentamos o Aurora já faz algum tempo, somos amigos do pessoal do estúdio e gostamos muito de tudo que é produzido lá.

Nozis :  Foi meu primeiro trampo autoral e dei trabalho pra caralho pra todo mundo (rs). A experiência foi foda e fazer entre amigos nos deu muita tranquilidade para explorar e buscar o som mais legal do disco. Para ter uma ideia tinha momentos em que as 3h da manhã estávamos gravando percussão em uma serra Makita e um extintor. 

O que buscaram retratar nessa canções?

Ronaldo : Por exemplo, Tsurume surgiu a partir dessa ideia de um grande tsunami no qual o oceano devolve todo o lixo que a humanidade tem despejado nele nas últimas décadas, a narrativa conta sobre essa tsunami chegando aos poucos e culminando numa gigantesca onda de lixo, seguido por um aftermath de destroços e escombros. — Ainda queremos tentar fazer essa animação pro som, como um curta, clip ou algo assim… quem sabe.

Outros sons eu imagino coisas como batalhas de naves espaciais em filmes de ficção científica de baixo orçamento, surfistas espaciais entrando em vórtices no espaço-tempo, essas brisas… Mas o mais interessante nesse trabalho instrumental é que cada pessoa que ouve as músicas imagina algo diferente e acaba criando uma narrativa própria.

Foto por Thais Nakamura

Há planos de novos registros?

Ronaldo : Sim, já estamos compondo o próximo EP ou single. Queremos lançar entre o fim do ano ou começo de 2020.

Nozis : Vivemos grudados fazendo tudo que é rolê junto e as ideias vão amadurecendo no dia a dia muitas vezes sem um instrumento na mão, brisando no que queremos transmitir, uma história, uma sensação.  Piramos também em fazer ensaios bem longos, as vezes de 5 horas na sala, estressando partes e conceitos específicos. Com certeza teremos material novo em breve pronto para gravar.

Quais os próximos passos?

Ronaldo : Acabamos de lançar o material promocional do EP em fita K7 em parceria com o Projeto Som de Fita, o resultado ficou fantástico, e conta com um Lado B inédito com registros ao vivo e uma cover de Take Five, do Dave Brubeck. Temos uma série de shows em São Paulo até o final do ano no Urban Hell, FFFront e outras casas ainda a definir. 

Considerações finais

Ronaldo : Obrigado pessoal do Raro Zine pela conversa e por divulgar bandas independentes autorais do circuito alternativo. Valeu!

Foto principal por Thais Nakamura

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