Shame: mais brasileiros do que nunca
Quinteto britânico brilha mais uma vez em território brasileiro
NOTÍCIAS
Texto German Martinez - Fotos Raíssa Corrêa
6/28/20266 min read


Ainda sob efeitos do espetacular show do Superchunk no mesmo Cine Jóia há algumas semanas antes, a Balaclava traria novamente seus "afilhados" aqui no Brasil, pra uma noite estonteante do Shame em São Paulo.
Quando a Balaclava Records anunciou o show do Shame, no início de março, os fãs do pós punk dos britânicos já começaram a ter formigamentos, o fato é que a banda já tem mais um álbum novo, o belíssimo Cutthroat, lançado em 2025, e que tem um ligação com a cultura brasileira, Charlie Steen, que namora uma brasileira foi apresentado a história de Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, o cangaceiro.
Não bastasse isso, o Shame também traz um breve histórico de muito amor com os brasileiros, sendo que esta seria sua terceira passagem pelo Brasil, já que haviam feito um show caótico na Breve, no bairro da Pompéia, no Bar Alto e um posterior no Fabrique Club, todos eles assinados pela própria Balaclava.
Passando por países como México, Peru, Chile e Argentina, a data final desembocaria na capital paulista, pra um público afoito pela banda. Com quatro álbuns na sua trajetória, o Shame continua em profunda ascendência no cenário mundial, e isso se comprova no trabalho mais atual que atesta uma evolução tanto sonora quanto lírica.




Muitos se perguntavam quem seria a banda/artista, que abriria os trabalhos pra banda britânica, poucos cogitaram alguma opção, e a banda Catiça, vindo de Londrina veio fazer o esquenta pra tal festa.
O grupo é recente, mas já crava um potencial pro cenário nacional, muito lembrou a Comunidade Nin Jitsu, mas tem ecos de New Metal, a banda por si só soa pesada, com muitas outras influências.
A pegada alegada por eles mesmos é o "Punk Metal", e a música é pesada, é groovada, e muitos dali já conheciam o repertório da banda, o grupo que já tem alguns materiais registrados, e se destacou pelo "punch" da apresentação




Entre a discotecagem e o público ainda chegando, o Shame subiu ao palco com um atraso de cerca de 30 minutos, fato que já se arrastaria por conta de um atraso na primeira atração. Ao som de Jorge Benjor com País Tropical, enfim o Shame cravou seus pés pela primeira vez no Cine Jóia. De óculos escuros, com uma colarinho clerical no pescoço e ostentando uma camisa da seleção brasileira de número 9, a clássica usada por Ronaldo Fenômeno e hoje sob a tutela de Matheus Cunha, Steen fez as boas vindas pra começar a com a pulsante Axis Of Evil, faixa que já costuma abrir os seus shows e que conta um refrão dos mais pegajosos da banda. O público já respondia á altura, enquanto Steen já perambulava por todo o palco, muito concentrados mas também bem enérgicos, os guitarristas Eddie Green e Sean Coyle-Smith, mas não dividiram tantos olhares como a explosão dos pulos de Josh Finerty, que era uma atração á parte.
Sempre procurando se expressar em português Charlie tentava se aproximar o mais possível do público, demonstrando o total controle da situação, mas vale lembrar que Steen é um performer incrível, mesmo se não falasse uma palavra em português, ele é carismático ao extremo.
A icônica Concrete, do primeiro disco e do emblemático clipe, fez todo mundo balançar como se fosse uma danceteria londrina dos anos 90. Se o Shame se inspira no pós-punk/punk britânico, fica evidente que linhas de baixo como Tasteless, sejam uma herança direta de bandas como Gang Of Four, Stiff Little Fingers, ou Buzzcocks, ou seja, a lição de casa foi feita e ganhou nota alta.
Já sem a camisa do "brasa", Steen deu uma chamada geral sobre todos os covardes que pisam por este mundo, Cowards Around, seguida da dançante e cantarolável Nothing Better, fez o papel de uma das canções mais fundamentais da noite, que fizeram a dobradinha do disco novo.




Fingers Of Steel, trouxe um momento mais reflexivo pro show, mas em que nada deixou a peteca cair, já que na sequência viria a selvagem Six Pack, a faixa que induz qualquer um a querer entrar numa roda, e não faltou isso nas rodas que se formavam pelo Cine Jóia. Se não havíamos falado ainda de Charlie Forbes, o baterista, agora era o momento, escondido no fundo do palco, e esboçando alguns sorrisos, ele era o gerador de energia de muitas das canções.
Alphabet, com aquela introdução frenética e sob luzes estroboscópicas alucinantes, trouxe a primeira aparição do discos Drunk Tank Pink, de 2021. Quiet Life, é perfeita desde que foi lançada, uma das mais belas canções do espólio do grupo. Balões em formato de coração começaram a ser espalhados pelo ambiente. Um dos momentos mais divertidos foi quando Steen empunhava uma meia lua, e dançou na beira do palco.
Se o Shame tem algumas pérolas em seu repertório, muito disso corresponde às guitarras impecáveis de Sean e Eddie, coisa que impressiona nos primeiros acordes de Born In Luton, que alavancava uma nova energia do público.




Voltávamos ao belíssimo Food For Worms, com a belíssima e muito pedida Aderall, por falar em canções pedidas, Friction foi pedida aos berros por várias vezes, mas juntamente de Dust On Trial (quiçá a nossa favorita) desta vez não foram executadas.
Música pra assoviar, e seguir no embalo, essa é Water In The Well, que trouxe calmaria pros corações mais calejados na platéia. Spartak e Snow Day, que foram celebradas da mesma forma que as canções anteriores.
A despedida seria com talvez o maior clássico da banda que tem já tem mais de uma década de trajetória, One Rizla, foi um dos pontos altos da noite. O coelho tirado da cartola foi quando tocaram Angie, do primeiro disco, que foi realmente a surpresa da noite.








A despedida seria com talvez o maior clássico da banda que tem já tem mais de uma década de trajetória, One Rizla, foi um dos pontos altos da noite. O coelho tirado da cartola foi quando tocaram Angie, do primeiro disco, que foi realmente a surpresa da noite.
Cutthroat, faixa título do disco, que já pode ser considerada das melhores do grupo, foi a escolhida pra que Steen desse uma stage dive e finalizasse com chave de ouro mais uma apresentação memorável da banda.
O Shame deu um banho de interação com o público brasileiro, de simpatia, uma verdadeira relação de amor de público e banda, que não tardem pra voltar.

