A Perfect Circle: um passo à frente no metal alternativo

Quinteto norte-americano retorna com novo single ao Brasil

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German Martinez

8/24/20265 min read

Após 13 anos, o grupo A Perfect Circle se apresenta no Brasil novamente, desta vez ao lado do Puscifer, a outra banda de James Maynard Keenan.

Grande ícone do metal alternativo no início dos anos 2000, o grupo formado por Billy Howerdel e James Maynard Keenan, cravou seu nome no cenário através de suas canções profundas e instrumentais pesados e dilacerantes, numa chance única banda se apresenta em São Paulo, na Suhai Music Hall, no dia 27/11/2026, sexta feira.

Quando Billy Howerdel conheceu Maynard James Keenan (vocalista do Tool) ele já possuía muitos esboços de músicas que ele tinha intenção de criar um projeto, na época Billy era técnico de guitarra do Fishbone, logo depois ele viria a trabalhar na mesma função com o Nine Inch Nails e com o Tool.

Alguns anos mais tarde, Billy, precisava de uma casa pra morar, e quem ofereceu um lar foi justamente Keenan, que morava em North Hollywood (Los Angeles - Califórnia), e tinha um quarto pra compartilhar com ele, nisso a amizade só se fortaleceu, Billy apresentou as demos à Keenan, que logo se identificou com as canções e queria incluir seus vocais nelas. Mas a princípio Billy queria que Elizabeth Fraser, do Cocteau Twins fosse a vocalista do projeto, mas acabou não se concretizando.

Billy topou a idéia de Keenan e ele passou a ser seu grande parceiro musical, devida à essa amizade, eles criariam o nome pro projeto, A Perfect Circle, uma união de amizade e cumplicidade. Assim estava formada a banda, ali a parceria entre Keenan e Billy foi imediata, a banda entregou um metal alternativo cheio de peso e melancolia, graças às letras extremamente confessionais e passionais de Keenan.

Em 1999, além de Billy e Keenan, eles convidaram Paz Lenchantin, baixista dos Pixies, Troy Van Leeuwen, guitarrista do Failure e Tim Alexander, que na época tocava com o Primus, mas que logo daria lugar pra Josh Freese, que vinha do Guns N' Roses, mas tinha trabalhado com vários artistas até então, sem mesmo ter gravado o primeiro disco, eles se apresentaram no festival Coachella (Índio - Califórnia), e chamaram os holofotes pra si. No ano seguinte eles abririam pro Nine Inch Nails.

Nas perfomances Keenan usava adereços, como: vestidos, perucas, sutiãs, dando um ar mais teatral ao show. A banda foi pro estúdio e gravou seu debut, Mer De Noms, que saiu no ano de 2000, e cravou muitas críticas positivas pela mídia especializada, e o álbum ganhou destaque por causa de várias músicas, inclusive de Judith, letra escrita por Keenan, um desabafo sobre a situação da sua mãe que sofreu um derrame e a deixou numa cadeira de rodas, onde Keenan questionava a sua inabalável fé depois de tanto sofrimento, ali Keenan foi incisivo e criticou abertamente a religião que a mãe seguia, a música foi alavancada pelo seu clipe, produzido por David Fincher, que fez obras primas como Seven (Os 7 pecados capitais), Clube da Luta.

Mas o álbum tinha um potencial ainda maior, por culpa de canções como Thinking Of You, The Hollow, 3 Libras e Magdalena, o tom melancólico das canções davam vazão ao lado magistral do grupo, ou seja, era a banda achando seu lugar no cenário norte-americano.

Mas nem tudo eram rosas, o Tool sempre foi prioridade pra Keenan, e em 2001, ele pegou estrada com eles e deixou pra trás Billy até segunda ordem, até que Billy e Van Leeuwen conversavam sobre o conteúdo de um possível novo disco. O álbum estava sendo composto, e o lançamento acabaria sendo adiado, e nesse intervalo de tempo Paz foi tocar no Swans, a outra banda de Billy Corgan e Van Leeuwen entrou no Queens Of The Stone Age. Com a baixa de 2 integrantes, era hora de correr atrás de novos companheiros, foi aí que Geordie White (aka Twiggy Ramirez, como era conhecido na época,, que havia tocado com Marilyn Manson e Nine Inch Nails), entrou na banda, assim como Danny Lohner, também do Nine Inch Nails.

