Booze And Glory: de punhos erguidos pra celebrar

De volta ao Brasil após 9 anos, banda londrina mata saudade dos fãs brasileiros

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Texto German Martinez - Fotos Raíssa Corrêa

3/8/20264 min read

Se tem uma paixão que o brasileiro tem em comum com o inglês além da cerveja e do Punk Rock, certamente é o futebol. Mal sabiam eles que o esporte trazido por Charles Miller pra cá no início do século passado iria se tornar um grande expoente da nossa cultura brasileira. Logo quando os primeiros times como o Corinthians, São Paulo, Santos e Palmeiras começaram a começar atividades por este solo, na Inglaterra não era diferente.

Se todos tem um time do coração, no caso dos caras do Booze And Glory é o West Ham United, time do xxxx de Londres, do qual tem uma torcida empolvorosa do proletariado local, e aí onde a banda se encaixa, a tamanha paixão pelo time, os fez se aproximar da torcida, gerando assim músicas pra cantar junto. As outras duas paixões do Booze, é o Punk Rock que tanto deixou sua marca no cenário inglês, e consequentemente mundial, a cerveja nunca pode faltar, e juntando esses 3 temas, foi construída a história de uma das bandas contemporâneas do cenário Street Punk londrino.

Se da última vez, a banda veio com os parceiros do Irish Punk, do Dropkick Murphys da Irlanda ao Brasil, desta vez eles vieram sozinhos, mas não mal acompanhados pelas bandas 88 Não! e Faca Preta, que fariam as honras da casa. Marcado pro clássico Hangar 110, casa tradicional de São Paulo, que abrigou o melhor do Punk/Hardcore por aqui. Localizada na zona norte da capital, próxima a estação Armênia, do metrô, a casa sempre foi uma válvula de escape pra música de qualidade de todos os cantos do mundo.

Com um relativo atraso, com muita gente ainda do lado de fora, o Faca Preta, veio trazer seu Street Punk libertário pro show. O grupo que existe de 2013, e possui 2 álbuns e 1 EP, entoou canções como: São Paulo, Donos do Futuro, O caminho das Ruas, e Coração Libertário, que se destacaram no set da banda.

Teve direito a um cover de um dos maiores representantes do Street Punk, We'Re Coming Back dos ingleses do Cock Sparrer. O filho do vocalista Fabiano, o garoto Breno, subiu ao palco pra cantar junto do pai, a canção Lutando de braços cruzados, o que mostra é que a música ainda une as gerações.

O 88 Não! vinda da região de Mauá, no ABC Paulista, e com uma trajetória grande no cenário, a banda tocou várias faixas do seu mais novo disco, além de mesclar com canções mais antigas.

A banda chamou ao palco um trio formando o naipe de metais que faz parte do projeto Gritando Ska!, e também teve participação do Magno Nunes do Rosa Tigre. No set algumas músicas foram celebradas com mais entusiasmo como: Nossa História, Canto Pra Morar, e o cover de Rock de Subúrbio dos Garotos Podres.

E tarde da noite, com o cronômetro pra lá de descontrolado, o Booze And Glory subiu no palco, recebidos de forma mais quente possível, o quinteto mostrou ao que veio, e logo despejou músicas como: The Day I'm In My Grave e Leave The Kids Alone, esta sendo ovacionada desde seu começo.

Faixas novas como Brace Up, Boys Will Be Boys, Mad World, condensaram muito bem com os clássicos do calibre de London Skinhead Crew, Carry On, Ticking Bombs.

Era inegável que muitas das músicas que mais agitavam o público eram da fase mais Oi! da banda, mas isso não era um problema pra quem conhece a banda da fase mais atual, que caminha muito mais pro Street Punk, porque o setlist contemplava faixas de todas as épocas da banda.

O vocalista Mark RSK, é de uma simpatia total e ajudava quem subia no palco, Swinging Hammers foi uma das mais bombásticas da noite, assim como Raising The Roof, entre outras tantas que possuem um poder de resposta imediato com a platéia que pogava desde o primeiro acorde do show.

Cada vez mais os torcedores com suas camisas de time se aproximavam do palco pra tentar subir ao palco ou tentar cantar alguma estrofe de alguma faixa.

Foram quase 20 canções num set que agradou uma nova geração de fãs, e certamente os seguidores de longa data da banda, pois as faixas abrangeram grande parte da discografia do grupo.

Após 9 anos de espera o Booze And Glory, fez valer a pena esse último sábado de fevereiro, que acabou sendo fechado com chave de ouro pelos britânicos.