The Fall Of Troy: quando a virtuose encontra o Hardcore
O trio norte-americano faz sua estréia em terras brasileiras
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Texto German Martinez - Fotos Raíssa Corrêa
3/9/20264 min read


O Brasil, em relação a shows, faz parte de uma realidade que pode ser realmente incrível e por outra totalmente nefasta, se existem bandas médias ou grandiosas, que já vieram um milhão de vezes, ou batem cartão ano após ano, e por outro lado, bandas que sofrem com o atraso de no mínimo de duas décadas.
São Paulo especificamente sempre fez parte dessa rota, colocando 90 % de todos os tipos de banda no seu cardápio diário, ou seja, se quiser ver um show, a capital paulistana lhe oferecerá. Após a pandemia, o Brasil, assim como vários outros países, sofreu de uma demanda reprimida de shows, e depois dessa nebulosa fase nas nossas vidas, inúmeras bandas começaram a frequentar o país ou visitá-los pela primeira oportunidade.
O The Fall Of Troy se encaixa perfeitamente na segunda opção, por ter sido algo representativo no cenário Post-Hardcore em meados dos 2000. E se vc no mínimo não foi pros EUA nessa época, não conseguiu ver a banda. Em comemoração aos 20 anos de Doppelganger, lançado em 2005, a banda enfatizou essa turnê latino americana com esse trabalho atemporal.
Após performances caóticas na Argentina e no Chile, a banda víria ao Brasil, no domingo, 08/03/2026, a produtora Overload, trouxe o trio de Mukilteo, Washington, pra estreiar no país, sem banda de abertura e com um show de no mínimo 90 minutos, a banda de Thomas Erak, Andrew Forsman e Jon Henry-Batts, entrou no palco. Com Andrew já usando uma camiseta da seleção brasileira, fase Ronaldinho Fenômeno, ele foi aplaudido e logo foi pro seu posto.




O que veio depois daí, foi algo que é difícil de falar sobre de como a banda soa no palco, de cara executaram Whacko Jacko Steals The Elephant Man's Bones, que já eletrificou o lugar. Cercados de amplificadores Orange, e um punhado de riffs violentos Erak e Jon, estabeleceram o cargo de fazer a parte hipnotizante do set, enquanto Andrew deixava tudo ainda mais caótico. Os ritmos quebrados de Erak, fazem que você entre num estado de transe, pois nada ali foi feito pra soar óbvio, desde sua sonoridade até sua iluminação no palco, as mudanças de andamento foram propositais desde o início do novo milênio.
Quando o mesmo empunhou uma garrafa de cerveja, esclareceu que tudo aquilo era rock n' roll. Cada riff de Erak, cada grito de Jon Henry-Batts, era reverberado pelo espaço todo, numa viagem melancólica e agressiva ao mesmo tempo. Numa das faixas Andrew e Erak estavam se confundindo na introdução, ou algo do tipo, e na real se passou como um momento divertido.






E é óbvio que canções como: I Just Got This Symphony Goin, Mouths Like Sidewinder Missiles, The Holy [ ] Tape...foram tocadas. Olhando para trás, vemos o quão brilhante foi o Doppelganger, e também não menosprezaram faixas do álbum de estréia, do Manipulator e do EP Phantom Of The Horizon. Destaque pra Ex-Creations que talvez seja nossa favorita da banda (do álbum Manipulator), e pra Laces Out, Dan!, uma bomba monstruosa.
De saideira mandaram Reassurance Rests In The Sea, e saíram do palco, pra serem chamados novamente, pra reproduzir o seu maior sucesso, e se a faixa F.C.P.R.E.M.I.X. não tocou no seu dial, por volta de 2007/2008, ela certamente virou sua favorita de tocar no Guitar Hero 3, uma febre entre a molecada, que já assimilava bandas de rock com jogos como: Tony Hawk's Pro Skater, Gran Turismo; a franquia veio pra consolidar o que de fato a juventude queria ouvir na época.






Enfim, a torcida é que a banda não acabe como em 2010, e ressurja das cinzas como fênix, mas que o Brasil ainda tenha olhos pra vê-los numa próxima oportunidade.

