O último ritual do Doom: Pentagram se despede do Brasil com show histórico em São Paulo
Sob o comando do magnético Bobby Liebling, lendas do metal pesado arrastam multidão ao Fabrique Club em noite marcada por clássicos, catarse e o peso da despedida
Fotos por Raíssa Corrêa - Texto German Martinez
8/17/20263 min read


No dia 13 de agosto de 2026, a cidade de São Paulo foi palco de uma das celebrações mais sombrias e marcantes da história do metal pesado em solo brasileiro. O lendário grupo norte-americano Pentagram desembarcou na capital paulista para comandar uma noite de pura catarse, arrastando uma multidão de devotos do doom metal dispostos a testemunhar o que foi anunciado como um evento histórico e definitivo.
A apresentação integrou a aclamada Farewell Tour: Last Latin American Run 2026, uma turnê programada para marcar a despedida oficial da banda dos palcos da América Latina. Diante da iminência do fim de um ciclo de mais de cinco décadas, o show ganhou contornos de urgência e melancolia, atraindo fãs de diferentes gerações que desejavam ver de perto os pioneiros do estilo.
O ponto de encontro para essa comunhão pesada foi o Fabrique Club, localizado no tradicional bairro da Barra Funda. Com os ingressos esgotados e a casa completamente cheia, o clima abafado e a iluminação intimista do espaço criaram a atmosfera perfeita para a sonoridade densa e hipnótica que estava por vir.
Antes da atração principal, os mato-grossenses da banda Fuzzly ficaram responsáveis por preparar o terreno. Sendo uma verdadeira instituição do stoner rock nacional, o trio entregou uma performance avassaladora repleta de riffs distorcidos e psicodelia, garantindo que o público já estivesse completamente aquecido e imerso na distorção.




Quando o Pentagram finalmente subiu ao palco, liderado pelo icônico e magnético vocalista Bobby Liebling, a plateia explodiu em aclamação. A presença de palco de Liebling, que havia viralizado recentemente nas redes sociais devido à sua intensidade teatral e expressividade facial única, hipnotizou instantaneamente todos os presentes no clube.
O repertório da noite funcionou como uma verdadeira aula de história, desenterrando os primórdios do hard rock pesado dos anos 1970 que plantaram as sementes do doom metal mundial. Cada acorde arrastado e cada linha de baixo pulsante ecoavam a genialidade de uma banda que começou sua trajetória quando o próprio heavy metal ainda moldava suas fronteiras.
O roteiro musical do show do Pentagram em São Paulo seguiu à risca a proposta de uma turnê de despedida, entregando uma seleção impecável que passeou pelos mais de 50 anos de estrada da banda. O Setlist oficial no Fabrique Club focou fortemente no material clássico dos anos 1970 — eternizado na coletânea First Daze Here — e em hinos do doom metal de álbuns fundamentais como o homônimo Pentagram (também conhecido como Relentless).
A noite começou pesada com a trinca "Live Again", "Starlady" e a arrastada "The Ghoul", ditando o tom obscuro e denso que dominaria a apresentação. À medida que faixas como "I Spoke to Death" e "Sinister" ecoavam pelo clube, o magnetismo de Bobby Liebling e os riffs repletos de fuzz transportaram o público diretamente para a era de ouro do rock pesado subterrâneo.




O peso emocional da despedida ficou evidente nas interações de Bobby com o público de São Paulo, conhecido mundialmente por sua paixão fervorosa. Ver a banda executar suas composições sombrias em alto nível técnico trouxe um sentimento de gratidão mútua entre os músicos veteranos e a plateia paulista.




Ao final da apresentação, o sentimento que tomou conta do Fabrique Club foi de absoluto dever cumprido. O Pentagram se despediu de São Paulo deixando um legado inabalável e a certeza de que sua contribuição ao underground permanecerá viva na memória de quem viveu aquela noite memorável.

