Superchunk: a alegria tem nome em forma de Indie-Rock

Após 15 anos, banda lava alma dos fãs em são Paulo

NOTÍCIAS

Texto German Martinez - Fotos Raíssa Corrêa

6/1/20267 min read

Mais queridos que do que muitas banda que sequer olham na cara dos fãs, ou param pra um abraço ou uma foto, o Superchunk novamente veio ao Brasil, pra se sentir mais à vontade do que nunca, isso graças à simpatia de Mac McCaughan (guitarra/voz), Betsy Wright (baixo), Laura King (bateria), Jim Wilbur (guitarra). Distantes do nosso país há mais 15 anos, a banda veio pra assumir uma agenda desta vez bem mais curta que o habitual, passando por Argentina, em Buenos Aires, e por aqui no Rio de Janeiro no Agyto, e em São Paulo a data seria no domingo dia 31/05, com abertura da banda Queda Livre.

Desta vez sob a tutela da Balaclava, o Superchunk que muito gosta de passear por onde toca, fez giros por vários lugares, passando pelos Arcos da Lapa, pelas feirinhas, e praias no Rio de Janeiro, e até finalmente chegarem à capital paulista. Era óbvio que todos estavam com saudades da banda, porque se havia passado muito tempo após o último encontro da banda com o público paulistano.

A banda que segue ativa nas suas produções discográficas, lançou o álbum Songs In The Key Of Yikes, o décimo terceiro disco da banda, e que são belas amostras do som do grupo, que inclusive algumas já fazem parte do novo setlist. A banda convidada pra data paulistana seria o trio Queda Livre.

Vindos do Rio de Janeiro, cidade onde o Superchunk havia se apresentado no dia anterior, a banda trabalha no seu álbum, Seres Urbanos, lançado neste ano de 2026. Em quarteto pra apresentação a banda passeia por vários sons experimentais, se aproximando do Shoegaze.

A banda funcionou bem ao vivo, arrancando aplausos e pedidos de bis, A vocalista agradeceu a oportunidade de tocar ali e a possibilidade de dividir o palco com o Superchunk realizando assim um sonho.

Numa semana que a Balaclava anunciou seu line up do próximo festival, que será realizado em setembro, com nomes como: Blonde Redhead, Dry Cleaning, Beach Fossils, DIIV, Ludovic, entre outros, já chacoalhou a mente dos fãs do estilo pra se prepararem pro seu fest anual. O evento contará com 2 dias, sábado e domingo, e será no Tokio Marine Hall, localizado na zona sul da capital paulista.

Cravados como um prego na parede, o Superchunk entrou no palco às 20:00, o Cine Jóia já tomado de novos e velhos fãs da banda, que vieram pra celebrar, esta que é uma das bandas mais importantes do cenário Indie-Rock dos EUA. Alinhados com Mac ao centro do palco (visão da platéia), Jim à direita, Betsy Wright à esquerda, e Laura King, ao fundo na bateria. Simpatia é o adjetivo mais adequado ao Superchunk, é belíssimo de ver a alegria de vê-los empolgados no palco, um dos fatores que mais colocam a banda na lista de pessoas bem quistas no cenário.

É difícil traçar um repertório mediante tantas faixas legais e discos que se tornaram item de cabeceira, mas Mac e Cia, fizeram questão de condensar faixas de praticamente toda história do grupo, que não são poucos, já que a banda têm mais de 36 anos de atividades. E um tanto quanto diferente do setlist do Rio de Janeiro, a banda deixou São Paulo mais ensolarada com a abertura de This Summer e Endless Summer. Care Less e Stuck In A Dream ambas do novo álbum funcionam muito bem ao vivo.

Ao invés de luzes espalhafatosas, se firmou uma iluminação nítida pra banda e do palco, já que o importava ali era a música, o Superchunk pegava o Cine Jóia pra si, era como tocar no quintal de casa, num dia de pleno churrasco. Canções como Why Do You Have To Put A Date On Everything, Skip Steps 1 & 3, já fizeram a alegria do público já ensandecido.

A cozinha do Superchunk é outra coisa que merece destaque, Betsy e mais uma Laura, só que a King, fazem do show uma perfeita combinação de diversão e amizade, enquanto que Mac e Jim, fazem a frente soar como um cartão de visitas ao vivo.

