Balaclava Fest: a união de várias vertentes

A 16ª edição do Balaclava Fest acontece nos dias 26 e 27 de setembro de 2026 (sábado e domingo) no Tokio Marine Hall, em São Paulo

German Martinez

9/21/202610 min read

O Balaclava Fest de 2026 chega consolidado como a maior edição da história do evento, celebrando sua 16ª edição no mercado de música independente. Pela primeira vez, o festival dobra de tamanho e expande sua programação para dois dias inteiros, trazendo 16 atrações nacionais e internacionais para São Paulo. O evento acontece nos dias 26 e 27 de setembro no tradicional espaço do Tokio Marine Hall, consagrando o selo e produtora Balaclava Records como uma das principais referências da cena alternativa na América do Sul.

A curadoria do festival foi milimetricamente planejada para conectar diferentes gerações e vertentes sonoras, transitando por gêneros como indie rock, shoegaze, dream pop e pós-punk. Uma das grandes novidades estruturais desta edição é a divisão das bandas em dois palcos com horários não conflitantes. Isso permite que os fãs acompanhem de perto cada um dos oito shows diários programados, garantindo um aproveitamento total da experiência festival sem a necessidade de escolher entre palcos.

O primeiro dia, sábado (26/09), destaca a sofisticação do trio alternativo Blonde Redhead, o pós-punk falado dos britânicos do Dry Cleaning e o rock introspectivo de Pedro The Lion, acompanhados por Bar Italia, Wishy, Sharp Pins, Ludovic e Pedro Mizutani. No domingo (27/09), a energia se renova com o show inédito dos norte-americanos do DIIV no país, além das apresentações de Beach Fossils, Wednesday, High Vis, Sudan Archives, Winona Riders, Adorável Clichê e Budang.

Para os interessados em garantir presença na reta final de vendas, as entradas oficiais estão disponíveis de forma online na plataforma oficial de ingressos Ingresse. A organização preparou também o "Balaclava Combo", que oferece desconto de 20% no valor final para quem adquirir o passaporte de dois dias, além de benefícios como entrada prioritária e vantagens em merchandising oficial.

Nesta ocasião falamos sobre o line-up de domingo. A banda DIIV (originalmente chamada de Dive) é um dos nomes mais influentes do cenário indie rock e shoegaze contemporâneo, formada no Brooklyn, Nova York, em 2011. Idealizado pelo vocalista e guitarrista Zachary Cole Smith, o projeto musical nasceu como uma válvula de escape criativa e logo se transformou em uma banda completa, conhecida por suas guitarras repletas de reverberação e melodias etéreas.

O som do grupo combina de forma única a urgência do pós-punk com as paisagens sonoras e imersivas do dream pop. Com o lançamento do álbum de estreia, Oshin (2012), o DIIV capturou a atenção da crítica especializada e conquistou uma base de fãs dedicada. Suas faixas são marcadas por linhas de baixo pulsantes e riffs de guitarra hipnóticos que se entrelaçam de maneira quase matemática, criando uma atmosfera nostálgica e melancólica.

Ao longo dos anos, a trajetória da banda foi marcada por intensos desafios pessoais de Cole Smith, incluindo sua luta pública contra a dependência química. Essas experiências moldaram profundamente a identidade lírica e sonora dos trabalhos seguintes, como Is the Is Are (2016) e o aclamado Deceiver (2019). Este último trouxe uma sonoridade visivelmente mais pesada, sombria e distorcida, refletindo o processo de recuperação e maturidade dos integrantes.

Consolidando sua evolução artística, o DIIV lançou em 2024 o álbum Frog in Boiling Water, mantendo o compromisso com a exploração de texturas sônicas densas e críticas sociais afiadas. Hoje, o quarteto é amplamente respeitado por sua resiliência e capacidade de transformar crises em arte genuína, solidificando seu status como uma das forças mais autênticas e originais da música alternativa atual

Beach Fossils, também formada no Brooklyn, Nova York, é uma banda de indie rock criada em 2009. Liderado pelo vocalista e multi-instrumentista Dustin Payseur, o projeto nasceu originalmente como uma iniciativa solo antes de se expandir para um grupo completo. A banda se tornou rapidamente um dos nomes mais influentes do cenário musical independente do início dos anos 2010.

