Nova Twins, MC Taya e The Mönic incendeiam o Cine Joia

Festival "É Tudo Delas" celebra o peso e o protagonismo feminino em São Paulo

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Fotos por Raíssa Corrêa - Texto German Martinez

9/28/20264 min read

No dia 6 de setembro de 2026, o histórico palco do Cine Joia, localizado no coração de São Paulo, transformou-se no epicentro da música pesada contemporânea com o festival "É Tudo Delas". O evento celebrou o protagonismo e a potência feminina na cena musical, reunindo em uma única noite a icônica dupla britânica Nova Twins e as ascendentes forças brasileiras MC Taya e The Mönic. O encontro proporcionou ao público paulistano uma catarse sonora moldada por diferentes vertentes da distorção e da atitude lírica.

A abertura dos trabalhos ficou por conta de MC Taya, que incendiou a pista misturando com maestria as batidas urgentes do rap e do trap com o peso esmagador das guitarras do rock e do metal. Conhecida por suas letras afiadas que versam sobre a vivência da mulher negra, estética e empoderamento, a artista trouxe para o palco a energia provocativa de suas composições. Sua apresentação contundente provou que as barreiras de gênero musical são obsoletas quando há verdade e agressividade artística na entrega.

Logo em seguida, o quarteto paulistano The Mönic assumiu os instrumentos para elevar ainda mais a voltagem da noite. Com um rock visceral calcado no punk e no grunge, a banda demonstrou um entrosamento impecável e uma presença de palco magnética. As musicistas desfilaram riffs sujos e refrões explosivos que instigaram as primeiras grandes rodas na pista do antigo cinema, preparando com maestria o terreno emocional e físico para a atração principal.

A grande expectativa do festival se consolidou quando Amy Love e Georgia South, as mentes brilhantes por trás do Nova Twins, pisaram no palco. Vindo direto de uma aclamada apresentação no Rock in Rio, a dupla inglesa fez no Cine Joia a sua estreia oficial como headliner em solo sul-americano. A plateia, que já estava completamente entregue, explodiu em gritos assim que ecoaram os primeiros acordes sintetizados e distorcidos característicos do duo londrino.

O repertório escolhido pela dupla britânica para a noite no Cine Joia funcionou como um verdadeiro manifesto sonoro, projetado para não deixar ninguém parado. O Nova Twins abriu o show com a explosiva "Antagonist", seguida imediatamente por "Cleopatra", um dos maiores hinos de empoderamento e orgulho da banda. Essa introdução cirúrgica ditou o tom da apresentação, estabelecendo uma conexão instantânea com a plateia paulistana, que respondeu pulando em perfeita sincronia.

O setlist seguiu resgatando as raízes do duo com "Taxi" e experimentando texturas eletrônicas pesadas em "Soprano" e "Hide & Seek". A dinâmica no palco atingiu seu ápice com a sequência de "Parallel Universe" e a magnética "N.O.V.A.", momento em que o Cine Joia se transformou em um jogral de vozes ecoando os refrões em formato de chamada e resposta. Cada virada de ritmo parecia calculada para alimentar a intensidade das rodas de mosh que se abriam na pista.

A reta final do show entregou a agressividade industrial de "K.M.B." e o groove avassalador de "Drip", faixa durante a qual Amy Love quebrou a barreira física com o público ao cantar colada à grade. Para o encerramento, as faixas "Choose Your Fighter" e "Piranha" foram disparadas como cartadas finais, consolidando uma das apresentações mais enérgicas e tecnicamente impecáveis que a capital paulista testemunhou naquele dia.

O show do Nova Twins foi uma verdadeira aula de inovação técnica e originalidade sonora. Utilizando uma infinidade de pedais de efeito de maneira quase mágica, Georgia South extraiu sons inacreditáveis de seu baixo, criando linhas que flertavam intensamente com o punk, o hip-hop e o nu-metal. Paralelamente, os vocais dinâmicos e as rimas aceleradas de Amy Love guiaram o público por uma montanha-russa de agressividade eletrificada que desafia qualquer rótulo tradicional da música pesada.

A sinergia entre as artistas e a plateia converteu o espaço físico do Cine Joia em um verdadeiro caldeirão de diversidade e representatividade. Entre saltos no palco, coros uníssonos da multidão e mosh pits enérgicos, ficou evidente o impacto cultural de ver mulheres pretas e dissidentes liderando com tanta autoridade técnica um nicho historicamente dominado por homens brancos. Cada batida ali executada funcionava tanto como entretenimento quanto como manifesto político.

Ao final da noite, o saldo do festival "É Tudo Delas" foi histórico e profundamente inspirador. Ao unir a vanguarda internacional do Nova Twins com o talento e a resistência de MC Taya e The Mönic, o evento não apenas entregou um dos melhores espetáculos do ano em São Paulo, mas também reafirmou que o futuro do rock e da música urbana é feminino, plural e absolutamente imparável.

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