C6 No Rock: O Ibirapuera vibra no segundo dia de festival

Grandes nomes da música e uma atmosfera única marcam o fim de semana em São Paulo.

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Fotos por Raíssa Corrêa - Texto German Martinez

8/30/20264 min read

O segundo dia do C6 no Rock, realizado no domingo, 23 de agosto de 2026, consolidou a proposta do festival de celebrar os grandes clássicos do rock nacional dos anos 1980. Após uma estreia marcada pelo calor intenso e dispersão, o encerramento do evento encontrou seu ritmo ideal no gramado da área externa do Auditório Ibirapuera, em São Paulo.

Com um clima bem mais ameno e o sol brilhando sem a agressividade do dia anterior, o público compareceu cedo para ocupar a pista. O cenário no Parque do Ibirapuera estava perfeito para uma imersão nostálgica, atraindo tanto os fãs veteranos quanto as novas gerações interessadas na Era de Ouro da música brasileira.

A grande sacada do festival, além da música ao vivo, foi a realização de uma Feira de Vinil montada no espaço. Os LPs dos álbuns tocados no palco estavam à venda, permitindo que colecionadores e entusiastas adquirissem cópias físicas e, com sorte, conseguissem autógrafos dos artistas presentes.

A abertura dos shows ficou por conta do Ira!, que subiu ao palco para executar na íntegra o seminal disco Vivendo e Não Aprendendo, lançado originalmente em 1986. Sucessos marcantes como "Flores em Você" e "Dias de Luta" ecoaram pelo parque, mostrando que as canções mantêm o vigor e a urgência de quarenta anos atrás.

Na sequência, a banda Blitz trouxe a sua típica mistura de pop teatral, new wave e irreverência carioca. O show, que contou com a participação especial da cantora Fernanda Abreu, transformou o gramado em uma pista de dança com clássicos divertidos e performances cheias de energia.

A tarde continuou em alto nível com a apresentação de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá. Os músicos remanescentes da Legião Urbana focaram o repertório nas canções de Dois, o segundo disco de estúdio do grupo, apresentando faixas inesquecíveis como "Tempo Perdido" e "Eduardo e Mônica" para um público visivelmente emocionado.

A cantora Marina Lima também teve um papel de destaque no line-up de domingo. Ela revisitou o álbum Fullgás, um dos trabalhos mais sofisticados do pop-rock brasileiro, conectando a plateia com arranjos eletrônicos inovadores e a poesia urbana de suas composições de maior sucesso.

O encerramento do festival ficou reservado para uma grande e emocionante homenagem a Cazuza. O tributo ao eterno poeta do rock reuniu convidados e transformou a área do Ibirapuera em um coro uníssono, celebrando o legado de um dos maiores ícones da cultura pop nacional.

A proposta de tocar os álbuns icônicos na íntegra gerou uma dinâmica interessante entre a euforia dos grandes hits e o estranhamento respeitoso diante de faixas menos conhecidas. O formato valorizou a obra completa dos artistas, permitindo que músicas esquecidas pelos algoritmos atuais ganhassem vida nova no palco.

Ainda que parte da crítica tenha sentido falta de uma conexão direta com vozes contemporâneas na programação principal, o saldo final foi amplamente positivo. A organização impecável e a estrutura confortável mantiveram o padrão que a Dueto e o C6 Bank costumam imprimir em suas produções.

O segundo dia do C6 no Rock provou que o rock brasileiro dos anos 1980 continua encontrando relevância no presente. Entre a nostalgia pura e a celebração cultural, o evento encerrou sua primeira edição deixando viva a memória de uma das décadas mais férteis da nossa música.

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