O som do grupo é amplamente reconhecido por sua estética lo-fi e pelo estilo surf rock moderno, misturando guitarras limpas com reverberação marcante e linhas de baixo melódicas. Suas composições transmitem uma atmosfera nostálgica, urbana e relaxada. Essa identidade sonora ajudou a consolidar o chamado subgênero dream pop e capturou perfeitamente a essência da juventude daquela década.

Ao longo da carreira, a banda lançou álbuns aclamados pela crítica, começando pelo autointitulado Beach Fossils (2010) e o dinâmico Clash the Truth (2013). No entanto, foi com o amadurecido Somersault (2017) e o recente Bunny (2023) que o grupo expandiu suas fronteiras musicais, incorporando arranjos de cordas, pianos e uma produção mais limpa e sofisticada, sem perder a sua essência melancólica.

Com apresentações ao vivo enérgicas e uma base de fãs extremamente fiel ao redor do mundo, o Beach Fossils permanece como um pilar fundamental do selo Captured Tracks e do indie contemporâneo. A capacidade de Dustin Payseur de transformar crises existenciais e observações do cotidiano em melodias leves e cativantes garante à banda um lugar de destaque na história da música alternativa.

A banda Wednesday, originária de Asheville, Carolina do Norte, tem se destacado como uma das forças mais vibrantes do indie rock e do shoegaze contemporâneo. Liderado pela vocalista e compositora Karly Hartzman, o quinteto mistura guitarras barulhentas com melodias ricas e texturas que remetem ao rock alternativo dos anos 1990.

O som do grupo é marcado por um contraste fascinante entre a distorção pesada e a melancolia do country alternativo. A presença marcante da lap steel guitar adiciona uma atmosfera tipicamente sulista às composições, criando uma identidade única que transita facilmente entre o barulho caótico e a calmaria nostálgica.

Nas letras, Karly Hartzman atua como uma cronista da vida cotidiana e das complexidades de crescer no sul dos Estados Unidos. Suas composições trazem imagens vívidas, histórias suburbanas e sentimentos viscerais que encontram eco em uma base de fãs cada vez mais fiel e apaixonada.

Com aclamação unânime da crítica em álbuns recentes, a Wednesday consolida seu espaço no cenário musical atual. Eles provam que é possível honrar o legado do rock de guitarra do passado e, ao mesmo tempo, inventar algo totalmente novo, autêntico e emocionante.

High Vis é uma banda britânica formada em Londres em 2016 que vem redefinindo as fronteiras do punk moderno. Surgido a partir da vibrante cena hardcore underground da capital inglesa, o grupo rapidamente chamou a atenção por misturar a agressividade crua de suas origens com melodias marcantes e texturas sonoras mais amplas.

O som da banda é uma fusão magnética de gêneros, combinando a energia do pós-punk com o peso do hardcore e o brilho melódico do britpop dos anos 90. Essa mistura resulta em canções que são ao mesmo tempo intensas e hínicas, impulsionadas por guitarras reverberantes e uma seção rítmica precisa. Essa identidade única faz com que eles agradem tanto aos fãs de música pesada quanto aos entusiastas do rock alternativo.

Nas letras, o vocalista Graham Sayle despeja crônicas realistas e viscerais sobre a vida da classe trabalhadora no Reino Unido, abordando temas como saúde mental, traumas, alienação urbana e sobrevivência cotidiana. Longe dos clichês niilistas, as composições do High Vis equilibram a frustração e a raiva com um profundo senso de empatia, solidariedade e busca por redenção comunitária.

Com álbuns aclamados pela crítica e apresentações ao vivo conhecidas pela entrega catártica, o High Vis se consolidou como uma das vozes mais vitais e autênticas da música alternativa atual. Eles provam que é possível manter a postura e a urgência do faça-você-mesmo (DIY) enquanto expandem seus horizontes musicais para alcançar novos públicos globalmente. O grupo fará um show extra no Bar Alto, em São Paulo, na segunda feira, dia 28-09, já com ingressos esgotados.

