Kadavar: aniquilação total

Pela primeira vez em formato de quarteto, a banda alemã retorna ao Brasil após 8 anos

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German Martinez

2/8/20265 min read

E esse tal de Roque Enrow?, diria Rita Lee, desde o surgimento do tal R'N'R vem sendo tomado de rótulos e quando você menos espera surge um novo. Se muitos possam achar que o som vindo diretamente de Berlim, a casa dos alemães do Kadavar, seja apenas um mero detalhe ou apenas um conglomerado de barulho, você está enganado, o que se ouve aqui é um som maciço e altamente denso.

Culpa do "gigante" Christoph "Tiger" Bartelt e de Phillip "Mammut" Lippitz, o primeiro guitarrista que logo deixaria o posto pra que Christoph "Lupus" Lindemman, que até então era o baixista e assumisse as guitarras, e isso propiciou uma virada de jogo pra banda, formaram o grupo em 2010, obcecados pelo som do Black Sabbath, mas as influências não parariam por aí, coloque Pentagram, Hawkwind, Deep Purple, Led Zepellin. Naquele momento gravaram algumas demos e em 2012 eles lançam o álbum de estréia.

E logo de cara eles mostram que não vieram pra brincadeira, desde sua capa, que se tornou emblemática pela estética totalmente setentista, com foto, com o cenário de uma floresta ao fundo e obviamente o visual que remetia aos anos 70. O disco é uma fisgada ao melhor que foi feito naquela década gloriosa do R'N'R, e mais parece um greatest hits, somente por causa de faixas como: Forgotten Past, Black Sun e All Our Thoughts.

Dali por diante nada seria igual, até porque Mammut sairia da banda, pra entrada de Simon "Dragon" Bouteloup, por volta de 2013 a banda foi se apresentar no South By Southwest no Texas, e lá gravou o videoclipe de Come Back Life, uma de suas maiores músicas. No mesmo ano sairia o segundo álbum, e até então o favorito de muitos fãs, Abra Kadavar, é um belíssimo disco que deixa ainda mais explícito a sonoridade setentista que eles estavam buscando pouco a pouco. Nesse momento a banda se aliou a gigante alemã Nuclear Blast pro lançamento do álbum.

Colhendo os frutos das performances impecáveis ao vivo, a banda foi notada pelo Wolfmother, no qual fez uma turnê com eles pela Austrália, logo após isso a banda aproveitou uma passagem pela Bélgica e soltou um registro ao vivo, o intitulado Live In Antwerp. A banda rodou o mundo passando por diversos festivais, e se destacando cada vez mais. Foi aí que a Abraxas, produtora brasileira, de Felipe Toscano, especializada em sons setentistas, psicodélicos e stoner, trouxe os alemães pro Brasil. Naquela ocasião a banda fez parte do Abraxas Fest em São Paulo, no extinto Inferno Club, que contou com um line up poderoso, com Monster Coyote (RN) , Son Of A Witch (RN), Muñoz (MG). E também passou pelo Rio de Janeiro, Florianópolis e Goiânia.

A banda havia acabado de lançar seu terceiro disco, Berlin, muitos acharam que o disco não fazia jus ao grupo, se aproximando mais ao Hard Rock, mas olhando pra trás, o álbum é um dos melhores registros do até então trio, e alcançou uma boa colocação nas paradas européias.

O disco conta com um cover de Reich Der Träume, da cantora/modelo Nico, que havia sido do Velvet Underground.

Em 2017 veio o álbum Rough Times, um disco que bebe de influências do Doom, mas sem abandonar obviamente sua sonoridade Heavy Psych, se é que podemos denominar assim, um ano depois, novamente por convite da Abraxas, a banda voltou ao Abraxas Fest, desta vez no Fabrique Club, ao lado do Disaster Cities e Grindhouse, pra uma noite histórica, com a banda levando a platéia ao delírio em faixas como The Old Man, onde o público cantarolava o riff da canção, Doomsday Machine, e a apoteótica Come Back Life.

For The Dead Travel Fast, marca o quinto álbum da banda, e ao que parece, eles procuraram sugar suas influências do início e resgatar uma sonoridade que se ouvia nos dois primeiros registros do grupo. Não faltaram pérolas neste disco, como: Evil Forces, The Devil's Master, Poison, era a banda voltando às suas origens.

Começo de 2020, a pandemia se alastrou sobre todo o globo terrestre, causando destroços gerais principalmente pra artistas/bandas, e com o Kadavar não foi diferente, a banda se trancou de formas diferentes, e trabalhou no registro de The Isolation Tapes, um material que vai além do rock primitivo e busca o space rock/psicodelismo com unhas e dentes.

Nesse registro a banda abandonou a Nuclear Blast, pra se tornar independente com seu próprio selo, a Robotor Records. No ano seguinte a banda lançou um álbum em conjunto com os norte-americanos do Elder, denominado A Story Of Darkness and Light. Em dezembro de 2020, eles estamparam a capa da revista Rarozine, com uma entrevista que falava sobre o processo de gravação do The Isolation Tapes, Brasil e futuro da banda.

Uma das mudanças mais significativas na banda, foi a inclusão do tecladista/guitarrista Jascha Kreft, que trouxe uma nova atmosfera pra sonoridade da banda.

Se bandas como King Gizzard And The Lizard Wizard, lançavam vários discos num mesmo ano, o Kadavar foi lá e fez também, no meio de 2025, lançaram o álbum I Just Want To Be A Sound, sem amarras, a banda quis soar da forma que lhes agradasse, a sonoridade passa por momentos de experimentalismo. O mais recente, K.A.D.A.V.A.R. (Kids Abandoning Destiny Among Vanity And Ruin), soa ainda mais poderoso que nunca, um disco muito mais cru do que seu antecessor, muito pela escolha de gravação de modo analógico, buscando resgatar riffs de outrora, mas também não poupa o lado experimental, o álbum teve lançamento pelo selo Clouds Hill.

A banda faz apresentação única no país, na cidade de São Paulo, no dia 21/03/2026, sábado. A produção é da Agência Sobcontrole

Ingressos disponíveis:

Kadavar em São Paulo