Kadavar: sem medo de se reinventar

Com nova formação e novos discos a tiracolo, quarteto alemão faz sua primeira visita ao país, após 8 anos.

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Texto German Martinez - Fotos Raíssa Corrêa

3/23/20264 min read

São Paulo sempre foi um eterno cardápio de bandas pra todos os gostos e todos os dias, e o que vimos neste final de semana, comprova a demanda reprimida consequente talvez ainda pós pandemia, teríamos o gigante Lollapalooza com 3 dias no Autódromo de Interlagos, pelo centro da cidade os suecos do Katatonia, e posteriormente no domingo bandas como: DRI com Ratos de Porão, os portugueses do Moonspell e Sinistro dividindo uma noite no Carioca Club, o Death Metal do Nile, da Burning House.

E nesse vasto menu tínhamos o Kadavar, banda fundada em Berlim, na Alemanha, por Christoph "Lupus" Lindemman, guitarrista e Christoph "Tiger" Bartelt, que depois teve Simon "Dragon" Bouteloup, no lugar de Philipp "Mammut" Lippitz, integrado ao time, e de uns anos pra cá, a banda adicionou o guitarrista/tecladista Jascha Kreft. No ano passado a banda fez a façanha de lançar 2 álbuns no ano, quando fez I Just Want To Be A Sound e K.A.D.A.V.A.R. (Kids Abandoning Destiny Among Vanity and Ruin).

Após os mais variados pedidos pra bandas de abertura, a equipe escolheu o Hammerhead Blues e o Espectro. Pra resumir, duas das grandes bandas do cenário atual, que vem se destacando pelos álbuns e pelas performances ao vivo.

Por volta das 18:15, a Hammerhead Blues pisou no palco do Carioca Club, é um tipo de banda que as críticas que podem ser tecidas, só podem ser positivas, pois o trio é totalmente coeso ao vivo, o som setentista pulsa como um coração em pleno funcionamento.

William, Otávio e Luiz, formam um dos mais belos times de rock dos últimos tempos, vide o mais recente disco After The Storm, que mostra o trabalho impecável do grupo. No palco a banda tocou com canções como: Traveller e Around The Sun.

Se ainda não viu a banda ao vivo, não sabe o que está perdendo.

Diretamente do Paraná, o quinteto Espectro foi escalado pra essa noite setentista. Com 1 álbum e 2 EP'S lançados, o mais recente o excelente Dead Of Night, registrado pela Zoom Discos. Formado atualmente por Reinaldo Zonta nos vocais, Karina D'Alessandre na bateria, João Wegher e Luan Bremer nas guitarras e contaram com Jean Antunes do Murdeath no baixo, o grupo é uma das mais belas novidades dos últimos tempos no cenário brazuca.

Quando ouvimos o primeiro EP "The Gypsy", pela primeira vez foi como sermos catapultados pra algum Pub nos anos 70, daí só comprovamos os lindos timbres de guitarra, e uma banda totalmente afiada com essa sonoridade. Apesar de pouco tempo destinado pras bandas de abertura, ambas conseguiram imprimir sua sonoridade pros espectadores e aqueceram os motores pro Kadavar.

A entrega da banda ao vivo é um merecido destaque, começa pela performance espetacular de Tiger na bateria, onde ele sorri, levanta baquetas, e espanca seu kit sem dó nem piedade. Se aproximando mais de um Space Rock e Psicodelia, o Kadavar vai em busca de algo mais solto em cima do palco, uma sonoridade que não tem tantas amarras ao vivo, o que se pode notar foi uma banda bem mais interativa com o público, estavam mais soltos do que as outras vezes que vieram por aqui.

Quando a banda ainda tinha ''Mammut" no baixo, eles deram um mergulho brutal no som setentista e fabricaram o primeiro disco, que lhes rendeu reconhecimento, e Black Sun, remeteu à essa época, Lupus vinha pra beira do palco pra fazer a introdução da canção. Fora do repertório já há algum tempo, a banda decidiu que tocaria The Old Man, uma música emblemática da banda, pelo menos aqui no Brasil, já que nas 2 últimas passagens da banda por aqui, até as frases de guitarra eram cantadas pelo público.

Se do lado esquerdo do palco você tinha a implacável guitarra Gibson SG, de Lupus, tecendo todas as nuances do som da banda, do outro lado, o novato Jascha Kreft, conduzia com seriedade suas bases e deixava o terreno amplo pras caras e bocas de Dragon, para que o time jogasse mais solto, como Explosions In The Sky, quando a rotação foi diminuída.

Anunciada a paulada de Total Annihilation, que junto do jogo de luzes trouxe a atmosfera totalmente caótica que a canção traz, sendo um dos ápices do show. Em busca do experimentalismo, Purple Sage. Talvez um peixe fora d'água, Regeneration apareceu e calou a nossa boca, pois serviu de escada pra maravilhosa Die Baby Die.

A despedida veio com Come Back Life e All Our Thoughts, que pincelam com ouro a trajetória do Kadavar, uma banda extremamente criativa, inquieta, e que vem cativando os ouvidos há mais de 15 anos, e que não tardem pra voltar.