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Não existe vida : Morri !

Vindos da efervescente cidade do Rio de Janeiro, conversamos com o quarteto do Morri, sobre um pouco do trabalho da banda.
 
Como montaram a banda?
 
Em Meados de 2012 eu , Renato (baixista) e Pocket (ex-baerista) resolvemos nos reunir no terraço do baterista pra fazer som grindcore nos moldes de bandas como Sore Throat e Seven Minutes of Nausea. Só que a gente não tinha menor noção, estrutura e técnica (rs). Após alguns ensaios e registros bem toscos paramos e,  anos depois, retomei o projeto juntamente com Tadeu, que na época tocava guitarra na extinta banda anarco punk chamada “Corpo Sem Orgãos”. Me reuni novamente com o Renato no baixo e convidamos Guilherme Gomes para tocar bateria. A banda seguiu  ensaiando nessa formação até convidarmos Mathevs para somar na segunda guitarra e, nesse momento iniciamos um ciclo importante pra nossa história até gravação do EP “Não Existe Vida”.  
 
Nos falem sobre o nome adotado, como surgiu?
 
O nome vem da visão, a qual entendemos que estamos em constante estado de “morte” e que  a “vida” é um composto de palativos. Além de ser fácil, em português é expressivo dizer MORRI. 
 
 
Como está a cena carioca pra vcs atualmente?
 
A cena passa por um momento bem complicado. O underground sempre passou por dificuldades em termos de estrutura e parece que elas aumentaram nos últimos tempos. Sempre tivemos poucos espaços e alguns como a Planet Music e o Subúrbio Alternativo – picos onde rolavam grande parte dos shows de punk/metal aqui no Rio – fecharam recentemente. Nosso país vem passando nos últimos anos por uma grave crise econômica (que acreditamos que tende a continuar com as políticas desastrosas do atual governo) e o estado do Rio de Janeiro foi fortemente atingido, então tá difícil pra todo mundo. O refluxo recente da cena é também um reflexo da situação geral do país. Ainda assim, a cena resiste de alguma forma e temos muitas bandas interessantes na ativa, como Tuíra, Nefarious Disaster, Total Silence, Mundo no Kaos, Pós-sismo, Vozes do Abismo, Trash No Star, Regular Boat Driver, Neon Dharmas, Herzegovina entre outras.
 
O que é combustível pra criação de faixas?
 
Filosoficamente, entendemos que essa música é uma forma de exorcizar toda a miséria e frustração da vida cotidiana em uma cidade como o Rio  de Janeiro, marcada pela desigualdade, exploração, violência policial e outros problemas que já conhecemos. Na parte musical propriamente dita, temos uma ideia bem especifica de sonoridade, não necessariamente associada a um gênero específico. A ideia é criar uma atmosfera sombria e densa, mesclando passagens arrastadas e mórbidas com trechos mais rápidos e variando nos andamentos.
 
Foto por Fabiano Soares
 
O que vcs gostam de abordar nas canções?
 
Basicamente as composições são reflexos de um conjunto de vivências e observações do cotidiano. Algumas, figuradas em cenários apocalípticos ou distópicos com reflexões sobre como a humanidade age diante da existência. 
 
Como foi produzir o EP?
 
A experiência da gravação do EP “Não Existe Vida” foi bastante interessante pelo fato de ter sido nossa primeira experiência com estúdio enquanto banda (alguns membros já gravaram com outras bandas). Poder ver os sons que já tocávamos em ensaios e ao vivo ganhar vida aos poucos conforme íamos gravando e vendo eles se tornarem algo um tanto diferente e “maior” do que estávamos acostumados foi algo incrível. Infelizmente, a gravação acabou sendo um tanto corrida devido à questões pessoais dos membros, mudanças na formação e etc., mas o resultado final foi bem satisfatório. 
 
Qual o saldo final deste material?
 
Ficamos bem satisfeitos com o resultado final. Conseguimos alcançar uma sonoridade bem próxima da que sempre imaginamos para as músicas: sombria, densa e mórbida e ao mesmo tempo pesada e consistente. O trampo do Luiz (LF ESTÚDIO) com a gente no estúdio e a mixagem do nosso amigo Rodrigo Chuva certamente contribuíram (pra gente conseguir) chegarmos no som que (a gente queria) queríamos. A intro composta pelo Jhones Silva com projeto harsh noise GOD PUSSY somou mais ainda na ambientação que queriamos dar para o EP “Não Existe Vida” . 
 
 
Quais são os próximos passos?
 
Até o fim do ano pela Brutal Alien Records sairá um 4way no formato k7 a qual participaremos com as bandas Numbomb, Never Again e Nefarious Disaster. Estamos compondo sons novos, que deverão ser gravados para um 3 way com o Nefarious Disaster e Luftslott e sem previsão lançamento. Podemos dizer que as composições novas pegam a estética da sonoridade do EP e a expandem no sentido de soar ainda mais denso e carregado e ao mesmo tempo ainda mais rápido e frenético em certas partes, com mais variações de andamento. Como passamos por mudanças na formação recentemente – novos baterista e  baixista – ainda estamos ensaiando para poder voltar a tocar ao vivo e acreditamos que até o fim do ano já estaremos tocando em algumas gigs.
 
Considerações finais
 
Gostaríamos de agradecer ao Raro Zine pelo espaço que mantém a chama informativa ativa no underground e também a todo mundo que apoia essa rede colaborativa entre as bandas, selos,  mídias alternativas e zines. Também à galera que comparece aos shows, locais com bandas autorais e aos espaços. Com nosso atual quadro político-social, esperamos que as palavras resistência e força sejam combustível e que possamos nos organizar e formar uma rede de apoio.
 
Foto principal por Fabiano Soares
 
 

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