Pixies: entre o grito e o sussurro
A herança distorcida, o surrealismo e a genialidade barulhenta dos Pixies
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9/11/202614 min read


Para a alegria dos fãs, os Pixies confirmaram oficialmente que desembarcam no Brasil no dia 9 de abril de 2027, para uma apresentação única no Espaço Unimed, em São Paulo.
Celebrando 40 anos de estrada, o show faz parte da aguardada turnê sul-americana P40. Esta será uma ocasião histórica: a primeira vez que a lendária banda norte-americana fará um show solo em espaço fechado no país, fora do circuito de festivais de grande porte. A formação atual traz Black Francis, Joey Santiago, David Lovering e a baixista Emma Richardson (ex-Band of Skulls), que se juntou ao grupo em 2024. Os ingressos estão à venda na plataforma oficial da Eventim Brasil.
Os Pixies são uma das forças mais transformadoras e reverenciadas da história do rock alternativo mundial. Nascida na efervescente cena universitária de Boston no meio da década de 1980, a banda lapidou a famosa dinâmica de composição baseada no contraste "quieto/barulhento/quieto", um modelo estético que serviu de fundação direta para o movimento Grunge e influenciou profundamente ícones como Kurt Cobain (Nirvana), David Bowie e Radiohead.
A semente da banda começou a germinar através da forte conexão de amizade entre o guitarrista solo Joey Santiago e o vocalista e principal compositor Charles Thompson — que mais tarde adotaria o pseudônimo de Black Francis. Os dois se conheceram como colegas de quarto enquanto cursavam a Universidade de Massachusetts em Amherst.
Unidos por obsessões musicais semelhantes que iam de Ramones a Talking Heads, os dois decidiram largar os estudos formais, mudar-se para Boston e montar um projeto musical próprio no começo de 1986.
O nome da banda surgiu de forma completamente espontânea. Enquanto folheava um dicionário à procura de termos interessantes, Joey Santiago deparou-se com a palavra "Pixies" (que se traduz livremente como "fadas" ou "duendes"). Fascinados pela sonoridade da palavra e pelo conceito de "pequenas criaturas travessas", eles adotaram a marca que definiria perfeitamente a fusão de melodias doces e texturas sonoras bizarras do grupo.
Decididos a completar a formação, os amigos publicaram um anúncio nos classificados de um jornal local procurando por uma baixista que gostasse tanto do trio folk Peter, Paul and Mary quanto do grupo punk Hüsker Dü. A única pessoa a responder foi Kim Deal, uma musicista de Ohio que nunca havia tocado baixo profissionalmente na vida.
Apesar disso, sua personalidade magnética, vocais melódicos e linhas de baixo firmes garantiram a vaga de imediato. Pouco depois, Kim indicou o experiente baterista David Lovering, fechando o quarteto que faria história na música independente.

Nada seria tão importante na época como a parceria com a lendária gravadora independente britânica 4AD. Em 1987, o grupo gravou uma fita demo de 17 faixas conhecida como The Purple Tape. O material chegou às mãos de Ivo Watts-Russell, o visionário chefe da 4AD. Inicialmente, Ivo achou o som da banda "rock 'n' roll demais" para o catálogo etéreo e gótico da gravadora, mas foi convencido por sua namorada a assinar com o grupo.
O contrato com a 4AD foi o catalisador perfeito para o sucesso europeu da banda. Foi sob o selo que os Pixies lançaram toda a sua tetralogia de ouro: Come On Pilgrim (1987) (Mini-álbum de estreia utilizando faixas da demo original), Surfer Rosa (1988), Doolittle (1989), Bossanova (1990), Trompe le Monde (1991).
A gravadora não apenas financiou os discos, mas moldou a identidade visual icônica da banda através das artes de capa surreais criadas pelo designer Vaughan Oliver, tornando as prensagens em vinil dos Pixies verdadeiros objetos de desejo colecionáveis até os dias de hoje.
A discografia inicial dos Pixies redefine as fronteiras do rock clássico com as seguintes obras essenciais:
Come On Pilgrim (1987):Tecnicamente um mini-álbum/EP de estreia, mas traz a energia mais selvagem e punk do início da carreira (destaque para Vamos e Caribou)
Surfer Rosa (1988): Gravado pelo lendário produtor Steve Albini, o álbum de estreia apresentou ao mundo hinos crus como "Where Is My Mind?" e "Gigantic", marcados por guitarras estridentes, vocais rasgados e letras enigmáticas sobre religião e voyeurismo.
