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Tempos difíceis : Deadman Dance!

Um papo com o Deadman Dance, sonoridade, fase atual e planos pra breve.

Como surgiu o grupo?

O Deadman Dance começou como algo solo em meados de 2018. As primeiras músicas, que acabaram descartadas, tinham uma outra energia, mais violinística e com o uso de loops. Conforme fui adquirindo mais pedais e equipamentos, a sonoridade foi mudando e ficando cada vez mais agressiva, mas ainda apenas instrumental. Resolvi arriscar e colocar algumas letras, e nisso senti a necessidade de uma bateria, que é onde entra a Rafa Antonelli. Ela, por sua vez, insistiu em adicionar um baixo pra dar peso e ajudar a preencher os vazios que o violino, mesmo oitavado, estava deixando. Por indicação de um amigo, conhecemos o Henrique Codonho. Isso foi no final do ano passado, quando fechamos a nossa formação.

Desde o princípio a intenção era ser um powertrio?

Então, era um projeto solo, que virou duo e acabou no trio. À cada música e arranjo que a gente montava, essa formação mais enxuta foi se consolidando. Eu tenho uma paixão enorme pela sonoridade crua que nós conseguimos, sendo apenas os 3. Acho que por toda a minha bagagem de música clássica e erudita, nas orquestras e grandes grupos, acabei optando pelo caminho contrário. Sempre tive essa sensação de que “menos é mais” e aqui tem corrido muito bem. Mais de uma vez ouvimos que não parecia só três pessoas tocando

Foto por Ohana Oliveira

Como vcs aliam as influências musicais de cada um a sonoridade do grupo?

Geralmente levo pro grupo as bases e, quando tenho alguma ideia boa, uma letra.
Querendo ou não, é inevitável não me sentir puxado pro Stoner, Grunge, Garage Rock e o Punk, que são estilos que eu gosto muito de ouvir, então os riffs tem uma pegada mais agressiva e na cara, as vezes até bem repetitiva, tudo isso mergulhado em fuzz. Esse padrão mais rítmico no violino me ajuda a tocar e cantar, o que é um malabarismo por si só.
As linhas de bateria e baixo são de composição dos outros integrantes, com pitacos de todo mundo durante os ensaios.
A Rafa vem de uma pegada bem rock’n’roll, desde os ritmos da Motown até o rock clássico dos anos 70, mas certamente com influências de grunge e Ska, que estava no auge na época da adolescência dela e quando começou a tocar bateria. Todo esse groove dela você sente bem, como na Thunder Clouds que a linha da bateria é muito puxada pro Ska, enquanto eu pensei num violino bem reto, lembrando algumas linhas do Queens of The Stone Age.
Já o Henrique traz muito o peso do Heavy Metal, apesar de ele praticamente ser uma mistura do Brasil com Egito nas influências, que vão de Alice In Chains até Gonzaguinha.
Muitas das linhas realmente “solísticas” são dele, sempre bem encaixadas ali no meio de tudo. É uma maravilha ver o menino tocando, com a cara mais Zen do mundo. Fora que dele surgem idéias como “ritmo de carimbó no baixo”, enquanto eu tinha pensado numa linha quase punk. E ele faz funcionar

Foto por Ohana Oliveira 

O que tem inspirado vcs na composição de canções?

O cotidiano. Another Day, por exemplo, eu escrevi na época turbulenta das eleições, então tem a ver com esse período maluco que estamos enfrentando hoje e na época parecia apenas uma sombra. Outra que me marca muito é a Ticking Clocks, que trata muito do tempo e de como ele parece perder o sentido conforme se arrasta. A Rafa uma vez comentou que as letras carregam muita angústia e eu tenho que concordar. Todas são reflexo do nosso dia a dia, falando muitas vezes da rotina, do peso dessa repetição de acordar, transporte público, trabalho, transporte e fazer tudo de novo no dia seguinte.

Como surgiu a parceria com a Howlin?

A parceria com a Howlin’ Records aconteceu pelo selo ter bandas que conversam com o nosso som e proposta, como a Miêta de Belo Horizonte e a Vapor, aqui de São Paulo. Além disso, eles são um coletivo que foca muito na representatividade, levantando debates como a participação das mulheres dentro da cena musical, algo que pra gente é bem importante, tendo em vista a presença chave da Rafa no trio.

Como está o processo do EP de estréia?

Acabamos de gravar todas as linhas e foi pra primeira mixagem e depois master. Dá pra adiantar que a coisa tá bem barulhenta e é só porrada. O Alyson Borges, do Cavalo Estúdio, é quem tem cuidado de todo o processo de gravação, mix e master. Rapaz tá fazendo um trabalho maravilhoso, dando boas idéias e ajudando a gente nesse processo que tem sido o primeiro EP gravado dos três. Tirando isso, é a ansiedade de quando vai ficar tudo pronto para podermos ouvir com calma. Mas podemos adiantar pela pré que tá virando um monstrinho maravilhoso.

 

Foto por Rafaela Antonelli

Quais os próximos objetivos?

Focar no lançamento do EP no ano que vem. Tem toda a logística dos clipes que vamos produzir pra preparar a chegada do disco, além de outros aspectos como linguagem visual que fica sempre à cargo do Henrique, nosso baixista. Além disso, estamos pensando em uma turnê bacana pra divulgar esse trampo doido que temos feito e tocar até os dedos caírem. Finalizar algumas músicas novas que não estão no nosso set atual e vão ser uma surpresa pros próximos shows…

Considerações finais

Primeiro, um agradecimento ao Raro Zine pela entrevista massa, à Rita da Howlin’ Records e toda galera que tem acompanhado o nosso trampo por aí.
Foi um ano cabuloso pra gente, tanto pela nossa atual situação política desgastante, mas também como banda. Tudo tem fluído de uma forma bem suave, sempre na correria de fazer acontecer, e esperamos que continue sendo assim. De resto, pra quem lê, vão nos shows das bandas independentes, apoiem as pessoas próximas de vocês que fazem arte, seja ela qual for, ouçam e procurem por bandas brasileiras que tem muita coisa incrível acontecendo. Ser artista hoje em dia é uma luta.

Foto principal por Rafaela Antonelli

https://www.facebook.com/deadmandance/

 

 

 

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