Of Monsters and Men: o som épico que transformou o Indie folk mundial
Como a banda islandesa conquistou o planeta unindo melodias grandiosas, folclore e melancolia pop.
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German Martinez
9/13/20268 min read


Of Monsters and Men é uma das forças mais singulares e cativantes do cenário musical alternativo global. Vinda da gelada e mística Islândia, a banda conseguiu traduzir as paisagens vulcânicas, o isolamento e o folclore de sua terra natal em hinos grandiosos e orquestrais de indie folk que conquistaram o mundo.
Com uma trajetória marcada por um sucesso meteórico e uma evolução sonora elegante, o grupo construiu uma sólida base de fãs, inclusive no Brasil, para onde retornam em novembro de 2026 após uma longa espera de uma década.
O Of Monsters and Men nasceu em Reykjavík, em 2010. Tudo começou como um projeto solo da vocalista e guitarrista Nanna Bryndís Hilmarsdóttir chamado Songbird. Gradualmente, ela recrutou Ragnar "Raggi" Þórhallsson (vocal e violão), Brynjar Leifsson (guitarra), Arnar Rósenkranz Hilmarsson (bateria) e Kristján Páll Kristjánsson (baixo).
A grande virada aconteceu no mesmo ano de formação, quando venceram a prestigiada batalha de bandas islandesa Músíktilraunir. A partir dali, o som que misturava a calmaria acústica e explosões épicas de metais e percussão chamou a atenção da rádio americana KEXP e, rapidamente, o mundo descobriu o grupo. A Islândia molda profundamente sua identidade: as canções frequentemente remetem a histórias de monstros, mitologias folclóricas, oceanos gélidos e florestas profundas.
A discografia oficial do grupo reflete um amadurecimento constante, partindo de um folk puro e acústico para texturas eletrônicas e experimentais:
My Head Is an Animal (2011/2012): O álbum de estreia que mudou tudo. Impulsionado pelo megahit mundial "Little Talks", o disco trouxe uma sonoridade lúdica e grandiosa cheia de coros contagiantes.
Beneath the Skin (2015): Mais sombrio, maduro e introspectivo. O álbum estreou no Top 3 da Billboard 200 e explorou mais o peso das batidas eletrônicas e guitarras distorcidas.
FEVER DREAM (2019): Uma mudança radical em direção ao indie pop. Repleto de sintetizadores e efeitos vibrantes, o grupo provou que não tinha medo de sair de sua zona de conforto acústica.
All is Love and Pain in the Mouse Parade (2025): O aguardado álbum recente marca o retorno dos islandeses a uma nova era criativa, celebrando seus 15 anos de estrada com maturidade emocional.
O universo visual do Of Monsters and Men é tão rico quanto a sua música. Videoclipes como o de "Little Talks" (uma animação fantástica em preto e branco que lembra mitos nórdicos) e "Mountain Sound" capturam perfeitamente o espírito de aventura lúdica da banda. Já na era Beneath the Skin, os clipes de faixas como "Crystals" e "Empire" focaram em performances dramáticas e expressionistas, contando com participações de atores islandeses fazendo interpretações intensas em sincronia labial.
Para além dos clipes, a banda lançou o aclamado documentário TÌU. O filme mergulha na intimidade dos bastidores, registrando o isolamento criativo, os desafios do sucesso global massivo e a profunda conexão emocional entre os integrantes enquanto retornavam à Islândia para reencontrar suas raízes após turnês exaustivas pelo mundo.