Doolittle (1989): Considerado o magnum opus da banda, ele equilibra perfeitamente o ruído punk com o apelo pop comercial. Clássicos absolutos como "Here Comes Your Man", "Debaser", "Monkey Gone to Heaven" e "Wave of Mutilation" moldaram o som dos anos 90. "Here Comes Your Man" (1989): O clipe mais famoso e divertido da banda. Irritados com a exigência da gravadora de fazerem uma dublagem (lip-sync), os integrantes decidiram protestar gravando o vídeo com as bocas completamente fechadas ou abertas de forma estática enquanto a música toca. "Monkey Gone to Heaven" (1989): Filmado em um visual preto e branco elegante e esfumaçado, o clipe foca na banda tocando enquanto imagens surreais e rústicas alternam na tela, capturando perfeitamente a atmosfera pesada e apocalíptica da letra sobre o meio ambiente.
Bossanova (1990): Um disco que mergulha mais no surf rock e em temas de ficção científica (destaque para Velouria e Dig For Fire).O clipe de "Velouria" (1990): Um clássico do minimalismo anticomercial. Para cumprir o prazo do programa Top of the Pops da BBC, a banda gravou um vídeo gravado inteiramente em uma única câmera lenta (slow-motion), mostrando os quatro integrantes correndo em uma pedreira de forma caótica. O resultado foi um vídeo cru que se tornou cultuado pelos fãs.
Trompe le Monde (1991): O último trabalho antes da separação nos anos 90, com um som mais acelerado e pesado, flertando com o space rock (destaque para Alec Eiffel e o cover de Head On do Jesus and Mary Chain).
Apesar do sucesso artístico estrondoso, a convivência interna sempre foi altamente inflamável. As crescentes tensões criativas e pessoais entre Black Francis e Kim Deal começaram a minar o grupo logo após o lançamento de Doolittle.
A banda era conhecida internacionalmente por seus shows ao vivo intensos, diretos e sem interrupções, focados puramente na explosão sonora e com pouquíssima interação verbal com a plateia. No entanto, os atritos nos bastidores se tornaram insustentáveis após os álbuns Bossanova (1990) e Trompe le Monde (1991). Após o lançamento de Trompe le Monde (1991), onde Kim praticamente não teve espaço e sequer participou ativamente dos arranjos, a banda entrou em hiato. Em 1993, cansado das brigas e do desgaste, Black Francis anunciou o fim dos Pixies por fax, sem sequer ligar para Kim para avisar.

Dali por diante todos buscaram projetos pararelos, e nenhum projeto nascido dos Pixies foi tão gigante e influente quanto os liderados por Kim Deal, como o The Breeders, formado em 1989 ao lado de Tanya Donelly (do Throwing Muses) e, posteriormente, de sua irmã gêmea Kelley Deal. O primeiro álbum, Pod (1990), conquistou a crítica, mas foi com Last Splash (1993) que a banda estourou mundialmente. O single "Cannonball" virou um hino da MTV e das rádios alternativas, fazendo os Breeders tocarem no palco principal do festival Lollapalooza e venderem milhões de cópias — rivalizando diretamente com o sucesso dos próprios Pixies. The Amps: Durante um breve hiato dos Breeders devido a problemas pessoais na banda, Kim formou o The Amps em 1995, lançando o álbum Pacer, que trazia uma sonoridade ainda mais crua, lo-fi e punk rock.
Após implodir os Pixies em 1993, Charles Thompson mudou seu nome artístico para Frank Black e iniciou uma prolífica e respeitada carreira solo. Frank Black (Fase Solo Inicial): Lançou álbuns homônimos de muito prestígio como Frank Black (1993) e Teenager of the Year (1994). Nessas obras, ele explorou misturas de punk rock, surf music e letras focadas em ficção científica, OVNIs e cultura pop. Frank Black and the Catholics: No final dos anos 90, ele montou essa banda de apoio focada em um rock de garagem visceral. Eles ficaram famosos por gravar seus discos totalmente ao vivo no estúdio, direto para fitas de dois canais, sem edições ou overdubs. Grand Duchy: Um projeto de synth-pop e art-rock eletrônico que ele montou em 2008 ao lado de sua então esposa, Violet Clark.
