Doyle: a mão pesada dos Misfits

Com carreira solo há mais de 13 anos, Doyle retorna ao Brasil pra performance única no país 

German Martinez

4/20/20263 min read

Foi com apenas 16 anos que Paul Cafaia (aka Doyle), começou a dar suas primeiras palhetadas de forma mais séria, sua entrada no Misfits, banda de seu irmão Jerry Only com Glenn Danzig, criada na pequena cidade de Lodi, New Jersey, foi trilhando seu próprio caminho dentro do Hardcore da época. A banda começou a fazer parte do cenário nova iorquino, graças a proximidade da cidade natal com a famigerada Nova York.

Após a saída de Bob Steele (guitarrista), em 1980, o "pequeno" garoto até então, assumiu o instrumento definitivamente na banda, além de criarem uma estética que já vinha sendo estabilizada há pelo menos 3 anos antes, eles realmente gravaram 2 álbuns juntos, que definiriam os Misfits como os pais do Horror Punk pra posteridade, com os lançamentos de Walk Among Us e Earth AD. O figurino, os cabelos "Devilock" fizeram a marca registrada da banda além da caveira Crimson Ghost, de um seriado norte-americano, que acabou sendo adotado como um mascote.

Pouco tempo depois Danzig resolveu cair fora, formando então o Samhain, e consequentemente com sua carreira solo, indo pra lado mais gótico/metal. Enquanto do outro lado Only e Doyle, pensavam em que fariam pós o fim, o reconhecimento era massivo por culpa dos dois primeiros discos, que influenciaram bandas como Metallica ou Guns N' Roses.

Como uma vingança em forma de música, Only e Doyle montaram o Kryst The Conqueror, um projeto de metal cristão, que ia de frente com as idéias musicais de Danzig, que abordava o lado satânico do rock.

Após travarem uma batalha judicial pelo uso do nome "Misfits", um nome tirado do último filme de Marylin Monroe com Clark Gable, em português algo como "Os Desajustados", Only e Danzig entraram num momento de pacificação, e os Misfits voltaram a gravar, desta vez com o vocalista Michale Graves, com quem fizeram discos como: American Psycho e Famous Monsters.

Em 2005, Doyle montou seu novo projeto: Gorgeous Frankenstein, que tinha participação de sua esposa na época, a lutadora Stephanie Bellars, como dançarina nas performances ao vivo, o grupo registrou somente um álbum.

Apesar dessa terrível saída e entrada de integrantes nem Only nem Doyle deixavam de tocar Misfits, e volta e meia Doyle aparecia com Danzig em algum show pelos EUA. Only decidiu reformular o grupo com Robo, fundador do Black Flag na bateria, e mais um ex Black Flag, Dez Cadena na guitarra, e ele próprio nos vocais e baixo.

Doyle por si só, tomava outros rumos pra carreira, e gravou o disco Abominator, começou a fazer coisas mais pesadas que os Misfits. Com o apoio de Alex Story nos vocais, que vinha da banda Cancerslug, que deu ainda mais vida ao seu projeto trazendo o lado sombrio em faixas como: Headhunter, Land Of The Dead, Blood Stains, Love Like Murder, ou seja, uma obra que definiu o estilo que Doyle queria impactar com sua nova banda.

Vale ressaltar que Doyle, com sua experiência de torneiro mecânico desenvolveu suas guitarras, conhecidas como Annihilator, ele as confeccionou sem a presença de parafusos que machucavam sua pele, então ele extinguiu a presença deles, dando um visual ainda mais futurístico inspirado pela obra de Batman que Doyle tanto gosta, chegando até negociar sua própria linha dentro da Dean Guitars, que acabou não se concretizando. Ele também se arriscou no lado empresarial, montando a Von Frankenstein Monster Gear, onde após várias experiências usuais, ele criou uma linha de cordas e captadores pra guitarra, pra terem ainda mais peso nos shows.

Aos 62 anos de idade, Doyle se destaca pelo seu visual clássico, abusando do seu "Devilock", penteado criado por Danzig e batizado por Only. Assumidamente vegano, ao lado também de sua namorada Allison White-Gluz, e defensor dos direitos animais, ele também exibe seu estilo musculoso por onde quer que vá, ele que é adepto das artes marciais como Jiu-jitsu, Muay Thai, além de musculação.

Após uma apresentação no Oxigênio Festival em 2022, no Aeroclube do Campo de Marte, em São Paulo, Doyle volta ao Brasil pra apresentar aos fãs, um pouco do seu trabalho solo, se muitos aguardam músicas dos Misfits desistam, porque o repertório abrange apenas canções do 2 álbuns de estúdio de Doyle, sendo eles Abominator (2013), e ll As We Die (2017).

O show ocorre no Cine Jóia, no dia 30/04, quinta-feira, e a produção é da Powerline e da New Direction Productions.

Ingressos disponíveis

https://fastix.com.br/events/doyle-misfits-em-sao-paulo