Britânicos do Pigs x7 fazem show ensurdecedor em mais uma edição do MassariFest
Em sua terceira edição, festival crava sua importância no cenário alternativo paulistano
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Texto German Martinez - Fotos Raíssa Corrêa
7/6/20266 min read


Quando a primeira edição do Massari Fest foi realizada em 2024, com a presença do japoneses do Acid Mothers Temple, logo saberíamos que o aniversário do Reverendo comemorado dessa forma seria um dia a se carimbar no calendário de shows paulistanos. Sob a curadoria do próprio Fabio Massari, ele escolheu pro ano posterior os norte- americanos do A Place To Bury Strangers, e desta vez a escolha novamente de forma assertiva seriam os britânicos de Newcastle, do Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs, que vem destacando no cenário atual.
Celebrado normalmente nos meses de setembro, nesta ocasião a festa mudou pro mês de julho, novamente sediado no Fabrique Club, localizado no bairro da Barra Funda, e de fácil acesso por causa do metrô bem próximo, o Fest trouxe um público de vários cantos do estado de São Paulo e também do Brasil.




Já que a curadoria é do Reverendo, ele escolheu o Firefriend pra abrir os trabalhos desta sexta-feira um tanto quanto fria, já que os termômetros marcavam 13°. Julia e Yury levam adiante o projeto criado há mais de 20 anos.
A carreira prolifica do Firefriend esbanja vários discos fundamentais como Avalanche ou Decreation Facts na sua discografia, turnês pela gringa e a certeza de ter sua marca no cenário brasileiro.
Há tempos não conferiamos o show do grupo, mas logo nos fez lembrar de quando tocaram no RZ Fest, quando celebramos 2 anos de vida, há uns bons anos atrás, enfim, esqueçamos a nostalgia, o show atual é muito mais que isso, hoje a banda conta com Ricardo Cifas na bateria, que trouxe uma forma mais pesada de se tocar e um punch diferente nas baquetas, além de Pinhead que assumiu os teclados e sintetizadores.




Liderados por Bruno Kayapy, o Macaco Bong veio representar o som instrumental, um dos estilos que mais proporciona grandes bandas no Brasil há no mínimo 20 anos.
Tendo lançado discos emblemáticos como Artista Igual Pedreiro e This Is Rolê, o Macaco Bong passou por várias mutações até chegar no seu momento atual, como um quarteto. O som passeia por nuances leves com batidas que muito lembram ritmos brasileiros mas também coisas bem pesadas.
A banda apresentou músicas que estarão no próximo álbum que deve sair ainda este ano, e demonstrou que estas novas canções tem personalidade própria pro atual momento do grupo.




Após uma noite de lançamento no dia anterior no FFFront, com sua versão em vinil amarelo do seu mais recente álbum Death Hillarious, lançado nacionalmente pela Powerline, os Pigs x7 provaram a brasileiríssima caipirinha e sentiram o gosto de pisar pela primeira vez no Brasil.
A ansiedade do público estava a mil, e acreditamos que da banda também, como Matt acabou reforçando numa de suas falas.
Sem nem um pingo de estrelismo a banda caminhava entre o público, pra respirar um ar fora do camarim, Matthew Baty foi visto exibindo uma clássica camisa do Corinthians, da época do Democracia Corinthiana. Eis que o quinteto subiu ao palco, alinhados com Adam Ian Sykes na esquerda, ao lado de John Michael Joseph Hedley no baixo, no centro Ewan Mackenzie na bateria, á nossa direita Sam Grant, e Matt, mesclando seu sintetizador e o centro do palco.




E o quê se pôde ver ali? Foi um alucinante peso de Doom Metal com uma incrível postura de frontman com atitude punk. E se o Pigs x7 pode estar descrito com mais de sete estilos que fazem parte de seu DNA, todos eles podem ser dilacerados dentro de um liquidificador de influências.
Só o riff de The Wyrm, música que abriu o setlist causa um espanto de tão alto que tudo estava, guitarras, baixo, e bateria. Daí pra diante saberíamos que o show seria estridente ao extremo.
É pesado, é hipnótico, as camadas massivas de guitarra e a forma monstruosa de Ewan tocar, tudo isso te leva á várias formas de alucinação mesmo sem o uso de algum psicotrópico ou coisa parecida. O Pigs x7 te carrega pra um portal que carrega o som pesado e riffs hipnóticos, coisa que acontece em faixas como Mr Medicine ou chapada Ulitmate Hammer.
Não é só apenas o olhar de Matt, mas a postura de Adam, sempre de olho pro público. Death Hillarious foi o que pontuou a performance, o quinto disco da banda que foi lançado no ano passado, foi a força motriz do show com patadas sônicas como: Detroit, Carousel, ou Stitches.








A performance é tão avassaladora, que ao invés dela perder o ritmo, o peso e principalmente o volume, no caso do Pigs x7, ela vai ganhando corpo, e se tornando cada vez mais gigantesca. A impecável discografia do grupo que se iniciou em 2017 com Feed The Rats, depois King Of Cowards, de 2018, trouxe a incrível GNT, uma das peças mais fundamentais do grupo.
Matt Baty agradeceu o convite de estar tocando no Brasil e especialmente no MassariFest, enquanto os tímpanos descansavam até que tudo voltasse a explodir em World Crust, uma das faixas mais legais de Viscerals, de 2020. Do maravilhoso Land Of Sleeper, veio a brutal Big Rig.
É inevitável não achar uma semelhança de Matt com alguns personagens do ator/comediante Rob Schneider, conhecido por vários papéis hilários, e que muito lembram o visual do "bigodinho" do vocalista, sua regata e seu shorts são parte da sua referência visual dentro da banda, tanto que o shorts ganhou uma versão personalizada pela Sabot aqui no Brasil.
O Pigs x7, também é uma das maiores referências atuais em termos de videoclipes, que passeiam por todo tipo de loucura, aliado ao peso e perspicácia do grupo em suas aventuras audiovisuais.
Se você olhar com outros olhos a performance dos Pigs x7 soa como uma eterna "jam", devido á viagem que certas faixas te proporcionam, de forma alucinante eles como colocariam pro final uma trinca que seriam Blockage, um típico stoner, que deixou a galera ainda mais alucinada. Seguidas das caóticas Collider e Toecurler, todas elas do Death Hillarious.
Mais uma vez uma guitarra ficou ancorada na estrutura do Fabrique Club pela terceira vez, tornando um fato crucial em suas edições. A imponente apresentação dos britânicos deixou os ouvidos zunindo, e quem saiu quase surdo do local, teve a certeza que esse foi um dos shows mais espetaculares que já tivemos o prazer de vivenciar. E que venha o próximo capítulo do Massari Fest.