O grupo se tornou um dos nomes mais requisitados dos grandes palcos globais. Entre as suas apresentações mais históricas destacam-se passagens consagradas em festivais como o Coachella, Glastonbury, Newport e Reading & Leeds. Além disso, a banda fez apresentações marcantes no programa de TV americano Saturday Night Live.
Sua música também ecoou fortemente no cinema e na TV. A faixa "Dirty Paws" foi o tema principal da icônica trilha sonora do filme A Vida Secreta de Walter Mitty (2013). O sucesso foi tamanho que os próprios integrantes fizeram uma participação especial como músicos de rua em episódios da sexta temporada da aclamada série Game of Thrones, da HBO.
A icônica aparição de Of Monsters and Men em Game of Thrones aconteceu no quinto episódio da sexta temporada ("The Door"), exibido originalmente em maio de 2016. Fãs declarados da série, os cinco integrantes da banda realizaram o sonho de fazer uma ponta em Westeros como uma banda de músicos itinerantes em Braavos.
Na cena, eles tocam ao fundo de uma peça de teatro cômica à qual a personagem Arya Stark (Maisie Williams) assiste. A encenação satirizava de forma cruel os eventos políticos de Porto Real, incluindo a morte do próprio pai de Arya, Ned Stark.
Os Bastidores: Totalmente caracterizados com trajes medievais teatrais e maquiagens expressivas, o grupo gravou as cenas em Girona, na Espanha, ao longo de três dias sob um calor intenso. O vocalista Ragnar "Raggi" comentou em entrevistas o quão impressionante foi o nível de detalhe dos figurinos e o trabalho exaustivo de repetir a mesma cena sob diversos ângulos.
Tradição Islandesa: Com o cameo, o OMAM seguiu uma curiosa tradição da HBO de convidar grandes nomes da música da Islândia para o show, sucedendo os conterrâneos do Sigur Rós (que tocaram no casamento de Joffrey na 4ª temporada).
O ápice comercial, cultural e de impacto global do Of Monsters and Men ocorreu inegavelmente durante o ciclo de lançamento do seu álbum de estreia, My Head Is an Animal. Foi o momento em que saíram do completo anonimato na Islândia para se tornarem um fenômeno mundial do indie folk. O Megahit "Little Talks": A faixa-chave que impulsionou o sucesso da banda acumulou marcas astronômicas, superando 1,4 bilhão de streams globais. A canção alcançou a histórica 20ª posição na Billboard Hot 100 dos EUA, liderou as paradas de rock alternativo e colocou os vocais sobrepostos de Nanna e Raggi nas rádios de todo o planeta. O disco de estreia alcançou o Top 6 na Billboard 200 norte-americana e conquistou certificados de multi-platina em múltiplos países. Para uma banda estreante vinda de um país de pouco mais de 300 mil habitantes, o feito foi considerado um verdadeiro feito histórico na indústria musical.
Foi nesta era que a banda carimbou sua estreia nos palcos principais de festivais gigantescos como o Coachella (onde retornaram consagrados em 2016) e Glastonbury, além de fazer sua eletrizante primeira apresentação no Lollapalooza Brasil em 2013, apontada por eles como uma das mais emocionantes de suas vidas.

Beneath the Skin é o segundo álbum de estúdio, lançado em junho de 2015 na Islândia . O nome do disco vem de um verso da música "Human": "Plants awoke and they slowly grow beneath the skin" (Plantas acordam e lentamente crescem abaixo da pele). Traz uma sonoridade mais introspectiva, madura e menos festiva se comparado ao álbum de estreia My Head Is an Animal, focando em temas como vulnerabilidade, lutas internas e relacionamentos.
O álbum FEVER DREAM, lançado em julho de 2019, representou um verdadeiro divisor de águas na carreira do Of Monsters and Men. A repercussão do trabalho foi marcada por uma forte divisão entre a crítica e os fãs mais antigos, motivada pela mudança radical da identidade sonora da banda, que trocou os violões e bumbos de folk por sintetizadores e texturas de indie pop eletrônico.
O disco estreou diretamente na 9ª posição da Billboard 200, marcando o terceiro álbum consecutivo do grupo a alcançar o Top 10 nos Estados Unidos. O single de estréia, "Alligator", teve uma repercussão massiva nas rádios de rock alternativo, chegando ao topo da parada Billboard Adult Alternative Songs. A faixa injetou uma energia de rock de arena que surpreendeu o público.
Os críticos elogiaram a coragem da banda em se reinventar, embora alguns tenham sentido falta da "magia folclórica" dos primeiros anos. O álbum alcançou uma média de 71/100 no Metacritic, indicando avaliações majoritariamente favoráveis. Portais como o NME destacaram que a transição para o pop guiado por sintetizadores foi bem-sucedida, elogiando a produção polida e a entrega vocal mais confiante de Nanna Bryndís. Críticos pontuaram que a banda evitou o fantasma de se tornar artisticamente irrelevante ao se recusar a repetir a fórmula de "Little Talks". Algumas resenhas, como a da Pitchfork, argumentaram que, ao adotar uma sonoridade pop eletrônica mainstream, a banda acabou diluindo a atmosfera mística e o peso emocional e puramente islandês que os tornava únicos no cenário global.