Após um ano com compromissos com Tool, Keenan voltaria com novas idéias pro segundo disco, que já tinham recebido rascunhos pelas mãos de Billy e Van Leeuwen, mas Keenan queria traçar um novo horizonte pras composições, fato que Billy ficou realmente incomodado e frustrado, enquanto ele queria algo mais pesado e profundo, Keenan queria algo mais experimental e mais suave, mudando assim as perspectiva geral do que poderia ser feito pro segundo disco.

Com idéias renovadas e uma possível conciliação como contexto, Keenan trouxe uma idéia conceitual pro álbum, Thirteenth Step, retrata o tratamento pra vícios, que se desenvolve em 13 fases ("Steps"), a idéia era falar sobre a dependência química de uma forma mais lírica e abrangente, através das músicas. O disco também foi recebido pela crítica, e teve 3 singles impecáveis, todos eles com videoclipes muito interessantes, The Outsider, Weak And Powerless, e Blue, foram os petardos desse disco. Danny Lohner sairia pra entrada de Janes Iha, dos Smashing Pumpkins, e logo depois mais um hiato.

Em 2004, Keenan participou do evento Axis Of Justice, capitaneado por Tom Morello e Serj Tankian, contando com os mais variados artistas, sob a causa da justiça social. Após essa performance, surgiu a idéia de um novo disco, eles se propuseram a homenagear alguns artistas com um álbum de "versões", eMOTIVe, de 2004.

Com releituras bem distintas, haviam canções como Imagine de John Lennon, Gimme Gimme Gimme do Black Flag, Freedom Of Choice do Devo, entre outras, eles adicionariam duas faixas inéditas Counting Bodies Like Sheep To The Rhythm Of The War Drums e Passive, uma faixa que até então tinha outro nome, era do projeto Tapeworm, de Trent Reznor com Keenan, mas que acabou remodelada pro álbum. O álbum foi lançado no dia da eleição presidencial nos EUA.

Mais um hiato, e Howerdel desenvolveu a trilha sonora do jogo de videogame Jak X: Combat Racing, Billy colocou suas forças num novo projeto Ashes Divide, enquanto do outro lado se via nascer o Puscifer, projeto de Keenan. Nesta época Matt McJunkins foi convidado pra entrar na banda a convite de Billy, pra assumir o baixo.

Keenan foi convidado pra tocar ao lado de Brian May pra interpretar Bohemian Raphshody, mas não deu certo, no mesmo evento ele convidou Billy pra se apresentar eles viram que entrosamento ainda existia, novas idéias apareceriam pra quem sabe um novo álbum que não aconteceu, mas By And Down foi a nova música a ser executada ao vivo, mas só seria lançada dois anos depois na coletânea Three Sixty. Josh sairia pra entrada de Jeff Friedl.

Mais alguns anos distanciados, até que em 2017 se reuniram novamente, lançaram o single The Doomed pra começar essa nova fase, e daí surge o quarto álbum, Eat The Elephant, um disco crítico e político, e com uma cara cada vez mais de Billy e Keenan. O disco marca a produção de Dave Sardy, que havia trabalhado com artistas como Oasis, Red Hot Chili Peppers e System Of A Down.

Em 2024, Josh Freese colaborou com a gravação do single Sessanta, que comemoraria os 60 anos de Keenan, num split com: Primus,

Puscifer e o A Perfect Circle. A banda lançou o single Starless de surpresa em maio deste ano, a faixa gravada no Lankershim Ranch na Califórnia, produzida por Billy e Matty Green, marca a nova fase da banda.

Ao lado do Puscifer, o grupo fará um passeio por toda sua discografia que tanto marcou o cenário alternativo nos anos 2000.

Foto por Tim Cadiente

Serviço

A Perfect Circle + Puscifer

27/11/2026

Sexta-feira

Suhai Music Hall

Av. das Nações Unidas, 22540

Jurubatuba l Marginal Pinheiros

São Paulo - SP

Ingressos disponíveis

https://www.ticketmaster.com.br/event/vg-a-perfect-circle-puscifer

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