Interpol e Viagra Boys: juntos e misturados
Várias sonoridades por óticas diferentes
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Texto German Martinez - Fotos Raíssa Corrêa
3/25/20265 min read


Quando o Lollapalooza anunciou os side shows da edição de 2026, que contava com Tv Girl, Blood Orange, e Interpol + Viagra Boys, logo este causou um "furdunço" na redação, já que ver as 2 bandas juntas seria algo bem distinto e a chance de conferir a banda sueca sem a necessidade de uma maratona sem fim no final de semana no Autódromo de Interlagos, seria altamente válida.
Os shows ocorreriam na semana do festival por casas espalhadas na capital paulista, o show dos nova-iorquinos e dos suecos foi direcionado à Audio Club, localizada na zona oeste de São Paulo. Logo o que se viu foi uma fila gigante e os camelôs exibindo suas opções têxteis pro momento.
É claro, que havia um público maior e mais interessado no Interpol, que inclusive eles seriam "os headliners" de uma noite com 2 bandas. Mas, o Interpol já pisou aqui no Brasil por 7 vezes, então os "garotos Viagra", levavam uma singela vantagem sobre um público que estava mais alvoroçado, e consequentemente era a primeira vez dos suecos em terras tupiniquins.
E o que nós esperávamos? Nada mais do que aquilo que o Viagra entregou, um showzaço! E explico o porquê, o Viagra há tempos vem chacoalhando o cenário mundial, graças ás suas performances despojadas de seu vocalista Sebastian Murphy, que desfila pelo palco sem camisa, e com uma calça "sport", como a própria canção da banda diz.




O som é safado, é por ora dançante, ora sarcástico, mas é um sexteto que funciona muito bem ao vivo. Quase um combo de músicos, já que são 6 integrantes, os Viagra Boys viajam trazendo a crueza do punk numa linguagem totalmente moderna que fala de igual pra igual, em pleno ano de 2026.
Senão bastasse uma discografia interessantíssima que a banda vem cometendo, tais músicas ao vivo se destacam ao lado de bandas como: Idles, Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs, colocando-os no panteão do "novo rock torto". Apesar de ser um side show, a performance durou cerca de uma hora e abrangeu bem o repertório da banda, e deu aos expectadores um gostinho de quero mais.
É uma banda que não se cobra, deixa rolar, deixa sangrar como diriam os Stones, e talvez seja essa a receita da banda, tocar com a emoção e deixar acontecer, eles entraram deixando todo muito louco com Man Made Of Meat, refrão pegajoso, luzes dilacerantes e um som pra dançar. Slow Learner ficou no seu devido lugar, uma pérola. Sebastian puxou um coro pra Waterboy rolar.
Temos hits? Não saberia dizer, mas Punk Rock Loser certamente é áspera como deveria ser e funciona como uma luva. Ain't No Thief, Sebastian caminha com uma lata de cerveja pra deixar o ritmo pegar fogo e parecer uma boite londrina nos anos 90, essa que me remete á um Stone Roses "brutalmente mais chapado".




A cozinha vai "de vento em popa", composto por Tor Sjödén e Henrik Höckert, aliado aos teclados insanos de Elias Jungqvist, e aos timbres marotos de Linus Hillborg na guitarra. Teve Pyramid Of Health, a genial Sports foi explosiva. Troglodyte foi eficaz do início ao fim.
Fecharam com a apoteótica e psicodélica Research Chemicals com direito a Oskar Carls (saxofonista) e Sebastian no meio da galera. O saldo final desse show é agradecer de estarmos vivos pra assistir bandas contemporâneas que estão vivendo talvez o ápice da sua criatividade musical e nós estamos conseguindo ver "inloco", e me desculpem, mas isso não tem preço.
Há cerca de 2 anos atrás, o próprio Interpol havia tocado na Audio em 2 dias lotados, pra celebrar os álbuns: Antics e Turn On The Bright Lights. Desta vez o set mudaria e eles iriam mais longe nas canções escolhidas.
E se com o Viagra a coisa tinha sido meio caótica, com o Interpol pôs ordem na casa, e cada um já ficou mais "no seu quadrado", com um tipo de som com outra rotação, Paul Banks e cia, mataram a saudade dos fãs que haviam visto a banda em 2024.




Sempre muito bem trajados, óculos escuros, e camisas alinhadas, o grupo nova-iorquino carregou toda sua atmosfera de um outro pós punk e sua pegada Indie Rock que tanto os popularizou nos anos 2000. Com a baixa de Sam Fogarino, que teve problemas de saúde, e foi substituído por Urian Hackney, que tem um belo punch, mas é óbvio que Sam faz falta. Brandon Curtis, o tecladista, apimenta cada canção com seu próprio toque.
Daniel Kessler é um dos destaques desta banda, além de ser um dos membros fundadores e parceiro inseparável de Banks, ele destoa na guitarra, traz timbres aguçados, interage com a platéia e deixa a banda á vontade pra executar com destreza seu repertório. Do outro lado tínhamos Brad Truax, músico convidado pra turnês, e que se for assim sempre, deveria ser contratado pra banda "fixa", Traux dá o sangue, vibra, soa, e faz do seu lado do palco ser um dos mais interessantes pra se prestar atenção.
Mas e o Paul Banks? Sim, vamos falar dele, que ele é um dos melhores letristas da sua geração, ninguém tem dúvidas, Banks consegue ser crítico sem ser vulgar e examina de várias óticas os sentimentos que ele tenta traduzir nas suas canções. Com seus óculos escuros e bem aprumado, ele se destaca na sua banda, provocando até cantos mais afoitos do público feminino, onde ele predomina.




Mas e o repertório? Tivemos como abertura faixas como: All The Rage Back Home, No In The Threesome, C'Mere talvez tenha sido a primeira grande comoção da noite. Destaques pra Not Even Jail, Rest My Chemistry, seguida de mais um hit que foi Obstacle 1. Narc e The Rover caminharam muito bem ao lado da poderosa Evil, que sem sombra de dúvidas, foi uma das melhores da noite. Teve obviamente NYC e PDA, esta última colocando todo mundo pra dançar, com luzes estrondosas por todo o palco.
O bis já era óbvio, e veio com Pioneer To The Falls, Roland e a gigante Slow Hands, pra uma quinta-feira isso era tudo, na sexta feira a banda tocaria no Lolla, mas dali, daquela noite, ninguém vai tirar o brilho do show do Interpol.