A mágica vem acontecendo desde que Laura King se uniu ao grupo em 2023, e de lá pra cá, tudo tem ficado mais divertido, não que em outrora não fosse, mas tudo flui como o esperado.

Entre alguns subidas no palco pros stage dives, uns mais ousados outros mais tímidos, o público foi expelindo energia ao longo do show, em algumas ocasiões Mac devolvia os saltitantes à platéia, arrancando inúmeros risos dos presentes.

Mac agradeceu ao público pela presença do público, mesmo após 15 anos de distância, e era fortemente aplaudido já que o Cine Jóia estava praticamente lotado pra apreciar a banda após tantos anos depois. E mandou a belíssima Detroit Has A Skyline, que parece ter saído do espólio do Husker Du. Like a Fool, encaixou como uma luva, uma faixa mais calma, mas também muito ovacionada, que arrancou suspiros de felicidade pra muitos.

Vários pontos altos teríamos que destacar, mas ao mesmo tempo muitas faixas soam nostálgicas pra muitos e outras mais novas servem de porta de entrada de conhecimento da banda, mas devemos dizer que Hello Hawk foi uma das melhores, juntamente da impecável Everybody Dies, faixa do disco mais recente do grupo.

De certo que haveria espaço pra encantadora Driveway To Driveway, que em plena era grunge passou a tocar nas rádios universitárias nos EUA. É inenarrável como em certos momentos as guitarras brilham, com suas notas limpas enquanto o baixo e bateria trazem rapidez e peso pras canções, tais timbres soam bem aos ouvidos dos amantes do Power Pop.

E aí vieram 5 canções que certamente entrariam pra posteridade como a identidade própria do Superchunk, The First Part, uma obra prima sem precedentes,

Betsy Wright no outro canto, faz as bases mais sutis da noite, exaltando sua camisa que muito lembrava Debbie Harry do Blondie com um charme implacável. Entre erros e acertos de algumas introduções, e várias risadas. Mac pedia pra que o público tivesse paciência com a banda e que pudessem dar um respiro entre uma faixa e outra. Que nenhum foi um problema, pois a banda tirava de letra sua ótima comunicação com o público.

Pra completar o set regular, Seed Toss, Crossed Wires, What A Time To Be Alive, e fechar com o hino de uma toda uma geração Slack Motherfucker. A atmosfera muito lembrou quando a banda havia desembarcado pela primeira vez no país em 1998. Com aquele frescor de garage-indie que o Cine Jóia se transformou.

A banda saiu do palco e voltou pro bis, com mais 5 faixas, sim, 5. A surpresa pra nós seria Mower, que não esperávamos que fosse executada, do maravilhoso disco On The Mouth, que realmente nos remeteu aos velhos tempos de MTV. E como separar a história da banda aqui no Brasil sem a MTV, que foi a culpada por nosapresentar inúmeros clipes do grupo.

E o quê dizer de Mac? O já senhor de 58 anos é um frontman de dar inveja, além de ser carismático ele é uma fonte de espontaneidade e garra quando interpreta as canções, trazendo um sentimentalismo ainda maior quando é ao vivo. O lado direito (da platéia) viu Jim Wilbur dominar sua guitarra como quem doma um animal silvestre, ora sagaz e ora veloz, ele cria nuances mais belas pra serem descarregados num pequeno amplificador.

Uma que acertou em cheio (inclusive nós) foi Learned To Surf, uma das faixas mais emblemáticas dos anos 2000 da banda, com direito a palmas, e explosão junto do refrão. A segunda surpresa da noite pra nós, seria a presença da “quase” hardcore Precision Auto, uma pedrada. Pra finalizar com toda excelência veio a maravilhosa Hyper Enough, incendiando o Cine Jóia.

Com 21 faixas no repertório, o Superchunk deixa provado toda a relevância de anos no underground norte-americano, o quanto serviram de inspiração e propósito pra muitas banda que nasceriam depois.. Como a banda gosta de turistar, pode ser que você os veja passando na sua rua, e se os encontrar digam que podem vir pro Brasil quando quiserem, pois aqui estaremos sempre de braços abertos.

Fique por dentro de todas as nossas novidades!

Inscreva-se