The Fall Of Troy: da criatividade à derrocada

O trio norte-americano comemora o lançamento de 20 anos de Doppelgänger, um dos seus discos fundamentais com apresentação única e inédita no Brasil

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German Martinez

3/3/20263 min read

Uma das bandas mais explosivas do novo milênio, foi desequilibrada pela drogadição de todos os integrantes, o que acabou implodindo o lado criativo de um dos grupos mais promissores da pequena e pacata Mukilteo, no estado de Washington.

Thomas Erak (guitarra/vocal), filho de músico que tocou com nomes BB King, Heart, The Eagles, logo foi apresentado aos instrumentos e ao melhor da música já produzida, seja ela Jazz, Funk, Rock. As jams em sua casa eram corriqueiras, o seu pai tocava baixo e Erak, a bateria, então a música sempre estava á flor da pele, fazendo versões de Hendrix, Sam Cooke, Miles Davis. O Nirvana fez Erak despertar sua gana de tocar algum instrumento, mas dos arredores de Seattle, ele também gostava de The Blood Brothers, Minus The Bear, Death Cab For Cutie.

O primeiro disco já foi algo diferente, foi gravado tudo ao vivo numa sala, e capturado em fita de rolo, de forma analógica, onde o próprio Erak, cortava a fita, sob o olhar não muito contente do produtor Joel M. Brown. Que fez um trabalho minucioso pra capturar a sonoridade do trio.

Após o primeiro registro, o grupo chamou atenção de Ray Cappo, vocalista do Youth Of Today/Shelter, que era dono da gravadora Equal Vision, e viu que os 3 moleques tinham potencial musical. Cappo fez uma exigência que pelo menos 4 faixas do debut fossem regravadas, pra que ganhassem uma nova vitalidade, como numa resposta imediata, o título do disco virou: Doppelganger (ou seja, sósia).

Talvez graças a essa "forçada de barra", da Equal Vision, proporcionou a exposição gigantesca ao grupo, devido a sua participação no Guitar Hero 3, lançado em 2007, que continha a faixa FCPREMIX, e que lhe gerou mais holofotes do que imaginavam. Mas o álbum tinha faixas como: Act One, Scene One, I Just Got This Symphony Goin, Mouths Like Sidewinder Missiles, Tom Waits, Macaulay Culkin, retirada da Ghostship Demos, de 2003.

O som era uma mistura de tudo, pra muitos era um Prog Punk, nas influências eram nítidas coisas como Rush, King Crimson do lado progressivo e do lado experimental At The Drive In, The Mars Volta, um verdadeiro liquidificador de influências.

Dois anos depois de Doppelgänger, a banda lançou Manipulator, o disco com um apelo mais pop, mas que no conteúdo das letras era uma verdadeira ode ao que os caras estavam passando, quando entraram num redemoinho do uso abusivo do opióide Oxy Contin, que lhes causou uma dependência química entre os integrantes do grupo.

O álbum aborda justamente essa fase conturbada do grupo na batalha contra as drogas, uma busca pela superação pra que o vício não lhe tirasse a criatividade musical, o que foi inevitável. Não á toa, Tim Ward se retirou da banda, pra entrada de Frank Enne, que assumiu o posto de baixista.

O material posterior seria Phantom Of The Horizon, um registro conceitual, que a banda já trabalhava desde seu debut, mas ainda não tinha sido terminado de forma como buscavam, baseado em algumas histórias fictícias que queriam abordar, os problemas com drogas só haviam mudado pra outras substâncias, pois as complicações seguiam ali.

In The Unlikely Event, de 2008, marca o fim de uma era, Thomas e Andrew passaram a se afastar cada vez mais, o relacionamento entre eles já era algo insustentável, algo que só piorou após o abandono de Tim Ward da banda, e as drogas obviamente estavam ali por toda parte, o fim já era esperado, só faltava o momento oportuno pra que tudo se dissolvesse, até que em 2010, eles anunciaram o fim.

Graças a um amigo que faria uma festa de 30 anos no Texas, a banda voltou a se reunir em 2013. Na ocasião Tim Ward aceitou o convite de se juntar á Erak e Forsman, com o mote de que seria uma turnê baseada nos 10 anos do Doppelgänger. A banda começou a desenhar o que seria o novo disco, gravado com a formação original, OK, foi lançado em 2016.

Em 2020, Mukiltearth foi lançado, o que poderia ser considerado seu sétimo álbum, e demonstra a banda numa nova fase de suas vidas.

Agora em 2026, o clássico álbum Doppelgänger, comemora seus 21 anos desde seu lançamento em 2005, um disco que foi um marco pro Math Rock/Post Hardcore, ou rótulo que você deseje dar.

Hoje a formação conta com Thomas Erak, nas guitarras/vocais, Andrew Forsman na bateria, Jon-Henry Batts, no baixo/vocais.

O show tem produção da Overload, e ocorre no Carioca Club, domingo, 08/03/2026.

Ingressos disponíveis

The Fall of Troy em São Paulo