Johnny Marr: o arquiteto sonoro de uma geração
Músico britânico volta ao país em apresentação única em novembro
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German Martinez
6/11/20265 min read


Filho de pais irlandeses, e nascido em Manchester, o garoto John Martin Maher, ainda nos tempos de colégio fez amigos, e um deles era Andy Rourke, com quem ele tocou em várias bandas antes de formar ao lado de Morrissey os Smiths.
Foi em 1978, quando Patti Smith foi se apresentar em Manchester, e lá 3 garotos foram conferir de perto, eram eles Billy Duffy (futuro The Cult), e Steven Patrick Morrissey, que eram amigos e no meio desse show ele conheceu o garoto Marr, com 14 anos na época. Quatro anos depois Marr teve vontade de montar uma banda, e foi bater na porta da casa de Morrissey literalmente. Após uma aproximação mútua, principalmente pelos gostos musicais e literários, eles logo criaram um laço de amizade.
Marr ficou impressionado ao saber que Morrissey havia escrito um livro sobre os New York Dolls. Com a semente plantada de uma banda, eles chamaram Dale Hilbert e Mike Joyce, pras funções de baixista e baterista, respectivamente. Mas Dave não vingou e foi substituído por Andy Rourke. Morrissey escolheu o nome de "The Smiths" pra que tivesse um tom popular, já que muitas bandas da época eram cheias de firulas nos nomes
A banda começou a fazer shows, gravar demos, até que Marr e Morrissey entregaram nas mãos de Geoff Travis, dono da gravadora Rough Trade de Londres, uma fita demo, e ele aceitou que gravassem um single pra ver no que dava. Os garotos gravaram Hand In Glove, que chamou a atenção do público, e vieram mais alguns singles como: This Charming Man e What Difference Does It Make?. Com um contrato assinado somente em nome de Marr e Morrissey, mais tarde eles teriam inúmeros problemas com os outros integrantes mediante tal negociação. Em 1984, a Rough Trade lançou seu disco de estréia homônimo, o disco se tornou número 1 no Reino Unido.

Tanto a banda como a gravadora gostava de singles, e era uma época que isso reinava, e eles lançaram Wiliam, It's Was Really Nothing, How Soon Is Now, e Heaven Knows I'm Miserable Now, esta chegando ao Top 10 da UK Charts, tudo isso preparava terreno pro lançamento do segundo disco, um disco muito mais político e ácido vindo da composição de Morrisey, além da crítica sobre a monarquia, o governo de Margaret Thatcher, o título do disco falava sobre o vegetarianismo. Essas críticas refletem em faixas como Nowhere Fast, Headmaster Ritual.
Desde esse momento Marr despontou como um dos melhores guitarristas da sua geração, ele tinha uma habilidade de trabalhar com harmonias de uma forma inenarrável que lhe possibilitou tal lugar de importância no Rock.
Nos Smiths ele gravou 4 discos e foi alavancado como uma das maiores bandas inglesas dos anos 80.
Em 1985 a banda excursionou pra alguns lugares e pros EUA, e naquela altura eles já tinham composto o terceiro e próximo álbum, The Queen Is Dead, só que a gravadora atrasou o lançamento que só ocorreu meses depois, na metade 1986. Pra muitos, o álbum mais importante do grupo, que emplacou faixas memoráveis como Bigmouth Strikes Again, The Boy With The Thorn In His Side, There Is A Light That Never Goes Out. Johnny Marr alegava exaustão, e tudo começou a se complicar, Andy criou uma dependência de heroina, e isso agravou o seu relacionamento dentro da banda, o que deixou Morrissey irritado, segundo alguns relatos Morrissey havia deixado um bilhete despedindo Andy, mas o próprio desmentiu tal atitude. Já que Andy estava fora, era necessário alguém pro baixo foi aí que convidaram Craig Bannon, mas ele queria ficar na segunda guitarra e não no baixo, algumas semanas depois eles tiveram que chamar Andy pro seu posto.
Tudo estava muito conturbado, mas a banda soltou mais novos singles que foram: Ask e Panic, até que Marr sai definitivamente do grupo, de fora Marr alegou ter visto declarações de Morrissey alegando que as coisas não estavam bem, enquanto Morrissey segurava o rojão já sem Marr, ele tentou evitar a implosão do grupo, mas não foi possível, em 1987, ele declarou o fim da banda. Algumas semanas depois foi anunciado o derradeiro disco Strangeways, Here We Come, segundo a própria banda seu melhor disco. O álbum é uma coleção de grandes canções: Girlfriend In A Coma, I Started Something I Couldn't Finish, Last Night I Dreamt Somebody Loved Me,Stop Me If You Think You've Heard This One Before.

