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Abra as portas do Saloon : Davy e os Jones!

Uma conversa com Davy e os Jones, a banda que pega influências do Country, Psychobilly entre outros e oferece ao público uma verdadeira festa, confira nossa conversa.

Como surgiu a ideia da banda?

Na realidade montamos a banda e apontamos para o tipo de som que estávamos curtindo como psychobilly, alt country… é até difícil buscar memórias para descrever cada detalhezinho. Mas tudo começou com o Felipe (violino) e o Brudy (guitarra). Depois a Juh (baixista) segurou o baixo um tempo, porque o Felipe propôs fazer uma transição do baixo pro violino, ele tinha tido algumas aulas quando criança, e teve essa sacada de tentar estudar e aplicar essa linguagem no som. Foi uma aposta grande, porque ele não toca o instrumento a vida inteira. Assim a banda foi mudando, entra o Bob na guitarra, que não muito tempo depois, entende que poderia desenvolver uma abordagem mais legal no violão, chega o Bruninho no baixo, e já estamos no terceiro baterista.
A banda surgiu na Praia Azul em Americana/SP, região afastada da galera do centro, que é meio que um subúrbio rural, tem um lance periférico, urbano, e ao mesmo tempo tem o contato com o mato. Lá tem a Represa de Salto Grande, surgimos ali, na orla da represa, perto dos aguapés fedorentos. Era uma região de turismo antigamente, mas hoje em dia o Rio Atibaia é tomado pela poluição. O pico é conhecido pela prostituição aos arredores agora.
Então dali vieram muitas bandas, não só a gente, era praticamente um movimento, porque rolou uma efervescência lá, uma galera tentando fazer um som. Não faltam boas histórias!

Foto Virada Cultural SBO

Porque do nome?

Então, apesar de ser um nome com uma referência pirata, a ideia dele vem da coletividade, e a intenção do som em si não tem haver com histórias de piratas, corsários e bucaneiros. O “Jones” talvez tenha surgido do fato da banda ser de Americana e Santa Barbara d’Oeste, que são cidades colonizadas por americanos, e esse sobrenome é muito comum aqui. Foi meio que uma brincadeira interna entre os integrantes. O Davy na verdade é imaginário, porque ninguém na banda é o Davy, mas dentro da banda somos os Jones (risos). Isso vem também de uma zueira com o fato de várias bandas de rockabilly e Rock n’ Roll, terem um artista principal, e uma banda de apoio que recebe um titulo de grupo, de gang a exemplo de: Gene Vincent and His Blue Caps ou Crazy Cavan and the Rhythm Rockers. É um compilado de coisas na real, fechamos nesse nome, pois achamos bem sonoro!

Como foi essa fase de transição e entrosamento dos integrantes?

Basicamente é algo que rola natural. A grande maioria dos integrantes dessa nova formação por exemplo, já fazem parte do grupo a uns bons anos. Então existe um histórico de amizade ai também, que facilita muitas coisas. Assim foi desde o inicio, com os nossos amigos que tocaram com a gente, e ainda hoje comparecem aos nossos shows, nas festinhas de família!
A banda vai se alinhando nos ensaios, nos rolês, nas conversas, e nos shows que fazemos. Cada musico que passou no grupo deu a sua contribuição! Então é algo que vai acontecendo naturalmente mesmo, trabalhando em equipe!

Foto por Silas Júnior 

Onde vocês buscam inspiração pra banda e estética?

Provavelmente vem do material musical e artístico que a gente admira. Estamos aprimorando essa questão da identidade visual do trabalho, gradativamente. Isso em nosso material promocional, e também nas nossas apresentações ao vivo. Então é um misto de referências, influências, tentativas, preferências. Porque no geral, nos inspiramos em muitas coisas vindas de lugares diferentes. Tem coisas que vem do punk clássico, da veia erudita e do irish ligadas ao violino, da musica e da cultura caipira do interiorzão mesmo, artistas brasileiros, e várias outras coisas que vem do country alternativo, do western, de histórias e causos ligados a região de onde a gente vem. Não tem um padrão purista ou caricato pra seguir. A gente tenta fazer as coisas de um jeito nosso, rola uma consciência de que uma banda legal, precisa ter sua própria assinatura. Então vamos nessa direção!

Foto por Juli Bastos 

Como é mesclar o repertório nos shows, e o que vocês se identificam em tocar?

É legal! Todo mundo na banda vem da correria da musica autoral, de compor e criar, de gostar de fazer o seu som e encontrar seu jeito particular de tocar. A gente pira na parte criativa, no frescor da música nova, e o desafio de levar isso pras pessoas, observar a reação delas a essa proposta. Quanto às versões que fazemos é isso, reinterpretar uma grande canção, de um artista que você se identifica, que contribuiu na sua formação, é uma tarefa que precisa ser bem coerente, pra não soar forçado, mentiroso. No nosso caso fazemos essas versões de artistas que amamos como Tião Carreiro, Johnny Cash, Ramones, Echo and the Bunnymen, Alceu Valença e outros, porque naquele momento, no palco, basicamente nos apropriamos dessas músicas, tocamos e sentimos como se fossem nossas (risos).
Rola um critério pra fazer uma versão. Não é algo banal, tentar dar uma roupagem “Davy e os Jones” pra qualquer música de sucesso por exemplo. Essas canções vão sendo mescladas ao nosso repertório, de acordo com as ocasiões. Então temos dois campos aqui, o da composição, que é o nosso nome, o nosso trabalho, e o da interpretação, que são momentos específicos e especiais, que contribuem para a dinâmica da apresentação!

Foto por Juliana Tonussi 

Como tem sido os shows?

Tem sido demais! Chegamos num momento onde a troca de energia entre banda e publico está muito legal! Nesses anos viemos fazendo muitas amizades por cada cidade que tocamos.
Então agora esse intercambio está gerando muitas parcerias, inclusive, algumas essenciais pra que o trabalho avance!
A “Giro Caipira” tour, que começamos agora em 2019, tem nos levado a várias cidades, sobretudo no interiorzão do nosso estado de São Paulo, onde encontramos várias pessoas que se identificam com nossas músicas, com a nossa proposta de apresentação!
Parte disso se dá porque estamos com espetáculos diferentes. Temos o show mais direto, elétrico, e temos o “Maderada” que é nosso show acústico, onde fazemos tanto o pocket, quanto shows completos. As vezes no formato Trio de Cordas (2 violões, 1 violino e vozes), outras vezes com toda a formação da banda. Isso para ambientes que comportam, assim incluímos o baixolão, o bandolim, o washboard. É um show que nos abriu uma gama de possibilidades diferentes e nos tem levado a grades ainda não alcançadas.

Foto por Juliana Tonussi 

Quais as principais metas para o futuro?

O principal é gravar e botar o nosso primeiro disco full na praça, trabalhar legal esse material, e continuar a “Giro Caipira”, chegar à mais cidades!
Somado a isso, todos os diversos projetos que já estão no pente, e vão sendo colocados de acordo com as programações. É um monte de planos, quem está nesse rolê sabe a batalha que é fazer essas coisas acontecerem né. E pra fazer acontecer, tem de arregaçar as mangas, então bora noix!!!

Considerações finais.

Pô German, muito agradecidos pela oportunidade de falar um pouco sobre nosso trabalho no Raro Zine. Um salve pra todos que vem nos acompanhando, vem ajudando a divulgar nosso trampo, estamos sempre trazendo as novas em nossos perfis no Instagram, Facebook, Spotify e outros. De coração, super obrigado!
Vida longa e prospera ao RZ!

Foto principal por Flávio Queiroz 

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