Cypress Hill: chapados na medida certa

Quarteto californiano fez um show "destruidor" na capital paulista

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Texto German Martinez - Fotos Matias Carsolio

5/3/20263 min read

Depois de uma semana que tinha rolado Orishas no Tokio Marine Hall, no domingo anterior, e uma performance do próprio Cypress Hill no Lollapalooza (no sábado), os californianos fariam seu side show na Audio Club, no dia seguinte, no domingo 22/03. Uma banda que já visitou inúmeras vezes o país, mas que certamente não provoca "chatice" em vê-los ao vivo cada vez que desembarcam por aqui.

Nos arredores, o movimento era intenso, e as filas pro show eram gigantes, tanto que inúmeras pessoas só conseguiram adentrar após o início da performance sob o comando do DJ Lord, que comandou as pick-ups, variando batidas e usando de vários clássicos de peso pra animar o público, colocou Enter Sandman pra agitar geral.

Assim como no HellFest, Lord transformou a Audio numa pista de dança, mesmo que muitos sintam saudade do DJ Muggs, ex-integrante que havia formado o Cypress Hill, Lord já está na banda há pelo menos 7 anos.

Formado em South Gate, na Califórnia, quatro garotos por volta dos 20 anos de idade, fascinados por rap e maconha decidiram pôr pra fora tudo aquilo sentiam na época, a repressão policial, drogas e a cultura "chicana", formados pelos rappers: Louis Freese (B Real), Senen Reyes (Sen Dog), Lawrence Muggerud (DJ Muggs), e por Eric Correa (Eric Bobo).

Talvez a banda californiana com mais alma nova-iorquina do cenário Hip Hop, com sua pegada muitas vezes "Gangsta", com músicas como How Could Just Kill A Man, do poderoso álbum de estréia da banda em 1991. A performance de B Real é intensa, indo de lado a lado do palco, cantando, incitando o público e vociferando suas rimas perfurantes, Sen Dog, um pouco mais acanhado mas que chega sempre na hora exata das canções pra trazer o seu vocal diferenciado que contrabalenceia com o potencial de B Real.

A apresentação é um disparo a cada música, a forma abrasiva que cada que cada canção gera ao público é impressionante. Não faltariam pérolas sinistras como Hits From The Bong, a chapada I Wanna Get High, que deixou o público ainda mais atordoado, a frenética Insane in The Brain, a maravilhosa When The Sit Goes Down. O show é pesado, é altíssimo de volume, as batidas são como estacas cravadas no chão, as rimas e as velocidades são frenéticas de verdade pra você ficar literalmente eletrificado.

Com uma discografia tão impecável como a do Cypress Hill, Temples Of Boom não seria esquecido, muito menos pelo peso de faixas como Throw Your Set In The Air, Make A Move, Boom Bydy Bye Bye. Claro que teve a brutal Tequila Sunrise, a engraçada e doida Dr. Greenthumb, na versão em inglês e não em espanhol. Eric dava um show á parte, espancando a bateria sem dó.

Correndo por fora dos hits óbvios, muitas faixas também tiveram seu brilho particular como Latin Thugs, Lowrider, I Ain't Goin' Out Like That, entre interações com o público, B Real falou do próximo álbum da banda, intitulado Dios Te Bendiga, que deve ser lançado em julho deste ano.

Desde a época do Live At Fillmore, lançado no início dos anos 2000, o Cypress Hill queria mixar o Rap com o Rock de forma sagaz, e não foi á toa que muitas faixas no atual show são o puro exemplo dessa sonoridade como: (Rock) Superstar, ou na versão pesadíssima de Can"t Get The Best Of Me, ou homenageando os também californianos do Rage Against The Machine, a banda pôs dinamite no show com a versão de Bombtrack, faixa emblemática do debut do RATM.

Após toda essa catarse do repertório, a casa quase veio abaixo, com um dos maiores clássicos do Hip Hop, Jump Around, do House Of Pain, pondo fim á uma performance de quase 120 minutos do puro suco do Hip Hop californiano.