Winona Riders é uma banda argentina formada em 2018 na zona oeste da Grande Buenos Aires que se tornou um dos nomes mais eletrizantes e provocativos do rock sul-americano contemporâneo. Brincando com o nome da famosa atriz de Hollywood, o sexteto surgiu com o objetivo claro de chacoalhar o circuito musical independente através de uma postura desafiadora e totalmente focada na catarse das apresentações ao vivo.

A sonoridade do grupo é uma verdadeira viagem hipnótica e barulhenta, que foge das estruturas tradicionais do rock de rádio. Eles misturam a repetição rítmica do krautrock com o peso do noise rock, adicionando generosas doses de psicodelia garageira, space rock e proto-punk. Essa fusão cria atmosferas densas e densamente distorcidas, fortemente influenciadas por lendas como The Velvet Underground, The Stooges e The Brian Jonestown Massacre.

O reconhecimento massivo no cenário alternativo foi consolidado com o lançamento do aclamado álbum de estreia, Esto es lo que obtenés cuando te cansás de lo que ya obtuviste (2023). Com uma postura confiante — chegando a declarar que o registro seria o melhor álbum nacional dos últimos 20 anos —, a banda conquistou o público no "boca a boca" pós-pandemia e expandiu sua discografia com trabalhos intensos, incluindo o lançamento de seu segundo disco de estúdio, intitulado 0%.

Mais do que apenas músicas gravadas, os Winona Riders transformam seus shows em verdadeiros rituais de transe coletivo e pura rebeldia. Com uma formação que inclui guitarras cortantes, sintetizadores e uma percussão marcante, o sexteto se recusa a seguir as regras pré-moldadas da indústria pop, fincando os pés como uma força vital, barulhenta e totalmente autêntica no rock atual.

Sudan Archives é o projeto artístico de Brittney Denise Parks, uma violinista, cantora, compositora e produtora americana que vem revolucionando a música contemporânea ao misturar tradição e vanguarda. Nascida em Cincinnati e hoje baseada em Los Angeles, ela adotou o nome artístico após mergulhar profundamente nos estilos de execução do violino típicos do Nordeste da África. Autodidata no instrumento, que aprendeu a tocar de ouvido ainda na infância, Parks subverte a erudição clássica ocidental ao colocá-lo como o motor de criações intensamente rítmicas e experimentais.

A sonoridade da artista é uma fusão hipnótica e afrofuturista de Alternative R&B, art pop, hip-hop e eletrônica. Através do uso de pedais de efeito e sobreposições de loops gravados ao vivo, ela transforma seu violino em linhas de baixo pulsantes, sintetizadores texturizados e arranjos orquestrais imprevisíveis. Suas composições equilibram ganchos melódicos extremamente acessíveis com uma estrutura vanguardista e experimental, o que rapidamente chamou a atenção da influente gravadora Stones Throw Records, com quem assinou em 2017.

Sua consagração crítica foi construída passo a passo através de lançamentos ambiciosos. Após chamar a atenção com seu álbum de estreia, Athena (2019), Sudan Archives atingiu o estrelato alternativo com o aclamado Natural Brown Prom Queen (2022), vencedor do prêmio Libera de Melhor Álbum de R&B, onde destrinchou suas vivências familiares e questões de identidade com uma energia contagiante. Mais recentemente, com o lançamento de The BPM (2025), ela expandiu ainda mais suas fronteiras ao injetar a efervescência da house music e da cultura de pista de Detroit e Chicago em suas cordas.

No palco, Sudan Archives se comporta como uma verdadeira cientista sônica, comandando suas apresentações de maneira solo e magnética, muitas vezes comparada a uma simbiose ciborgue devido à quantidade de fios e tecnologias que manipula. Suas letras tocam em temas de autonomia feminina, solidão, euforia, traumas e curas cotidianas. Com uma abordagem visceral e completamente livre de amarras industriais, ela se consolida como uma das mentes mais inovadoras, imprevisíveis e fascinantes da música global atual.

