Superchunk: independência ou morte

O quarteto retorna ao Brasil após 15 anos, para show único na capital paulista

NOTÍCIAS

German Martinez

2/8/20264 min read

É difícil falar sobre bandas dos anos 80 ou 90 que não caiam nas nossas vagas lembranças da finada MTV, o Superchunk é uma delas. Quem não se lembra de faixas como Driveway To Driveway, Precision Auto, Tie A Rope To The Back Of The Bus, Throwing Things ou Hyper Enough.

Nós aqui deste lado do hemisfério sul, caímos de amores pela banda, não somente pela sonoridade que puxava pra aquele rock alternativo norte-americano com pitadas de punk, guitarras distorcidas e toques de melancolia. Mas também porque outras bandas como: Pixies, Breeders, Yo La Tengo também alçavam seus vôos no cenário musical. O Superchunk era o lado mais alternativo da coisa toda, mas quando começaram lá na cidade de Chapel Hill, na Carolina do Norte, uma cidadezinha com cerca de 45.000 habitantes, e conhecida por artistas como Southern Culture On The Skids, Squirrel Nut Zippers, ou mais tarde com o sucesso do Ben Folds Five.

O embrião do Superchunk foi Mac MacCaughan, Laura Ballance, Jack McCook e Chuck Garrison, foi justamente daí que a banda teve a idéia de criar o nome do grupo, pois o nome dele havia sido grafado de forma errada na lista telefônica e eles pegaram a idéia, até então usariam o nome de Chunk, após algumas apresentações com esse nome, eles ficaram sabendo que em Nova York já havia uma banda com o mesmo nome e resolveram mudar pra Superchunk, fato que foi assertivo e muito mais chamativo.

Anteriormente ao álbum de estréia, o single Slack Motherfucker, trouxe os holofotes pra banda, que lançaria o debut em 1990, e já poderíamos dizer que teríamos um dos maiores sucessos da história da banda, e aí fechariam contrato com a Matador Records. McCook decidiu sair da banda e Jim Wilbur, tomou o posto de guitarrista. Nessa época eles se aproximaram da turma do Seaweed (Tacoma, Washington), e excursionaram por algumas cidades dos EUA. O seguinte álbum No Pocky For Kitty chamou atenção logo atenção de outras gravadoras, em plena era da explosão do grunge em Seattle e naquele momento a banda estreitava uma relação com os "boas praças" do Mudhoney, que acabou culminando numa turnê pela Europa em 1991.

No álbum No Pocky, teve um peso gigantesco na curta trajetória da banda até então, Steve Albini, assumiu a responsabilidade de produzir o segundo álbum do grupo, e o fez com maestria, a banda foi até Chicago e gravou o álbum, que pra muitos seria considerado uma das obras primas da banda. On The Mouth teve Package Thief, Mower, como faixas das mais interessantes do disco, e encerraria seu vínculo com a Matador, e a banda optando por lançar os materiais apenas pela Merge Records, trazendo totalmente liberdade criativa sobre sua obra.

Em 1994, eles emplacaram inúmeras canções, justamente pelos clipes de The First Part, Driveway To Driveway, que alavancaram o lançamento de Foolish, marcando um ponto crucial na carreira da banda. Here Where's The Strings Come In, disco de 1995, propiciou uma turnê embalado pelo videoclipe de Hyper Enough, a banda passeava entre o underground e o mainstream, e no mesmo ano a banda dividiu com nomes já mais renomados do cenário como Sonic Youth e Pavement, no Lollapalooza.

Nos idos de 1998, a banda veio ao Brasil pela primeira vez, e até participou do Lado B, da MTV, programa clássico da emissora e apresentado pelo reverendo Fábio Massari, na ocasião a banda capitaneou o programa sozinha, escolhendo alguns videoclipes e o fato curioso é que os Pin Ups foram entrevistados pela banda, daí surgiu uma amizade entre as bandas, da qual dividiram 2 turnês juntos. Na ocasião a banda divulgava o álbum Indoor Leaving, e se apresentou na capital paulista e em Londrina (Paraná).

Devido ao contato com a Motor Music, selo mineiro que estava por trás do lançamento nacional de material da banda, os trouxeram novamente em 2000, onde a banda tocaria na extinta Broadway, localizada na Barra Funda.

Com a Merge Records, Mac e Laura, alcançaram ainda mais exposição com a repercussão do álbum Funeral, do Arcade Fire, que possibilitou que o selo ampliasse seus objetivos. Sendo que nomes como: Neutral Milk Hotel, Waxahatchee, Spoon, Teenage Fanclub, também faziam parte do espólio da gravadora.

Assim como o Mudhoney, que havia feito apresentações por aqui em 2010, a banda também realizou shows na Virada Cultural Paulista, tocando nas cidades de Sorocaba e Mogi da Cruzes, no ano de 2011. A banda não parou de lançar discos no novo milênio, e materiais como Here's To Shitting Up, Majesty Shredding ou I Hate Music marcam um bela fase da banda já muito mais madura. A Balaclava Records, realizou uma festa em 2015, e trouxe Mac, pra se apresentar solo, naquele momento ele trabalhava em seu disco Non-Believers.

Os Pin Ups que já eram camaradas convidaram Jim Wilbur, guitarrista do Superchunk pra gravar uma participação no álbum, Long Time No See, e a faixa que Jim gravou foi Mexican Tale. Pelos idos de 2023, o baterista da segunda formação, Jon Wurster saiu da banda, dando lugar a Laura King, que tocava no Bat Fangs.

A banda acaba de lançar seu mais novo disco, o intitulado Songs in The Key Of Yikes, seu décimo terceiro registro de estúdio, elogiado pela crítica especializada por ser um retorno á sua clássica sonoridade dos anos 90.

Hoje a banda é Mac MacCaughan, voz e guitarra, Laura Ballance no baixo, Jim Wilbur na guitarra, Laura King na bateria. Esta será a quarta passagem da banda pelo país, e 15 anos depois a Balaclava Records traz a banda pra uma performance única que ocorre no Cine Jóia, o show será no dia 31/05/2026 (Domingo)

Ingressos disponíveis:

ingresse.com/superchunk-sp/