Ao lado de Alonza Bevan, baixista do Kula Shaker, e Zak Starkey, filho de Ringo Starr e baterista do The Who por longos anos, Marr registrou o único disco do Johnny Marr And The Healers, o intitulado Boomslang, em 2003.
Após tocar com o The Healers, Marr trilhou sua carreira solo, lançando discos como The Messenger, sua estréia em 2013. O álbum Playland, lançado em 2014 é um disco mais maduro de Marr, o antecessor The Messenger, era um cartão de visitas, Playland mostraria o músico muito mais coeso, com faixas marcantes como: Easy Money, The Trap, Candidate, Dynamo.
Neste segundo disco já com sua própria alcunha Marr desenvolve sua característica própria de nuances de guitarra de bom gosto.Nesta época Marr veio ao Brasil no Lollapalooza.
Em 2018 ele lançaria Call The Comet. Posteriormente Fever Dreams, Marr agora prepara seu novo lançamento que está previsto pra outubro
As músicas autorais de seus discos mais recentes mostram sua evolução como vocalista e mantêm o ritmo energético do show: Easy Money (Do álbum Playland), Spirit Power and Soul (Faixa com forte pegada eletrônica do álbum Fever Dreams), Armatopia, New Town Velocity, Hi Hello, Spin (Single do novo álbum The Age Of Everything), além de Getting Away With It do Electronic.
Marr muitas vezes faz covers, como no caso de Rebel Rebel de David Bowie, The Passenger de Iggy Pop, ou I Feel You do Depeche Mode.
A editora Belas Letras lançou a autobiografia Set The Boy Free, de Marr onde narra desde sua infância, sua ascensão nos Smiths e sua trajetória musical até os dias atuais.
Após um hiato de 11 anos longe do país, o guitarrista confirmou seu retorno para um show único em São Paulo no dia 24 de novembro de 2026, no Tokio Marine Hall. Organizado pela Balaclava Records, promovendo o álbum The Age Of Everything. O setlist promete equilibrar as novidades com relíquias do Electronic e os maiores clássicos dos Smiths.

Após o fim do Smiths, Johnny se aliou á Bernard Sumner do New Order e formaram o Electronic, em 1989, onde também teve participação de Neil Tennant dos Pet Shop Boys. Marr montou seu estúdio o Crazy Face Factory, e ganhou autonomia em seus trabalhos.
Mas Marr nunca parou de produzir, daí participou do The The, banda de Matt Johnson, assim como Modest Mouse, The Cribs, sempre bem quisto por onde passa, ele solidificou sua carreira através dos anos e sua empatia pelo público que sempre o acompanhou só aumentou. Não bastasse isso, Marr colaborou com bandas como: Talking Heads, The Avalanches e muitos outros.
Em 1988, Johnny veio ao Brasil com The Pretenders, substituindo Robbie McIntosh, a banda se apresentou no Rio de Janeiro e São Paulo. Em carreira solo Marr veio ao Brasil no Lollapalooza em 2014, e posteriormente no Festival da Cultura Inglesa, em 2015, promovendo o álbum Playland.
Marr sabe o peso de sua história e entrega exatamente o que os fãs querem ouvir, assumindo os vocais com muita personalidade, dentre as faixas do repertório incluem faixas memoráveis dos Smiths como:There Is a Light That Never Goes Out, How Soon Is Now?, This Charming Man, Panic, Bigmouth Strikes Again, The Headmaster Ritual, Stop Me If You Think You've Heard This One Befor, Please, Please, Please Let Me Get What I Want


Produção: Balaclava Records
Ingressos disponíveis

