C6 no Rock abre primeiro dia no Ibirapuera com uma viagem aos anos 80
Noite de estréia revive álbuns históricos do rock brasileiro em apresentações fiéis que resgataram a era de ouro da nossa música
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Fotos por Raíssa Corrêa - Texto German Martinez
8/30/20265 min read


A atmosfera no Parque Ibirapuera, em São Paulo, transformou-se completamente com a estreia do C6 no Rock, um festival inteiramente dedicado a celebrar a era de ouro do rock nacional dos anos 1980. Em parceria com a Dueto Produções, o C6 Bank concebeu um evento temático focado na catarse e no legado do BRock, trazendo bandas clássicas para tocarem seus álbuns mais emblemáticos na íntegra. O primeiro dia de programação, realizado em um sábado sob o sol do inverno paulistano, atraiu milhares de fãs dispostos a reviver memórias e canções que moldaram a identidade cultural do país.
A abertura dos portões revelou uma estrutura cuidadosamente preparada na área externa do Auditório Ibirapuera, unindo música, feira de vinis e espaços de convivência. O público, composto por diferentes gerações que iam desde os jovens descobrindo os clássicos até os veteranos que viveram a década de 1980, preencheu o gramado com camisetas de bandas e jaquetas de couro. A expectativa no ar era palpável, já que o line-up prometia uma sequência histórica de shows com repertórios intocados pelo tempo.






A responsabilidade de inaugurar os palcos coube à banda brasiliense Plebe Rude, que subiu sob um sol forte para executar o clássico "O Concreto Já Rachou", lançado em 1986. Com guitarras afiadas e uma postura puramente punk, o grupo entregou performances enérgicas de faixas carregadas de críticas sociais e políticas. O público respondeu de imediato, cantando em coro letras que se mostraram surpreendentemente atuais e necessárias.
A apresentação da Plebe Rude estabeleceu o tom nostálgico e urgente que ditaria o restante da maratona musical. O impacto de ouvir um disco fundamental do rock brasileiro tocado na ordem original gerou uma conexão instantânea com a plateia. A banda provou que o vigor de suas composições originais permanece intacto, mantendo a chama da contestação acesa no palco paulistano.






Logo na sequência, a energia pop rock tomou conta do festival com a entrada do cantor Paulo Ricardo. O ex-vocalista do RPM trouxe o lendário show "Rádio Pirata Ao Vivo", álbum de 1986 que revolucionou o mercado fonográfico e se tornou um dos maiores fenômenos comerciais do país. Desde os primeiros acordes sintetizados, a multidão se entregou à nostalgia de uma das maiores superbandas brasileiras de todos os tempos.
Hits inesquecíveis como "Revoluções por Minuto" e "Louras Geladas" ecoaram com força, preparando o terreno para o momento mais aguardado do setlist. Quando Paulo Ricardo entoou os versos da clássica "Olhar 43", o Parque Ibirapuera explodiu em um coro uníssono. A performance performática e carismática do cantor resgatou com precisão o espírito de uma juventude que lotava estádios quatro décadas atrás.




A tarde começou a dar lugar à noite quando Os Paralamas do Sucesso subiram ao palco para apresentar o álbum "Selvagem?", também de 1986. Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone demonstraram a habitual sinergia impecável ao fundirem o rock com elementos de reggae, ska e ritmos afro-caribenhos. A sofisticação musical do trio contagiou a plateia, transformando o gramado em uma imensa pista de dança.
Canções emblemáticas do disco trouxeram à tona a genialidade poética e rítmica da banda. O público acompanhou cada batida e cada solo de guitarra com entusiasmo, evidenciando o respeito eterno dedicado a um dos grupos mais longevos e influentes da história da música nacional. A apresentação dos Paralamas consagrou o entardecer do festival como um momento de pura celebração e transe musical.




Conforme a noite se consolidava, o clima esquentou de forma explosiva com a chegada dos Titãs, prontos para executar o revolucionário "Cabeça Dinossauro". Considerado por muitos como a obra-prima do rock pesado brasileiro, o disco foi reproduzido com a agressividade e a potência necessárias. A sequência de faixas viscerais gerou rodas de mosh e uma vibração intensa em todo o perímetro do evento.
O peso sonoro de faixas marcantes arrastou o público para uma catarse coletiva e contagiante. A performance titânica provou que o repertório agressivo lançado em 1986 continua conversando diretamente com as frustrações e os anseios do ouvinte contemporâneo. O show encerrou a participação das bandas principais do dia em um nível altíssimo de energia e aclamação popular.






Para encerrar com chave de ouro a noite de sábado, o palco recebeu o espetáculo "Meu Sonho é Ser Imortal", uma homenagem emocionante a Rita Lee. Sob a direção e regência de seu filho, Beto Lee, o show reuniu um time estelar de cantoras brasileiras de diferentes gerações. Nomes consagrados dividiram os microfones em solos e duetos marcantes que celebraram a rainha do rock.
O tributo final proporcionou um encerramento recheado de sensibilidade e respeito à memória da maior de nossas artistas. O primeiro dia do C6 no Rock cumpriu com maestria sua proposta conceitual de revalorizar o cenário nacional, unindo nostalgia, celebração e o poder eterno do BRock em um cenário memorável. O público deixou o Parque Ibirapuera de alma lavada, ansioso pelo que ainda estaria por vir no segundo dia do evento.

