Shame: sem vergonha de nada

Quinteto inglês consolida sua trajetória em show único em São Paulo

NOTÍCIAS

German Martinez

5/30/20264 min read

O The Clash já ecoava pelos cantos de Londres em The Guns Of Brixton, mas foi exatamente de lá, que 5 moleques que frequentavam o Pub, Queens' Head, que juntos montaram uma banda que foi tocando pela região como se não houvesse amanhã, não apenas lá, mas como em lugares como: DIY The Windmill, Chimney Shitters, alguns dos pubs da área. A banda fazia a cabeça da juventude, seja pela bebedeira instaurada ou pela catarse promovida pela intensidade das performances.

Por volta dos seus 15 anos de idade, essa molecada já se concentrava principalmente pelo Queens' Head, onde tentavam burlar a segurança pra poderem conferir ao vivo bandas como: King Krule ou Childhood, que rolavam por lá, eles já se conheciam há algum tempo, após o final do ensino médio foi que Charlie Steen (vocais), Josh Finerty (baixo/vocais), Charlie Forbes (bateria), Eddie Green e Sean Coyle-Smith (guitarras), juntaram toda essa vitalidade da juventude pra montar uma banda que fizesse uma linha de som que eles gostassem. Graças ao circuito que frequentavam, essa molecada se tornou amiga de bandas como Stiff Little Fingers, Alabama 3, que lhes deu um pouco de "noção" no quesito banda. Com a autenticidade das bandas punks de outrora, o grupo distribuía seu próprio fanzine, o Shame On You, pros seus leitores e ouvintes.

Foi fazendo muitos shows pelo sul de Londres, que eles acabaram ganhando notoriedade no cenário local e logo chamaram a atenção da Dead Oceans, selo de Bloomington (Indiana - EUA), que rapidamente quis que eles assinassem um contrato pra lançar o primeiro disco, e em 2018 ele veio, Songs Of Praise é um álbum que permeia tudo aquilo que os rodeava, tédio, frustração e amizade, o disco é um reflexo do que eles estavam vivendo e soa ríspido, cru e direto, sem muita firula e em busca de uma sonoridade que se apoiava em bandas como The Fall, Joy Division, Gang Of Four. Foi gravado numa sala com todos reunidos, e improvisando até que algo saísse como o esperado.

A aproximação com o cenário local foi com bandas como: Fat Whites, Meatraffle, Dead Pretties, só que o Songs Of Praise lhes abriu portas que não haviam sido descobertas, e a banda caiu na estrada, o que acabou culminando que a banda desse uma "sumida" dos arredores de Brixton, pra tocarem com bandas como Fontaines DC, Idles, Viagra Boys, entre outros.

Desde o princípio a banda queria realmente se divertir, sem olhar muito pra trás, Steen cuspia versos em músicas como Concrete, e seu primeiro single One Rizla, que logo ganhou videoclipe, assim como Gold Hole, produzido por Micachu (Mica Levi), os shows não paravam, e agenda ficava cada vez mais cheia. The Lick chega até emular um lado meio Oasis da banda. E assim Songs Of Praise se espalhava pelo mundo.

Três anos de anos depois de Songs Of Praise, o segundo álbum estava a caminho, que começou a ser confeccionado antes da COVID 19, a experiência do debut e cair na estrada lhes trouxe uma outra perspectiva como banda, já que a vida adulta lhes batia à porta. Drunk Tank Pink, de modo incisivo aborda ainda temas como tédio e amizade, mas de uma forma mais visceral, alguma faixas já estavam prontas antes de embarcar pra França, onde gravaram o álbum no La Frette Studios, próximo a Paris, sob a tutela de James Ford, que tinha no currículo bandas como: Florence And The Machine, Foals e Arctic Monkeys. Ford optou pela gravação sem metrônomo, e fazendo com que Steen abandonasse um pouco do sprechgesang (canto falado), e Charlie foi implacável na interpretação de Snow Day, Nigel Hitter, Water in The Well e Born In Luton.

Considerado pela critica como melhor álbum até agora do grupo, 2023 gerou Food For Worms, no disco eles foram atrás de Mark Ellis (Flood) pra produção, ele que já trabalhado com PJ Harvey e Nick Cave, Smashing Pumpinks, Depeche mode. A visão de Flood, trouxe um novo horizonte pra banda, que deu um passo adiante musicalmente, trazendo uma identidade mais madura pras suas composições.

A sagacidade está ali e segue imposta, mas cada músico conseguiu variar, e se desenquadrar de uma sonoridade reta que remetia apenas ao pós-punk. Não poderíamos deixar de destacar as faixas Aderall, Alibis, e Fingers Of Steel como algumas das mais belas canções do disco.

Lançado em 2025, Cutthroat, quarto álbum da discografia da banda, marca um lado mais introspectivo nas canções, mas nada que o caótico e inesperado não estejam ali, como em faixas como Quiet Life ou Nothing Better. A estrada lhes possibilitou que fossem adiante nas composições das quais se nota uma preocupação linear com as novas faixas que compõem Cutthroat. Desta vez conduzido John Congleton, que havia trabalhado com artistas como St Vincent e Angel Olsen, foi gravado em Brighton no Salvation Studios. Steen levanta a bandeira do Brasil, contando um pouco sobre Lampião, já que sua namorada é brasileira. O disco é autêntico, e obviamente mostra o Shame num trabalho mais polido que os anteriores, mas sem perder sua essência.

Brasil

Em outubro de 2019, alguns meses meses antes da pandemia, o grupo veio ao Brasil pra uma performance única no país e se apresentou na Breve, localizada no bairro da Pompéia, a memória daquele dia pra muitos foi de um som urgente e caótico, era a estréia da banda por aqui e a tiracolo só tinham o álbum debut, Songs Of Praise, que por si só já se comunicava com o público presente.

Após 3 anos, vários shows por aí e mais um disco, Drunk Tank Pink, de 2021, a banda migrou pro Fabrique Club, promovendo uma catarse pros mais desavisados, a mistura enérgica de música alta e energia, fizeram com que a banda fosse idolatrada ainda mais, e não seria exagero, já que a entrega era impecável.

Novamente trazidos pela incessante Balaclava, o Shame promete fincar a bandeira no Brasil pela terceira vez afim de adentrar nos corações e nas mentes dos velhos e novos fãs da banda. O show acontece no Cine Jóia, no dia 20/06, sábado, localizado na Praça Carlos Gomes Pedrosa, 82, Liberdade, São Paulo, SP

Ingressos disponíveis:

https://www.ingresse.com/shame-sp/

Fique por dentro de todas as nossas novidades!

Inscreva-se