A trajetória brutal do Six Feet Under e o encontro inédito com o público brasileiro
A evolução do death metal norte-americano se consolida com uma turnê histórica em solo nacional
NOTÍCIAS
German Martinez
10/27/20268 min read


O Six Feet Under, ícone indiscutível do death metal mundial, desembarca pela primeira vez em solo nacional para uma aguardada e inédita turnê. Sob a liderança do lendário vocalista Chris Barnes, a banda se apresenta em capitais brasileiras fundamentais, coroando uma trajetória de mais de três décadas de pura brutalidade e peso avassalador.
O giro pelo Brasil acontece no final de outubro e início de novembro de 2026. Após passar por Belo Horizonte e Recife, o grupo tem apresentações históricas marcadas em São Paulo, no clássico Hangar 110 no dia 1º de novembro, e encerra a jornada no Tork n' Roll, em Curitiba, no dia 2 de novembro.
Chris Barnes foi o vocalista original e principal arquiteto lírico do Cannibal Corpse entre 1988 e 1995, período em que a banda moldou as bases do death metal contemporâneo. Com sua voz gutural absurdamente profunda e inédita para a época, ele liderou o grupo de Buffalo nos quatro primeiros e mais influentes álbuns da carreira: Eaten Back to Life (1990), Butchered at Birth (1991), Tomb of the Mutilated (1992) e The Bleeding (1994). A presença de palco intimidadora de Barnes e sua entrega vocal monstruosa transformaram a banda em um fenômeno global da música extrema.
Além da performance técnica, Barnes foi o grande responsável pela estética ultra-violenta e cinematográfica que se tornou a marca registrada do grupo. Inspirado por filmes de terror gore e fanzines de assassinos em série, ele escreveu letras chocantes que testaram os limites da censura em diversos países, resultando em proibições de turnês e capas banidas. Faixas icônicas como "Hammer Smashed Face" tornaram-se hinos definitivos do gênero graças ao casamento perfeito entre os riffs técnicos da banda e a imagética brutal criada por ele.
A jornada de Chris Barnes com o Cannibal Corpse chegou ao fim em 1995, durante as sessões de composição do álbum Vile. Divergências artísticas e o desejo do vocalista de focar em seu projeto paralelo, o Six Feet Under, levaram à sua saída definitiva. Embora sua partida tenha dividido os fãs na época, o legado deixado por Barnes nesses sete anos iniciais permanece intocável, sendo reverenciado até hoje como a era de ouro que colocou o Cannibal Corpse no topo do metal mundial.
A saída de Chris Barnes do Cannibal Corpse em 1995 não foi uma decisão amigável, mas sim uma demissão por telefone motivada por um desgaste insustentável na dinâmica interna, além de fortes divergências criativas e técnicas. A banda queria evoluir para uma sonoridade muito mais rápida, complexa e técnica. Enquanto os outros músicos aprimoravam suas habilidades, os vocais e padrões de Barnes começaram a soar repetitivos e limitados para a nova proposta. Ele, por sua vez, preferia uma linha mais cadenciada, pesada e focada no groove.
Durante as sessões do álbum que viria a ser o Vile (originalmente batizado de Created to Kill com a voz de Barnes), o resto do grupo ficou frustrado com o desempenho vocal e lírico do cantor. A gota d'água ocorreu na música "Devoured by Vermin": os integrantes rejeitaram a letra escrita por Barnes, e o baixista Alex Webster decidiu reescrevê-la por completo. Sabendo disso, o vocalista perdeu o entusiasmo pelo projeto. Segundo o baterista Paul Mazurkiewicz, já existiam conflitos de personalidade acumulados há anos. Barnes tentava controlar as decisões do grupo de forma independente, o que gerava animosidade. O próprio vocalista admitiu publicamente em entrevistas que ele era o principal responsável pela maior parte da tensão dentro da banda na época.