O guitarrista solo dos Pixies sempre foi conhecido por suas texturas sonoras e menos pelo desejo de ser o centro das atenções. The Martinis: Banda de rock alternativo que Joey formou em 1993 junto com sua esposa na época, a cantora Linda Mallari. O grupo lançou algumas músicas de destaque em trilhas sonoras de Hollywood, incluindo o filme Império dos Discos (Empire Records) de 1995. Composição de Trilhas Sonoras: Joey encontrou uma carreira sólida criando trilhas para a televisão e o cinema. Ele assinou a trilha sonora da aclamada série documental de comédia Weeds (Showtime) e do filme independente Radiant City.
O baterista dos Pixies seguiu caminhos surpreendentes longe das baquetas tradicionais durante os anos de separação. The Scientific Phenomenalist: Apaixonado por eletrônica e experimentos científicos, Lovering vestia um jaleco de laboratório e se apresentava como um "ilusionista científico". Seus shows misturavam truques de mágica reais, física e experimentos visuais curiosos nos palcos. Ele chegou a fazer os shows de abertura de turnês do Frank Black e do The Breeders. Baterista de Apoio: Lovering também tocou temporariamente com bandas como Cracker e participou do supergrupo de estúdio The Martinis com Joey Santiago.

O lançamento do documentário loudQUIETloud: A Film About the Pixies (2006) teve uma repercussão profundamente divisiva e melancólica. Dirigido por Steven Cantor e Matthew Galkin, o filme pretendia registrar a triunfante e celebrada turnê de reunião da banda em 2004, após 11 anos de separação. No entanto, em vez de uma festa nostálgica, o público recebeu um retrato cru, desconfortável e desprovido de glamour sobre a intimidade de uma banda disfuncional.
O filme revelou que a química avassaladora que os Pixies tinham em cima do palco contrastava com um vazio social absoluto nos bastidores. O jornal britânico The Guardian, por exemplo, elogiou a obra descrevendo-a como "uma elegia sem retoques, um retrato fascinante de uma gangue que alcançou a grandeza sem perceber o que tinha feito".
A imprensa aclamou o longa por fugir do formato tradicional "Behind the Music" e adotar o estilo fly-on-the-wall (cinema veracidade), onde as câmeras apenas observavam as fragilidades humanas dos integrantes: Kim Deal aparecia vulnerável, tendo acabado de sair da reabilitação e lutando intensamente para se manter sóbria no ambiente de turnê. O baterista David Lovering lidava com o luto devastador pela morte de seu pai, recorrendo ao uso de ansiolíticos (Valium) para aguentar a pressão.
Para muitos fãs, o documentário quebrou a "magia" intocável da banda. Em fóruns de discussão como o Reddit, entusiastas debateram amplamente o fato de o filme expor de forma escancarada que o principal combustível para o retorno de 2004 não era o amor pela música, mas sim a necessidade de dinheiro. Ver seus heróis agindo de forma fria, sem trocar uma palavra antes de subir ao palco e indo cada um para o seu lado imediatamente após o término do show, foi doloroso para a base de fãs mais romântica.
Quem não gostou nada do resultado final foi o líder da banda. Na época do lançamento nos festivais de cinema (como o Tribeca), Black Francis criticou publicamente o filme na imprensa internacional, classificando-o como apelativo e distorcido. O cantor argumentou que o documentário focou excessivamente nos momentos de fraqueza e isolamento de cada membro para inflar uma narrativa trágica, ignorando a verdadeira dinâmica profissional que fazia os shows funcionarem tão bem.
Apesar das controvérsias e do clima pesado, loudQUIETloud mantém uma avaliação sólida de 68% de aprovação crítica no agregador Rotten Tomatoes. Ele é considerado hoje um dos documentários musicais mais honestos dos anos 2000, justamente por não esconder as cicatrizes deixadas pelo tempo e pelo ego.

Diferente da primeira reunião em 2004, que foi focada apenas em turnês nostálgicas, o ano de 2014 marcou o verdadeiro recomeço de estúdio dos Pixies com o lançamento de Indie Cindy. Desde então, a banda manteve-se prolífica e ativa, lançando uma série de discos de inéditas como Head Carrier (2016), Beneath the Eyrie (2019), Doggerel (2022) e o recente The Night the Zombies Came (2024).
