Madball: instinto incendiário
Liderado por Freddy Cricien , quarteto nova-iorquino voltou ao Brasil pra uma perfomance intensa no Fabrique Club
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Texto Matias Picón - Fotos Raíssa Corrêa
3/8/20264 min read


Tivemos uma noite pra lá de pesada no Fabrique Club, que mais uma vez foi palco de uma festa hardcore no melhor estilo paulista de ser.
Começando o baile com a banda Fatal Blow, de Balneário Camboriú, que subiram ao palco pontualmente no horário marcado, nos deram as boas vindas com muito peso, sorte nossa dos poucos gatos pingados que chegamos cedo ao evento para prestigiar.
Uma banda com mais de vinte anos de estrada que se fez respeitar, com uma dinâmica de palco impecável, soando de maneira coesa e profissional, não defraudou quem ali estava com um set curto e poucas pausas, direto ao ponto.




Seguimos a noite com uma banda um pouco mais nova e surpreendente, o Escombro, que show!!!!! Se a palavra peso te faz ficar alegre, então deves escutar esta banda paulista. Com dez anos de estrada e dois discos lançados, botaram pra quebrar no baile, letras em português que tocam no fundo das nossas cabeças, nos lembrando que a vida no terceiro mundo não é nem de perto um mar de rosas. Som cadenciado, na pegada do Hardcore New School com riffs pesadíssimos e uma sonoridade que não deixa ninguém ileso, deixa surdo mesmo, uma banda perfeita pra ambientar o que estaria por vir.




A terceira banda foram os austríacos do Vacunt, uma banda com trajetória de mais de vinte anos e com muito para nos oferecer. Primeira vez que fazem tour no Brasil, tocaram um set curto e direto, com um som puxando o HC Old School, músicas rápidas, muito rápidas, curtas e pesadas que não deixaram a peteca cair antes da banda principal da noite. Destaco o carisma do vocalista Zal, que fez umas aulinhas de português e conseguiu se comunicar no nosso idioma umas quantas vezes entre as músicas, e já que falamos dele falar em português, destaco que no meio pro fim do show fizeram uma versão muito boa de “Periferia” do Ratos de Porão, com direito a um começo meio “sambado”e logo detonando uma versão hardcore Old School do jeito que nos gostamos. Uma grata surpresa, baita show! Quem puder comparecer aos outros shows da tour deles não irá se decepcionar.




Chegada a hora do prato principal da noite, deste belo baile que merece ser dito, impecável organização como sempre da NDP, em todos os quesitos, som, horários, lugar, etc etc.
Madball, os caras que carregam todo esse peso, toda a mística e carisma do NYHC em seu currículo, uma banda que é odiada por alguns e amada por muitos outros, que em sua historia possui a responsa de serem pioneiros em misturar a fúria do HC Old School de Nova Iorque com a pegada mais cadenciada do metal. Banda que começou como uma força inovadora do vocalista Fred "Madball", que é o irmão mais novo de Roger Miret, e sempre estava nos shows do Agnostic Front desde moleque, e está desde 1988 à frente deste rolo compressor chamado Madball.




O que mais dizer sobre esta banda que já se apresentou inúmeras vezes em SP e fez da nossa cidade uma espécie de segunda casa, influenciou tantas pessoas e bandas, fez mais uma vez um show impecável, praticamente uma aula de todo o que deve ser feito em um show de hardcore.
Entraram no palco como um bomba e incendiaram tudo desde o primeiro acorde, com um carisma que transborda todos os integrantes da banda, não deixaram ninguém com os pés no chão, do começo ao fim, detonando clássicos dos seus seis álbuns de estúdio, não faltaram clássicas como Lockdown e Set It Off do primeiro disco ( que ano passado fez 30 anos!) e outras tão emblemáticas como Nuestra Familia e Can’t Stop Won’t Stop, e até mais recentes como Infiltrate the System. O público respondeu em cada música, dançando pulando e cantando junto, fazendo parte, como em todo bom show de hardcore, da catarse coletiva que não têm explicação lógica.
O Madball é isso, é uma catarse, um espírito de familia, de integrar algo maior, para todo o bem que isso possa trazer a quem fizer parte, é uma festa, com alegria, força e respeito, é um sentimento de união por cima de tudo, com muito peso, com muito som bom, com muita irmandade. Mais uma vez e que venham sempre, todo~ano se for possível, renovar nossas energias!