Adorável Clichê foi formada em 2013 na cidade de Blumenau, Santa Catarina, e se consolidou como uma das principais referências contemporâneas do shoegaze e do dream pop no país. O projeto nasceu da união de músicos então adolescentes cheios de ideias. O nome surgiu de forma despretensiosa, inspirado nas primeiras composições da vocalista Gabrielle Philippi, que eram vistas como emocionalmente carregadas e "clichês", mas que carregavam uma doçura verdadeiramente adorável.

A sonoridade do grupo catarinense é marcada por uma atmosfera imersiva e nostálgica, construída a partir de guitarras repletas de reverberação, texturas melancólicas e sintetizadores envolventes. Comandada pela voz doce e confessional de Gabrielle, a banda — atualmente completada por Marlon Lopes da Silva, Felipe Protski e Gabriel Geisler — equilibra o peso e as paredes de som típicas do rock alternativo dos anos 90 com melodias acessíveis e intimistas, conversando diretamente com quem sente tudo de forma muito intensa.

O primeiro grande impacto nacional veio com o elogiado álbum de estreia, O Que Existe Dentro De Mim (2018), que mergulhou em temas profundos como a ansiedade urbana, a solidão e as angústias cotidianas. Gravado de forma independente na cidade natal, o registro chamou a atenção dos principais veículos de música alternativa. A consolidação definitiva e o amadurecimento artístico vieram anos depois com o celebrado disco sonhos que nunca morrem (2024), lançado pelo renomado selo Balaclava Records, que figurou nas listas de melhores álbuns do ano.

Mais do que apenas criar belas paisagens sonoras, o quarteto catarinense transforma desabafos sobre dependência emocional, términos e recomeços em canções acolhedoras para o ouvinte. Mantendo viva a essência da produção caseira e o cuidado meticuloso com a própria arte, o Adorável Clichê segue conquistando palcos importantes pelo Brasil, firmando-se como uma voz vital, autêntica e altamente sensível na nova cena do indie rock nacional.

A Budang é um dos nomes mais explosivos e celebrados do novo hardcore brasileiro. Formada em 2019 em Florianópolis, Santa Catarina, a banda começou a chamar a atenção do circuito underground por sua sonoridade agressiva, sagaz e profundamente conectada com a cultura urbana contemporânea. Misturando a urgência clássica do punk com gírias e referências locais da "Ilha da Magia", o quarteto construiu rapidamente uma identidade única e autêntica na cena de música pesada do país.

O reconhecimento nacional se consolidou com o lançamento de uma série de EPs potentes e, especialmente, com "Magia", o elogiado álbum de estreia lançado no final de 2025 pela gravadora Deck. As faixas do disco funcionam como um termômetro social, utilizando o sarcasmo e a sátira para criticar as pressões do cotidiano moderno, como as exaustivas rotinas de trabalho e as contradições da sociedade atual. Canções emblemáticas como a dobradinha "Magia / Budangól" mostram a habilidade do grupo em criar refrões marcantes sem perder o peso instrumental.

Conhecida por ser uma legítima "banda de palco", a Budang construiu sua reputação com apresentações ao vivo avassaladoras. Suas turnês transformam casas de shows renomadas — como o Cine Joia em São Paulo e o Circo Voador no Rio de Janeiro — em imensas e caóticas rodas punk do primeiro ao último segundo. Essa energia visceral garantiu ao grupo presença confirmada em importantes festivais nacionais e o título de Banda Revelação pelo prestigiado prêmio Tenho Mais Discos Que Amigos!.

Em 2026, a banda passou por uma importante virada em sua trajetória com a saída amigável do vocalista original, Guilherme Guths, e o anúncio de Léo Brah (ex-Pele Fria) assumindo os vocais. Completada por Vinícius Lunardi na guitarra, Pedro Sabino no baixo e Felipe Royg na bateria, a Budang prova que "o bonde não tem freio". O grupo segue firme na estrada, expandindo os horizontes de seu hardcore com força total e provando o poder de renovação da música independente brasileira.

Foto DIIV por Louie Kovatch

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