A história do Pixies no Brasil é marcada por momentos apoteóticos e de muita nostalgia: 2004 (Curitiba): A primeira vez do grupo em solo brasileiro entrou para a antologia da cena indie nacional. Recém-reunidos, eles fizeram uma apresentação histórica sob um frio intenso na Pedreira Paulo Lemiski.2014 (Lollapalooza Brasil): A banda marcou presença no festival em São Paulo, já sem Kim Deal (que havia deixado o grupo definitivamente em 2013), mas entregando um setlist impecável lotado de hits. 2022 (Popload Festival e Rio de Janeiro): Além de se apresentarem em São Paulo, o grupo realizou uma apresentação lendária no Vivo Rio, marcando a primeira vez em que tocaram em solo carioca com um show ininterrupto de 38 músicas.
A entrada da argentino-americana Paz Lenchantin trouxe a estabilidade que os Pixies tanto precisavam após a saída tumultuada de Kim Deal em 2013 (e a breve passagem de Kim Shattuck). Com um currículo pesado no rock alternativo — incluindo passagens marcantes por bandas como A Perfect Circle e Zwan (de Billy Corgan) —, Paz assumiu o baixo inicialmente como musicista de turnê em 2014, sendo oficializada como integrante fixa em 2016.
Sua passagem durou uma década completa e foi crucial para consolidar o retorno definitivo dos Pixies aos estúdios. Ela gravou três álbuns fundamentais da fase moderna: Head Carrier (2016), Beneath the Eyrie (2019) e Doggerel (2022). Além de suas linhas de baixo precisas, Paz assumiu com maestria os vocais de apoio etéreos e chegou a cantar faixas principais, como o single "All I Think About Now" (uma carta aberta de agradecimento a Kim Deal). Sua saída em março de 2024 ocorreu de forma repentina para que ela focasse em projetos autorais, abrindo espaço para a entrada de Emma Richardson.
Beneath the Eyrie (2019), gravado em uma antiga igreja abandonada convertida em estúdio no estado de Nova York, o álbum foi profundamente influenciado pelo clima sombrio do isolamento. É amplamente considerado o trabalho mais coeso e atmosférico da fase pós-reunão. A Sonoridade: O álbum deixa um pouco de lado o punk cru e mergulha de cabeça em uma estética de rock gótico e contos de fadas sombrios, com guitarras ecoantes e muito espaço para o baixo melódico. Destaques: O single energético "On Graveyard Hill" e a cativante "Catfish Kate" mostram que a banda ainda sabe criar refrões marcantes sem depender puramente da nostalgia. "On Graveyard Hill" (2019), já na fase moderna com Paz Lenchantin, o clipe abraça uma estética de filme de terror psicodélico "B", dirigido por Ali Blackburn, repleto de bruxaria, cores saturadas e tarô, casando perfeitamente com a sonoridade gótica do álbum Beneath the Eyrie.
Doggerel é o disco onde os Pixies finalmente pareceram confortáveis com a sua própria idade e história. É um álbum construído por músicos experientes fazendo o rock de garagem que mais amam.O disco apresenta arranjos mais encorpados, letras que misturam alienação com reflexões sobre o envelhecimento e momentos de guitarras pesadas que lembram a transição que a banda fez nos anos 90. A excelente "Nomatterday" — que muda de ritmo e andamento na metade da canção, remetendo diretamente às estruturas bizarras do início da carreira — e o single radiofônico "There's a Moon On".
O trabalho de estúdio mais recente da banda trouxe um frescor inédito, impulsionado diretamente pela estreia da baixista britânica Emma Richardson. O álbum traz uma mistura teatral de horror e melancolia romântica, bebendo muito da fonte da surf music desacelerada e do folk de bar de estrada. As harmonias vocais entre Black Francis e Emma Richardson resgatam o clássico equilíbrio entre o doce e o bizarro. Destaques: A explosiva e divertida "You're So Impatient" (que abre os shows com força total) e as macabras "Jane (The Night the Zombies Came)" e "Oyster Beds".

