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O som fumaceado do Erasy!

Conversamos com o Erasy , diretamente da Bahia, falamos sobre o excelente “The Valley of Dying Stars’, e o mais recente lançamento.

Nos falem do início lá em 2012/13, primeiros ensaios , primeiros sons

A banda começou alguns antes de 2012/13 porém, em 2013 chegamos a essa proposta e uma formação ( Luciano Penelu, Alan Magalhães, Joilson Santos e Leandro D’Carvalho) que nos deu essa proposta de som. Nos primeiros ensaios tocávamos dois covers e alguns riffs que há um bom tempo estavam “engavetados”. No restante do ensaio (que era a maior parte, rs) deixávamos os riffs fluírem e vendo o que mais agravada ao ouvido de todos, foi assim que chegamos as influências comuns como a do Black Sabbath (setentista), sons com bastante fuzz e repetitivo, o que para a gente sempre interessou por criar uma espécie de atmosfera Doom. E, sempre aos finais dos ensaios ficávamos escutando o que gravamos (Alan Magalhães gravava todos os ensaios) discutindo o som, o que ficou legal ou não, tomando umas brejas. 

O que ajudou a formar o molde do som do grupo?

Sem sombra de dúvida foi a influência doom do Sabbath, mas também outras influências mais recentes, por assim dizer, como Eyehategod, Crowbar, Eletric Wizzard, etc. Dentro dessa gama Doom/Stoner que moldamos o som, algo sem ser muito premeditado, escutávamos as composições e todo mundo balança a cabeça em um sinal de que estávamos curtindo e ao mesmo tempo aprovando. rs!

Como foi gravar a primeira faixa?

Gravamos duas faixas logo de primeira que foram Living Hell e Hollow (porém foram mixadas em tempos diferentes e lançadas em tempos diferentes também) ocorreu de forma muito fragmentada por conta dos horários do estúdio de gravação. Algo como… num sábado de manhã gravamos as guitarras, 15 dias depois o baixo, uma semana depois a bateria e, por fim depois de umas duas semanas mais tarde gravamos as vozes. Todo esse processo foi um tanto estranho para a gente pois nem sempre todos podiam estar juntos em cada gravação, por conseguinte, vendo e sugerindo detalhes. No fim das contas tudo saiu quase como planejávamos, alguns detalhes aqui, ou ali, que não entrou mais ficamos muito satisfeitos com o resultado.

Em 2016 vcs lançaram o The Valley Of Dying Stars , nos falem da produção do mesmo

Quando lançamos os dois singles (Living Hell e Hollow) já estávamos ensaiando e tocando nos shows as outras faixas do The Valley, que a princípio seria um EP. Mas meses antes de entrar no estúdio de Irmão Carlos (Caverna do Som, em Salvador) passamos um pente fino em todas as músicas a fim de ajeitar alguns detalhes e, no intervalo entre um ajuste e outro foi que surgiu a faixa Telling Lies, de forma completamente incidental. Curtimos tanto ela que resolvemos gravar logo, foi então que o plano inicial de lançar um EP se tornou full álbum.

Chegamos ao estúdio pra gravar um tanto cansado da viagem e com uma experiência de estúdio anterior que não nos agradou muito. Foram longas horas de preparação do estúdio para começar a gravação e ainda não fazíamos noção de como seria todo processo (não foi planejado o processo em si). Com grande auxílio de Irmão Carlos decidimos então gravar guitarra base, bateria e baixo ao vivo (o que inicialmente nos pareceu uma loucura), estando Leandro e Alan na mesma sala e Joilson numa outra, mas todos conectados pelos fones do estúdio. No primeiro dia (uma sexta-feira) começamos as gravações por volta das 15 horas e terminamos perto das 19h. O processo fluiu tão bem (pode ter sido o whisky) que ficamos muito entusiasmados com o resultado inicial e isso nos deu uma puta experiência de estúdio. Então no sábado retomamos as gravações com William gravando a segunda guitarra, Leandro gravando os solos e Luciano gravando as vozes, tudo em separado, mas um processo imediatamente após o outro. Então conseguimos gravar em dois dias o The Valley e o resultado nos agradou bastante. Já a mix do The Valley demorou um pouco pois fomos um pouco mais chatos nos detalhes e Jera Cravo assumiu essa mix de forma, ao nosso ver, excelente!

Esse disco recebeu inúmeras críticas positivas , qual foi a reação de vcs a isso?

Foi surpreendente as críticas que recebemos do disco. Muitas vezes dentro de um ambiente de composição e gravação a gente meio que perde a noção, acho que isso pode ser natural, do que se está fazendo e como isso pode repercutir. E quando recebemos as críticas positivas advindas de vários lugares diferentes, entramos num processo meio louco de auto avaliação. Algo como, uma crítica afirma que nossas baterias são de um jeito, os riffs de outro, o baixo pesado… então corríamos pra escutar e identificar aquilo que foi dito nas críticas. E isso foi realmente muito bom.

