Redd Kross: uma vida á espera dos irmãos McDonald

Quarteto de Los Angeles vem ao Brasil pela primeira vez

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German Martinez

2/26/20265 min read

Quando os irmãos Jeff e Steven, ainda eram crianças seus pais deixavam rolar discos dos Beatles, dos Stones, dos Kinks pela casa, tomando gosto pela coisa, eles descobriram os Ramones, as Runaways, David Bowie, Mott The Hoople, e por aí vai. Ainda eram estudantes e queriam fazer um som inspirado nessas bandas, que eram suas maiores paixões e referências, mas eles também gostavam de Glam, de Punk e de Bubblegum, e tudo isso misturado aí, com o gosto pela cultura pop, baseado em filmes e séries. Os garotos já tocavam instrumentos e tinham uma banda chamada The Tourists, o projeto chegou ao fim, e eles decidiram formar o Red Cross (sim, a Cruz Vermelha).

Ainda no tempo de colégio na pequena cidade de Hawthorne, berço dos Beach Boys, no condado de Los Angeles. Eles juntaram uma grana pra fazer seu primeiro registro, uma espécie de EP, com 6 faixas e pouco maís de 6 minutos, ali eles tinham por volta 11 e 15 anos de idade, Steven e Jeff, respectivamente. Mesmo tão prematuros musicalmente não os impediria de validar seu primeiro registro. Pois bem, pra começarem as atividades, os irmãos recrutaram John Stielow (e posteriormente Ron Reyes) e Greg Hetson (sim, do Circle Jerks e que depois integraria o Bad Religion), ali estava formado o time do Red Cross.

A molecada da época já circulava por vários lugares da região, e lá existia a The Church, uma antiga igreja que serviu de espaço pra ensaios pra várias bandas no seu início, inclusive o Black Flag de Greg Ginn. Foi justamente por causa disso que o primeiro show do Red Cross foi abrindo pro Black Flag. Se em Nova York nós tínhamos Harley Flanagan, dos Stimulators, que formaria o clássico Cro Mags, e na época tinha 12 anos e tocando por tudo que era lugar, em Los Angeles isso ficava por conta dos irmãos McDonald, que já tocavam em lugares como o Whisky a Go Go, em Hollywood.

Após um "apavoro" da Cruz Vermelha, eles optaram por mudar a grafia do nome pra Redd Kross. O primeiro disco cheio veio em 1982, e marca um ponto essencial na trajetória da banda, Born Innocent, sendo seu debut. As letras foram um diferencial da banda, sempre muito irônicas e divertidas.

O disco seguinte, Teen Babes From Monsanto, tem um cover de Deuce, do Kiss, que já demonstrava explicitamente uma das maiores influências da banda. Em meados dos anos 80, os Redd Kross conheceram as garotas do Shonen Knife, e acabaram "meio" que se tornando os padrinhos delas pelos EUA, e participando do tributo as japonesas ao lado de bandas como: L7, Sonic Youth, gravando a faixa Kappa Ex.

Uma das paixões de Steven e Jeff, eram obviamente os Ramones, e em 1987, eles tiveram a mão de Tommy Ramone, produzindo seu álbum Neurotica. Pouco tempo depois eles lançariam Third Eye, um disco que já rumava pra um outro lado mais pop e radiofônico, se assim poderíamos dizer. O disco emplacou a faixa Annie's Gone.

E se o som da banda era como um camaleão, o visual dos caras mudava também constantemente, pra nós brasileiros talvez o momento ápice tenha sido com o álbum Phaseshifter, que seria lançado em 1993, flertava com o grunge sem abandonar suas raízes. O videoclipe de Jimmy's Fantasy, pegou a molecada de jeito.

Mesmo sem se darem conta que o som seu som tinha ido pra algo voltado pro grunge, eles mesmos haviam sido referência pro cenário de Seattle, muito antes do movimento explodir no início dos anos 90, sendo citados pela maioria dos músicos locais, como uma grande influência da mistura do Punk, Glam e Bubblegum, em meados dos anos 80.

A fase noventista se encerra em 1997, com o álbum Show World. Nos anos 2000, a banda passou por um hiato, mas acabou lançando alguns discos como: Researching The Blues, Hot Issue, Beyond The Door. A banda segue na ativa lançando discos, o mais recente é o homônimo de 2024, um belo disco que demonstra que a banda ainda tem lenha pra queimar.

No mesmo ano de 2024, a banda lança seu documentário Born Innocent: The Redd Kross Story, que faz uma compilação da trajetória da banda, contando um pouco sobre a sua história de quase 50 anos.

Com a colaboração do jornalista Dan Epstein, Jeff e Steven, lançaram a autobiografia sobre a banda, intitulada de Now You're One Of Us, infelizmente sem versão nacional até o presente momento.

Em 1994, o Redd Kross quase fincou os pés no Brasil, numa passagem que teria: os Ramones e o Stone Temple Pilots, no fim só os nova-iorquinos vieram pra se apresentarem no Olympia. Anos mais tarde, numa entrevista ao site Scream And Yell, ao jornalista Luiz Mazzetto (escritor do livro Nós Somos a Tempestade), Steven conta que os Mutantes foram uma grande inspiração pra ele.

No decorrer desse caminho Steven foi tocar nos Melvins a convite de Buzz e Dale Crover, e a já profunda amizade trouxe Dale pro Redd Kross também, e segue até hoje. No mês de março, a banda vai até a Austrália fazer uma turnê ao lado dos magníficos Hard Ons, que são uma espécie de Redd Kross da Oceania, pra tocarem juntos após o lançamento de um split.

A expectativa desse show é das melhores, a banda nunca pisou no país desde seu surgimento, tanto Dale como Steven já estiveram por aqui com o Melvins e Off!, respectivamente, mas com o Redd Kross é algo inédito, é a hora e momento certo de conferir o irmãos McDonald ao vivo e a cores.

Crédito: Gilber Trejo

A produção é da Maraty & Powerline. O Show celebra os 26 anos do In-Edit Brasil e os 40 anos da London Calling Discos em noite histórica no dia 26 de junho no Cine Joia, em São Paulo

Ingressos disponíveis:

Redd Kross em São Paulo | FasTix