A atual baixista dos Pixies, Emma Richardson, que entrou no grupo em 2024 para a turnê atual e do disco The Night the Zombies Came, tem uma bagagem musical pesada e uma carreira paralela nas artes visuais. Band of Skulls: Emma foi cofundadora, baixista e vocalista dessa celebrada banda britânica de blues-rock e garage rock entre 2009 e 2022. O grupo acumulou hits de rádio como "I Know What I Am" e abriu turnês para gigantes como Muse, Queens of the Stone Age e Black Keys. Artes Plásticas: Além da música, Emma é uma pintora talentosa, tendo realizado diversas exposições solo em galerias no Reino Unido com suas pinturas a óleo abstratas e expressivas.
A entrada da britânica Emma Richardson nos Pixies aconteceu de forma surpreendente, urgente e totalmente inesperada no início de março de 2024. Ela chegou para substituir a baixista argentina Paz Lenchantin, que havia deixado o grupo repentinamente após uma década de serviços prestados. Os bastidores dessa transição revelam como um telefonema mudou os rumos da carreira da musicist
Em 2022, Emma havia decidido se afastar dos palcos e das turnês mundiais após passar mais de 10 anos como cofundadora da banda Band of Skulls. Ela estava totalmente reclusa em seu estúdio em Londres, dedicando-se exclusivamente à sua outra grande paixão: as artes plásticas e a pintura a óleo.
Até que o telefone tocou. Do outro lado da linha estava o renomado produtor musical Tom Dalgety, que já havia trabalhado com os Pixies em discos anteriores. Dalgety explicou que a banda havia acabado de romper com Paz Lenchantin, tinha sessões de estúdio agendadas e uma turnê mundial massiva batendo à porta. Ele precisava indicar alguém com extrema competência técnica e bagagem de estrada. O nome de Emma foi o primeiro a ser lembrado.
Após conversar diretamente com Black Francis e os empresários da banda, Emma aceitou o desafio de imediato. No entanto, a entrada na engrenagem dos Pixies exigiu dela uma mudança drástica de comportamento no instrumento: A técnica da palheta: Historicamente, Emma Richardson era uma baixista purista de rock e blues que tocava usando exclusivamente os dedos. O som dos Pixies, contudo, é mundialmente famoso pelas linhas de baixo estaladas, rítmicas e agressivas criadas originalmente por Kim Deal. Para se encaixar perfeitamente na identidade sonora da banda, Emma teve que mudar sua técnica e aprender a tocar usando palheta em tempo recorde. Trabalho de casa intenso: Ela revelou em entrevistas que se trancou para estudar meticulosamente todo o catálogo clássico do grupo, garantindo que a transição nos ensaios fosse o mais fluida e respeitosa possível com o legado da banda.
A química nos ensaios funcionou tão bem que os Pixies não apenas a levaram para a estrada na turnê de 2024, como também a integraram instantaneamente no processo criativo do grupo. Seus primeiros registros oficiais de estúdio foram os singles "You're So Impatient" e o cover sombrio de "Que Sera, Sera".
Pouco tempo depois, ela gravou os baixos e os vocais de apoio de The Night the Zombies Came (2024), o nono álbum de estúdio da banda. A voz doce e melódica de Emma trouxe de volta um elemento crucial que Black Francis sempre valorizou na banda: o contraste clássico entre um vocal masculino rasgado e uma voz feminina celestial de apoio. Nas palavras do próprio Black Francis, Emma tornou-se a personificação do "Yin e Yang" atual dos Pixies
Embora os discos clássicos dos anos 80 e 90 permaneçam intocáveis, a produção de estúdio dos Pixies após o retorno em 2014 construiu uma identidade sólida. Em vez de tentarem replicar a fúria juvenil do passado, os integrantes abraçaram a maturidade com um som mais polido, flertando com o rock gótico, o folk e o surf rock clássico. Entre os fãs e a crítica especializada nos fóruns e plataformas, estes últimos álbuns são considerados os três melhores discos da fase moderna dos Pixies.


Crédito Travis Shinn
O show dos Pixies em abril é uma realização das agências LATINA!, CultMix Live e Last Tour, em parceria com Lúcio Ribeiro.
SERVIÇO – PIXIES EM SÃO PAULO
Data: 9 de abril (sexta-feira) de 2027
Local: Espaço Unimed – São Paulo
Abertura dos portões: 19h30
Horário do show: 21h30