Quem criou o conceito gráfico do álbum?  E também do mais recente EP?

Do The Valley foi criado pelo grande artista Kin Noise de Recife-PE, sob as instruções de Luciano Penelu. Os dois conversaram bastante sobre o conceito do disco e das letras e chegaram num resultado que nos agradou muito!

Já o conceito gráfico do EP foi criado por outro grande artista o Abacrombie Ink. Com um tema mais obscuro ele nos presentou com a capa após algumas audições da faixa que dá nome ao EP (Under The Moonlight), achamos incrível de uma sintonia enorme com o nosso som e proposta no momemto. 

Como foi feito o lyric vídeo de Sea of Sadness?

O lyric video foi feito por Alan Magalhães (Canguru Filmes) e Wendell Fernandes. E traz alguns takes de imagens das mazelas da humanidade que numa busca incessante e sem sentido pela vitória submete povos e nações, numa corrida onde o desastre está tanto no caminho quanto no fim.

Como surgiu a parceria com o selo gringo Doom Stew Records?

Após uma entrevista que demos (que não saiu, rs)em que nos foi perguntado se já tínhamos feito investidas na gringa, resolvemos sair em buscar de selos gringos, pois nunca fizemos essas investidas e esse foi um ponto em que realmente não havíamos atentado para fazer. Então mandamos a recém gravada Under The Moonlight para que alguns selos gringos avaliassem e, se repente, quisesse lançar o material. A maioria deles elogiaram o som, porém estavam interessados num full álbum, então a Doom Stew Records nos respondeu com interesse de lançar um EP com duas músicas em Vinil, no caso só estávamos com Under The Moonlight gravada. Então gravamos The Deal e enviamos para avaliação o que foi prontamente aceito e demos prosseguimento para os trâmites da arte, contrato, etc. Pra gente foi muito interessante a experiência, sobretudo na parte da logística pra esse material chegar no Brasil. Melhor! Pra chegar nas nossas mãos. A Receita Federal é terrível em situação de entrada de mercadorias, seja ela uma produção musical autoral ou o que for.

Mas conseguimos pegar nosso material e, de acordo com o selo, tem tido uma boa saída lá fora. Aqui também tem saído.

E como foi fazer o Under The Moonlight ? houve edição em vinil 7″?

O Under The Moonlight está disponível somente em vinil, foi uma exigência do selo. Gravá-lo foi uma experiência extasiante assim como foi o The Valley! Porém foi gravado parte a parte separadamente (diferentemente do The Valley que foi gravado baixo, bateria e guitarra base juntos, ao vivo, como dito anteriormente). Então tivemos uma experiência bem agradável em dois estúdios. A faixa Under The Moonlight foi gravada no Gato Preto Estúdio e The Deal no Netuno Estúdio. A escolha de estúdios diferentes para as músicas foi por conta de tentar explorar outros timbres de amps. E o resultado foi muito bom, ao nosso ver. As agendas e tempos nos dois estúdios foram boas e tivemos tempo pra gravar com calma explorando os detalhes das músicas. Enfim, foi um lance mais profissional que encaramos. A mix ficou novamente com Jera Cravo que nos deu um baita suporte mesmo estando fora do país, de novo.

Nos falem um pouco da alteração na formação

Nós tivemos várias mudanças de formação sendo que os membros que nunca saíram desde de 2012/23 foram Leandro e Joilson. Essas mudanças aconteceram por conta do objetivo pessoal de cada membro que já participou da banda. Cada um com afazeres e profissões diferentes, alguns com outros projetos musicais. E tentar viver do undergroung é um puta desafio! Sendo assim não foram poucas as mudanças e nessa formação atual (Gilmar Vurmum, Luciano Penelu, Joilson Santos e Leandro D’Carvalho) achamos que deixou a banda mais madura, segura e que pode vir a mudar de acordo aos percalços pessoais de cada um. É uma situação que não está no controle de ninguém.

O que planejam pra breve?

Estamos com novas composições e pretendemos entrar em estúdio o quanto antes. Não sabemos se pra mais um EP ou um Full. Tá mais para um Full, mas isso vai depender de como as coisas ocorrerem em relação a datas e grana. Ainda antes disso estamos angariando grana e tempo (de novo) para a gravação de um clipe de Under The Moonlight. Fora isso, as novas composições estão com um ranço mais Doom que as outras. E mais lisérgico também, algo com muita fritação. Isso nos tem agradado muito ultimamente.

Considerações finais

Gostaríamos de agradecer o Raro Zine por esta oportunidade de falar um pouco sobre nós, além de ser uma honra contribuir para a cena underground. Agradecer também a todos que curtem nosso som, vão a shows e dão uma força pra gente com nossos materiais. Também pelo suporte das bandas co-irmãs como a Martyrdoom, representada por Elimar e a Drearylands representada por Leão. Quando as bandas começam a se unir a cena se movimenta e fica muito mais forte. Obrigado!

Fotos por Diego Santana e Eduardo Quintela

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