Fiddlehead e Rival Schools: forças motrizes do cenário alternativo
Gerações que se encontraram numa noite paulistana
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Texto German Martinez - Fotos Raíssa Corrêa
3/8/20264 min read


Se a gente sempre reclama que as coisas vem atrasadas pro nosso Brasil, nós também temos a obrigação de elogiar quando coisas inimagináveis passam por aqui, que foi o caso dos nova-iorquinos do Rival Schools e dos garotos de Boston, do Fiddlehead uma união que tinha tudo pra dar certo...e deu!
Logo quando as produtoras NDP (New Direction Productions) e Powerline se uniram pra realizar essa junção já causou um alvoroço nos fãs de Post-Hardcore/Alternativo, era a primeira vez da banda de Walter Schreifels e de Flynn pelo Brasil.




Pois bem, com 2 bandas de peso no line up, as produtoras resolveram rechear a tarde/noite de domingo 22/02, no Fabrique Club, na capital Paulista. E seriam elas o Capote, de Santos e Zander, fundada no Rio de Janeiro, mas que tem seus integrantes em São Paulo, já há um tempo.
O Capote fez as honras da casa, uma banda que tem influências obviamente do Post-Hardcore inclusive do Fiddlehead, a banda interpreta canções em português, e que acaba criando uma conexão com alguns fãs, que lá estavam uniformizados pra conferir a banda de perto.
Faixas como Joelho Ralado, do seu EP de 2024, e Através Das Minhas Mentiras/Perto de Mim, o single mais novo do grupo, arrancou por várias vezes as palmas dos presentes.




A segunda banda seria uma unanimidade dentro cenário brasileiro, Zander, a banda de Gabriel Zander, ou simplesmente Bill, produtor de uma tonelada de bandas, tanto daqui como da gringa, e que leva a carreira de produtor e músico.
Na vinda dele pra São Paulo, assumiu o posto de um dos produtores do Estúdio Costella, ao lado de Alexandre Capilé (Sugar Kane), mas no Rio de Janeiro, ele já criava materiais no Estúdio Superfuzz. Com discos já de cabeceira pra muitos como: Trilogia Suja de Copacabana ou Sem Gelo, Bill, o "eterno" Noção de Nada, tem um punhado de grandiosas canções que foram feitas por desilusões amorosas, tristezas e etc. Ímpar do repertório do Noção de Nada, coube também no show.
Já com o Zander, temos discos belíssimos como Brasa e Flamboyant, que carimbou seu lugar no coração dos fãs fervorosos que estavam presentes. Na canção Bastian Contra o Nada, a emoção se manteve sob a canção, e as lágrimas foram derramadas por Fausto Oi, que acabara de perder seu pai dois dias antes do show. Destaque pra faixas como: Humaitá, Auto Falantes e a saideira impecável de Pólvora.




Redondinho no horário, Walter Schreifels, guitarra e voz, Sam Siegler na bateria, Cache Tolman no baixo e Ian Love na guitarra, deram a ignição a um dos shows mais esperados de no mínimo 2 gerações. Se Walter havia vindo com o Gorilla Biscuits, com o seu maravilhoso Quicksand, com o Rival era inédito. E tudo isso trouxe uma carga emotiva pra situação.
Com grande repertório baseado no álbum de estréia United By Fate, com músicas que já estavam na ponta da língua dos fãs ou no subconsciente dos presentes, eles dispararam faixas como: My Echo, Favorite Star.




Eles iam mesclando faixas de Pedals e United By Fate, os maiores álbuns da trajetória da banda, ouvimos canções como Wring It Out, Used For Glue, Good Things, Travel By Telephone, Small Doses, Everything Has Its Point, 69 Guns.
Já suando, Walter comentava sobre sua alegria de tocar novamente no Brasil, e desta vez com o Rival Schools, que foi sua principal banda no início dos anos 2000. Walter é um querido, uma figura do underground que te faz querer ser amigo dele, um cara com trajetória incrível dentro do Hardcore/Rock Alternativo. Inflamou a platéia com músicas como High Acetate e a despedida veio com Hooligans For Life.








Luzes mais densas e vermelhas, pra entrada das estrelas da noite, o quinteto Fiddlehead, iniciou seu show com petardos do nível de Grief Motif
The Years, o stage dives começaram, a energia que a banda despejou em faixas como: The Deathlife, Sleepyhead, Million Times, foi algo indescritível.
My World e Sullenboy, levariam o público ao delírio. Eram corpos sendo empurrados e jogados pra todos os lados, stage dives á vontade e muita, mas muita energia.
Flynn, entrou no palco com uma camiseta do Santos Futebol Clube, da época que o time tinha nomes como Edmundo, Dodô, o colombiano Rincón e o goleiro Carlos Germano.
True Hardcore (l), Tidal Waves, mostraram a sinergia entre banda e publico.
O quinteto é altamente poderoso ao vivo, e canções como funcionavam muito bem. O final foi catártico com Fifteen To Infinity e Lay Low, que foi uma das favoritas do público. Saíram do palco e voltaram pra tocar USMA e Loverman, encerrando assim uma das belas noites de 2026, que acabara de começar.