A estreia da banda aconteceu com o aclamado Haunted em 1995. Inicialmente concebido como um projeto paralelo de Chris Barnes com o guitarrista Allen West, o registro chamou a atenção do mundo pela produção crua e direta. O debut sedimentou a proposta de entregar um metal arrastado, focado em batidas cadenciadas e riffs de pura agressividade física. As composições desse trabalho se tornaram obrigatórias nas apresentações ao vivo do conjunto desde então.
Com o lançamento de Warpath em 1997, o projeto se tornou a ocupação principal de Barnes após sua saída definitiva do Cannibal Corpse. O álbum incorporou uma cadência ainda mais nítida, flertando abertamente com o chamado death 'n' roll. As guitarras ganharam uma afinação imponente e pesada, expandindo a fúria rítmica herdada do cenário da Flórida. Músicas desse período mostram uma banda disposta a desacelerar o andamento para esmagar os ouvidos dos fãs.
O ano de 1999 marcou o lançamento de Maximum Violence, um verdadeiro divisor de águas técnico e lírico para o grupo. O disco consolidou a entrada do guitarrista Steve Swanson, injetando uma precisão renovada nas bases harmônicas. A violência gráfica das letras atingiu o ápice com faixas emblemáticas que se tornaram hinos imortais do catálogo do Six Feet Under. A recepção calorosa da crítica especializada carimbou o álbum como um clássico instantâneo do metal extremo.
Em True Carnage, lançado em 2001, a banda decidiu arriscar novas dinâmicas sonoras ao convidar participações inusitadas. A sonoridade densa ganhou novos contornos sem perder a tradicional assinatura rústica dos vocais guturais de Barnes. A produção robusta destacou o contrabaixo estridente e a bateria cadenciada, explorando rítmicas de groove acentuado. O álbum expandiu a base de ouvintes pelo planeta, garantindo turnês mundiais massivas.
O provocativo Bringer of Blood, que chegou ao mercado em 2003, trouxe uma abordagem lírica direta e agressiva. Musicalmente, o álbum dobrou a aposta nos andamentos mid-tempo fáceis de acompanhar nas pistas e festivais. Foi nesse registro que técnicas inovadoras de vocalização extrema começaram a ganhar contornos definitivos e experimentais. O disco provou que o metal extremo do grupo continuava relevante e comercialmente forte.
Lançado em 2005, o enigmático álbum 13 adicionou uma camada sombria e soturna à fórmula da banda. As estruturas das músicas tornaram-se intencionalmente cruas e monolíticas. A obra dividiu opiniões, mas foi celebrada por aqueles que reverenciam a essência primitiva do estilo. Faixas desse disco demonstram a resiliência criativa em manter a identidade pesada viva.
Com Commandment em 2007, o conjunto retornou às raízes diretas do death metal que os consagrou no final dos anos 1990. Os riffs velozes voltaram a ter espaço de destaque na parede sonora criada pelas guitarras. A resposta do público consagrou as canções como um retorno triunfal à boa forma técnica. O álbum reaqueceu a energia interna do quarteto para os palcos mundiais.

