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Ruína : apresenta “Autofagia”!

Vindos da cena de Recife , o Ruína cometeu um dos melhores Eps de 2019, e por causa disso fomos atrás deles pra saber o que rolou pra saída desse belíssimo registro!

Quando vcs formaram o grupo?

Rodrigo – A banda surgiu em meados de 2017, devido ao fim de outros grupos que tínhamos naquela época. Os primeiros passos da banda se deram por estarmos sempre muito ligados em música, correndo atrás de coisas diferentes e isso meio que selou nossa amizade, dando uma instiga de criar algo nosso pra sair tocando por aí.

Como se aproximaram com os gostos musicais em comum?

Zé Carlos – Na verdade, a aproximação era inevitável. A cena musical de Recife não é tão extensa e a maioria das pessoas atuantes se conhece. Éramos de turmas diferentes, mas que possuíam o Punk/Hardcore/Metal como fator incomum. Amizade desde sempre foi presente, até que por meio da paixão pela música e conceitos ideológicos, resolvemos nos juntar e procurar uma integração sonora dentro dos estilos musicais que possuíamos em comum, somados a gostos musicais mais particulares e assim com um tempo ir moldado e lapidando o caráter de som que temos hoje. Contudo, sempre estaremos buscando uma renovação sonora e por meio dela, abrir novas portas para novos experimentalismos.

Nos falem da escolha do título do álbum

Zé Carlos – O nome do álbum resume bem a fase em que estávamos vivendo e de certa forma ainda vivemos. Autofagia cientificamente é descrito como o ‘’ato do homem ou animal nutrir-se da própria carne’’. Refere-se a um mecanismo de sobrevivência natural, onde por meio desse termo, chegamos a um resumo das composições da época. Enfatizando que você apenas precisa antes de tudo, se conhecer, se perceber, saber que tudo o que precisa, muitas vezes está em você mesmo e que provavelmente não será fácil de ser encontrar.

Qual a temática abordada nas faixas do EP?

Zé Carlos – Argumentar e questionar fases e sentimentos da vida. Buscar por um sentido e talvez se encontrar, fazer de alguma forma a diferença no meio onde se enxerga. De alguma forma as letras sempre tentam criticar a existência e ao mesmo tempo contemplá-la, buscando uma organização dentro do caos e alimentando-se da própria carne, da própria mente, pois antes de tudo e todos, nós somos completos e só precisamos entender isso.

O EP autofagia teve inúmeras críticas positivas, inclusive com muitas resenhas a respeito, como vcs se vêem frente a isso?

Lucas – Desde o começo da nossa trajetória, nas primeiras gigs e ensaios, a gente sempre levou em consideração a opinião de quem veio pra somar e isso não foi diferente durante a divulgação do Autofagia. Receber esse feedback positivo de tanta gente que admiramos e do público, além de ver o nosso EP sendo bem avaliado em Blogs que acompanhamos, é muito gratificante e a certeza de que estamos trilhando o caminho certo.

Posso afirmar que um dos melhores trabalhos nacionais deste ano é o Autofagia, no que se preocuparam com a produção deste trabalho?

Lucas – Nossa, muito obrigado! Bom, como foi nosso primeiro trabalho como banda, depois de selecionar as músicas que entrariam no EP, achamos que seria interessante fazer uma pré-produção com Mathias Severien (Produtor/Estúdio Pólvora) antes de iniciar as gravações. Lapidar as músicas, deixar as coisas mais redondas. Durante a gravação, nos preocupamos mais em como as músicas soariam juntas e rolou muita experimentação com os timbres dos instrumentos. Fora isso, acho que foi muito importante definir uma temática pro EP – acabou sendo uma reinterpretação das nossas próprias músicas e da mensagem que estávamos passando – e cada uma dessas etapas enriqueceu o trabalho como um todo.

Esse disco é uma fusão de vários estilos, vcs definem o som de alguma forma?

Lucas – Cada um dos integrantes trazem uma bagagem musical bastante diversa, e isso acaba refletindo nas canções. O Crust e o Sludge sempre foram estilos que acabaram “guiando” mais nas composições, mas a gente sempre abraça os riffs e/ou levadas de subgêneros do Metal ou Hardcore que vão surgindo, sem limitar a criatividade.

Como anda a região musicalmente?

Rodrigo – Estamos vivendo um momento muito intenso e necessário no nosso nicho musical. Muitas bandas estão sendo criadas, bandas antigas estão ressurgindo, os eventos coletivos estão sendo organizado nos bairros da cidade, o interior também vem resistindo. Enfim. A arte subterrânea local nunca esteve tão viva como antes. Isso é muito importante, pois estamos passando por uma fase muito nebulosa no país, em que a nossa voz e resistência surtirá efeitos positivos lá na frente.  

Há planos de pegar estrada e sair das proximidades e alçar novos vôos?

Rodrigo – Com certeza. Desde o início da banda mantivemos essa sede de pegar a estrada e conhecer outras regiões. O objetivo será sempre de alcançar mais pessoas e ambientes, desafiando a nossa zona de conforto.

O que planejam para breve

Rodrigo – Estamos produzindo bastante nessa nova formação em que nos encontramos. Apenas bateria, guitarra e voz. Pretendemos lançar novos materiais nesse formato, explorando cada vez mais outras estéticas de som, de repente mais sujo e experimental, talvez lento ou mais rápido. Estamos ansiosos para soltar logo algo dessa nova fase.

Considerações finais

Agradecer demais pelo espaço e parabenizar a iniciativa de estar conectando os artistas independentes nos veículos de comunicação. Muito obrigado também a todxs que veem nos ajudando e acompanhando a banda. Nos vemos na estrada!

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