Lucifer: mais um capítulo escrito na sua história
Com nova formação, quinteto comprova sua força no Occult Rock
NOTÍCIAS
Texto German Martinez - Fotos Raíssa Corrêa
4/30/20265 min read


Pouco se sabia de como o Lucifer andava das pernas, pois até então sua última vinda da banda havia sido há 2 anos atrás, ainda com a formação "clássica" se é que podemos assim dizer. Mas ás vistas dos mais antenados víamos que a banda vinha se apresentando com uma turma bem diferente da anterior, pois além do rompimento amoroso de Johanna com Nicke Royale, os outros integrantes acabaram saindo também.
E foi dessa "saia justa" que Johanna convocou uma turma da pesada, que consistia com o baterista dos alemães do Die Nerven, Kevin Kuhn, a baixista espanhola Claudia Gonzales Dias, o guitarrista Max Eriksson, e Rosalie Cunningham, guitarrista do maravilhoso Purson, mas na ocasião no Brasil, Rosalie não pôde vir, e Coralie Baier assuniu seu posto.
Um dos maiores diferenciais desta passagem do Lucifer por terras brasileiras, foi que graças á Xaninho Discos, a banda conseguiu ecoar seu som cada vez mais longe, se em outras oportunidades os shows ficaram mais focadas pra região sudeste, desta vez tudo se ampliou onde puderam passar por Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e por 2 vezes em São Paulo, uma das performances no festival Bangers Open Air e a outra na qual estamos falando. Pois bem, a chance de outro público conhecer a banda, já que o deslocamento entre estados está cada vez mais caro, os fãs de outras cidades tiveram a oportunidade de vê-los ao vivo, e solidificar ainda mais o elo entre público e banda, que vem ocorrendo desde 2022, quando a banda estreiou no Brasil.
Numa belíssima noite de outono e muito agradável, diga-se de passagem, a banda estaria escalada pra sua última "trip" em terras brasileiras, fechar em São Paulo seria com chave de ouro, pois foi aqui que eles foram recepcionados carinhosamente quando fizeram seu debut numa data única há cerca de 4 anos atrás.




E é sempre bom saber o que anda rolando por aí, o que a moçada anda ouvindo, o que as bandas locais andam fazendo, e pra abrir os trabalhos, o Space Grease teve essa missão, com um EP em mãos, e com a missão de tocar junto de bandas como Lucifer (também em 2024) e na semana que vem com o Graveyard (assim como em 2025), o Space não decepciona.
A banda mudou de formação novamente, mas o embrião musical segue ali Franco Ceravolo e Ju Ramirez, aliados á Tonhão (Infamous Glory), no baixo e Henrique Bittencourt (Weedevil) nas baquetas, o grupo procura cada vez mais se aproximar da psicodelia setentista, elementos que vão no âmago do "vintage rock", se é que podemos achar essa nomenclatura.
As canções funcionam cada vez mais ao vivo, onde tudo se encaixa como numa engrenagem, como uma perfeita "Jam", o Space te injeta esse lado intravenoso do "rock sideral". A banda se prepara pro lançamento do seu full album pro segundo semestre, e pôde dar um gostinho aos presentes na sua performance que arrancou palmas desde a primeira canção, além disso tiveram a ilustre presença de Lucas Melo, baterista do Institution/Ludovic. Showzaço!




Com o Hangar 110, agradável de se respirar e circular, o palco ia tomando sua forma para a performance. É fato que nos bateu uma tristeza quando vimos somente o banner da banda no fundo do palco e não o clássico letreiro vermelho, que relembra os anos 50. Mas isso, não poderia apagar o brilho do grupo.
Foi cerca das 21:00, que Johanna Platow, Claudia, Max, Kevin, e Coralie adentraram o palco, já com muitos gritos e soltaram uma faixa bem lado B, Anubis, faixa do seu primeiro disco que entrou pro seu novo repertório, principalmente pra América do Sul, a atmosfera Doom já havia sido aplicada. Com a já habitual maquiagem, ressaltando seus traços de beleza alemã, Johanna, esbanjava sorrisos trajada com sua capa com o logotipo do grupo. Ventiladores na cara, porque o clima estava esquentando, quando Max apenas soltou as primeiras notas de Ghosts, já causando uma comoção com o público geral, pois era uma das mais aguardadas da noite.




Apesar do estreito palco, a banda parecia estar á vontade no local, Crucifix (I Burn For You), uma das canções mais intensas da ocasião, já tirou a vergonha de todo mundo cantar juntinho com Johanna no refrão. Mas a Johanna é muito performática, sim, ponto indiscutível, mas e a Claudia? Que dançava, jogava seus pés pra cima, Kevin Kuhn também é de uma simpatia total, e assim olhando um a um no olho, Johanna se divertia como nós na platéia.
Indo pro álbum IV, quem marcou lugar firmemente foi Wild Hearses, que define o que é densidade nas faixas da banda, carregando seu lado atmosférico com primor. Seguida de Riding Reaper, do álbum antecessor, que remete aos anos 60/70 com sua pegada contagiante. É óbvio que sentimos a falta de faixas como Midnight Phantom, Dreamer, Reaper On Your Heels, Leather Demon, Maculate Heart, que facilmente fariam parte do repertório. Mas o setlist mostra a autonomia total de Johanna que escolher canções que combinem mais com o atual momento do grupo. A homônima faixa não poderia ficar de fora, e não ficou, Lucifer, é uma prova que de que o Blue Oyster Cult pulsava na mente da banda na sua composição.
Luzes baixas pra At The Mortuary, uma das maiores canções da história da banda, anunciada por Johanna como uma bela canção de amor, que apesar do caminhar fúnebre não deixa de ser uma história de amor. Slow Dance In a Crypt, anda com todo seu lado sombrio ao lado de The Dead Don't Speak, que ganha ainda mais vida no seu refrão.




Pra fechar o repertório oficial veio California Son, e voltamos com saudade ao segundo álbum da banda. Com aquela pegada de rock de estrada, pra se perder sem rumo por aí. Era o fim, mas tinha um bis, e talvez seu maior sucesso, na nossa humilde opinião, Bring Me His Head, que canção perfeita, é olhar pro palco e lembrar de Johanna se inspirando na atriz Sissy Spacek, em Carrie: A Estranha, no videoclipe da faixa.
Teve até um espaço pra glorificar de pé uma das maiores referências da banda, o Kiss, na balada de Goin' Blind. Se despediram com a urgente Fallen Angel, e a banda agradecendo imensamente o público brasileiro pela turnê, aguardemos agora quem sabe um novo registro da banda com sua nova formação, que já nos conquistou fácil! Ave Lucifer!