O denso Death Rituals, disponibilizado em 2008, aprofundou a atmosfera macabra com letras focadas em temas obscuros. A cozinha rítmica entregou desempenhos brutais que desafiaram a resistência dos alto-falantes. A mixagem polida realçou cada rosnado cavernoso disparado pelo vocalista. O trabalho funcionou como um encerramento natural para uma era importante da formação.
O disco Undead, lançado em 2012, iniciou uma fase de profundas reformulações no line-up clássico da banda. Com novos músicos de apoio, a agressividade e a velocidade foram elevadas a patamares técnicos impressionantes. Os solos ganharam maior complexidade melódica, surpreendendo os seguidores veteranos. Essa energia renovada provou que o Six Feet Under sabia se reinventar diante de crises internas.
Lançado em 19 de março de 2013 pela gravadora Metal Blade Records, Unborn é o décimo álbum de estúdio da renomada banda americana de death metal Six Feet Under. Concebido como uma espécie de "gêmeo fraterno" do disco anterior, Undead (2012), o trabalho reflete um dos períodos mais produtivos na carreira do vocalista e fundador Chris Barnes. Musicalmente, o álbum mantém o tradicional foco do grupo em um death 'n' roll cadenciado e cheio de groove, trazendo riffs marcantes e uma atmosfera agressiva com letras focadas em temas sombrios, gore e desequilíbrio mental.
O álbum também se destaca pelas importantes mudanças e colaborações em sua ficha técnica. Unborn marcou a estreia oficial do baixista Jeff Hughell e do guitarrista Ola Englund na discografia da banda, além de contar com contribuições especiais de compositores como Ben Savage (Whitechapel) e Jari Laine (Torture Killer). Entre os principais destaques elogiados pela crítica e pelos fãs estão faixas como "Prophecy", "Zombie Blood Curse" e "Decapitate", que ajudaram a consolidar o trabalho como um registro sólido e revigorado dentro das duas décadas de estrada que o Six Feet Under celebrava na época.
Lançado em 2015, Crypt of the Devil destaca-se na discografia do Six Feet Under pela sua abordagem instrumental única, já que o vocalista Chris Barnes recrutou os integrantes do Cannabis Corpse para compor e gravar todo o álbum em estúdio. Essa colaboração injetou uma velocidade agressiva e uma complexidade técnica que há muito não se via no grupo, trazendo solos inspirados e dinâmicas que resgataram a essência brutal do death metal dos anos 1990. Faixas potentes como "Open Coffin Orgy" coroaram o trabalho, que foi amplamente elogiado pela crítica especializada por sua energia renovada e riffs avassaladores.
Lançado em 2 de outubro de 2020 pela gravadora Metal Blade Records, Nightmares of the Decomposed é o décimo terceiro álbum de estúdio de inéditas da banda americana de death metal Six Feet Under. O grande chamariz do projeto foi a reunião histórica entre o vocalista Chris Barnes e o guitarrista Jack Owen, antigos companheiros que haviam gravado juntos os primeiros e mais emblemáticos discos do Cannibal Corpse. Musicalmente, o álbum traz uma forte dose de death 'n' roll e groove metal, apostando em ritmos cadenciados, riffs pesados e andamentos mais arrastados, com faixas como "Amputator", "Zodiac" e "Death Will Follow" ditando a tônica mrbida e direta do trabalho.
Apesar da expectativa gerada pela entrada de Owen, o álbum acabou se tornando um dos lançamentos mais polarizadores e debatidos de toda a trajetória do grupo. Enquanto parte do público e da imprensa especializada elogiou o trabalho das guitarras de Jack Owen e Ray Suhy, além do tradicional senso de humor doentio de Barnes, o disco recebeu duras críticas focadas principalmente na performance vocal de Chris Barnes. Muitos revisores apontaram um forte desgaste em seus guturais e questionaram a produção de faixas como "The Rotting" e "The Noose", dividindo opiniões entre os fãs de longa data e os detratores da sonoridade moderna da banda.

Chegando em 2024, Killing for Revenge destacou-se pela parceria criativa renovada e precisa com o guitarrista Jack Owen. O álbum exala a agressividade clássica dos primórdios da cena de Tampa. As composições rápidas e certeiras miraram diretamente no gosto dos fãs saudosistas do puro death metal. A recepção calorosa da mídia especializada abriu caminho direto para o planejamento de novos palcos ao redor do globo.
O mais recente capítulo fonográfico é o brutal Next to Die, lançado mundialmente em 2026. O material reflete a atual maturidade cênica do grupo e serve de base conceitual para o repertório do giro latino-americano.
Os shows agendados no Brasil para o mês de novembro representam a coroação definitiva dessa rica história musical. Será a oportunidade perfeita para o público brasileiro testemunhar a lenda viva do metal extremo em sua máxima potência.

SERVIÇO
Belo Horizonte
Data: 30 de outubro de 2026, sexta-feira
Local: Mister Rock
Endereço: Avenida Tereza Cristina, 295, Prado, Belo Horizonte/MG
Ingresso: 101tickets.com.br/events/details/Six-Feet-Under-em-Belo-Horizonte-30-out
Limeira
Data: 31 de outubro de 2026, sábado
Local: Mirage
Endereço: Avenida Professor Joaquim de Michieli, 755
Ingresso: circleofinfinityproducoes.com/six-feet-under-chaos-synopsis-31-10-2026-mirage-limeira-sp/
São Paulo
Data: 1º de novembro de 2026, domingo
Local: Hangar 110
Endereço: Rua Rodolfo Miranda, 110, Bom Retiro, São Paulo/SP
Ingresso: 101tickets.com.br/events/details/Six-Feet-Under-em-Sao-Paulo-01-nov
Curitiba
Data: 2 de novembro de 2026, segunda-feira
Local: Tork N’ Roll
Endereço: Avenida Marechal Floriano Peixoto, 1695, Rebouças, Curitiba/PR
Ingresso: 101tickets.com.br/events/details/Six-Feet-Under-em-Curitiba-02-nov