Os fãs puristas do indie folk expressaram decepção nas redes sociais com a ausência de instrumentos acústicos e dos coros grandiosos, achando o som muito artificial ou comercial. Uma parcela considerável celebrou o dinamismo do álbum. Faixas mais intimistas e modernas como "Ahay" e "Róróró" mostraram um amadurecimento técnico que atraiu um novo público, mais conectado ao pop alternativo de bandas como Chvrches e Florence + The Machine.
Nos palcos, as músicas de FEVER DREAM deram uma nova dinâmica às turnês da banda em 2019 e início de 2020. O visual dos shows mudou drasticamente: o grupo abandonou a estética rústica e folk dos palcos e adotou cenários vibrantes, repletos de cores neon, luzes fortes e figurinos modernos, refletindo perfeitamente a energia elétrica e "psodélica" do álbum. Alcançando com rapidez o Top 20 da parada Rock & Alternative Airplay da Billboard. Outras faixas lançadas estrategicamente para gerar tração nas plataformas, como "Dream Team" e "The Towering Skyscraper at the End of the Road", foram muito elogiadas pela química restabelecida entre os vocais sobrepostos de Nanna e Raggi.
Em 2025, a banda lançou All Is Love And Pain In The Mouse Parade, a sensação geral deixada pelo álbum na mídia foi a de que, ao se afastar das pressões de criar um "novo megahit comercial", o grupo conseguiu entregar uma obra honesta e profundamente acolhedora. A recepção global de All Is Love and Pain in the Mouse Parade consolidou o projeto como um dos retornos mais celebrados do cenário alternativo recente. Após o hiato de seis anos e as experimentações polarizadoras do passado, a resposta da mídia e do público girou em torno de três pilares fundamentais:
A crítica especializada recebeu o trabalho com entusiasmo, definindo-o como um "retorno para casa". Veículos que antes criticaram o excesso de eletrônica do álbum anterior elogiaram a volta das texturas acústicas, metais imponentes e percussões rústicas. Portais como o When the Horn Blows aclamaram o disco como "o trabalho mais introspectivo e sonoramente polido da banda até hoje", destacando as nuances emocionais e a atmosfera enevoada de faixas como "The Actor" e "Kamikaze". A produção dividida com o renomado Peter Katis (conhecido por seus trabalhos com o The National) foi muito elogiada por dar uma roupagem madura e cinzenta ao som clássico da banda.
A imprensa focou bastante no conceito poético do álbum, que trocou as grandes mitologias nórdicas de florestas e monstros por histórias minimalistas e cotidianas, inspiradas de forma surreal por camundongos que invadiram o estúdio dos integrantes durante o inverno islandês. A plataforma Apple Music destacou a vulnerabilidade emocional da narrativa, enquanto críticos aplaudiram a sensibilidade lírica de faixas como "Tuna in a Can" e "Television Love", que usam essa metáfora comunitária para falar sobre o isolamento humano, o amor e a dor coletiva. O single principal, "Ordinary Creature", encontrou espaço imediato nas rádios de rock alternativo, impulsionando o anúncio da turnê mundial que se estendeu até os aguardados shows no Brasil.

Serviço – Of Monsters and Men em São Paulo
Data: 26 e 27 de novembro de 2026
Local: Audio
Endereço: Av. Francisco Matarazzo, 694 – Água Branca, São Paulo – SP, 05001-100
Horários: Portas 20h / Show 21h30
Classificação etária: 16+ / menores de 16 anos acompanhados dos pais ou responsável legal
Ingressos esgotados



